Seguidores

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Flávio Dino debate com Eduardo Leite, governador do RS, sobre o governo Bolsonaro

Governadores trocaram ideias sobre educação sexual nas escolas e avaliaram a gestão do presidente Jair Bolsonaro

Governadores do Maranhão e do Rio Grande do Sul debateram vários temas l Foto: Divulgação
Com visões de mundo e de política bastante diferentes, os governadores Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, conversaram sobre os temas mais variados em mais um episódio do Fura Bolha. Os dois trocaram ideias sobre educação sexual nas escolas, avaliaram a gestão do presidente Jair Bolsonaro e mostraram que é possível duas pessoas com opiniões diferentes conversarem entre si de maneira respeitosa.
Assista abaixo o bate-papo entre os dois governadores
Assista abaixo o bate-papo entre os dois governadores
O projeto Fura Bolha é uma série de bate-papos entre personalidades com pensamentos diferentes, o que possibilita um diálogo saudável e democrático. A iniciativa é do Plataforma Democrática (Fundação FHC + Centro Edelstein) e Quebrando o Tabu.
Fonte: Quebrando Tabu

China registra queda no número diário de pacientes com febre

A China registrou uma queda no número diário de pacientes com febre nas clínicas em todo o país devido às medidas rigorosas para combater o surto do novo coronavírus, anunciou nesta terça-feira (4) a Comissão Nacional de Saúde (CNS).

Equipe de manutenção no Hospital Huoshenshan, construído em apenas 10 dias o hospital com mil leitos para tratamento isolado e eficiente dos pacientes com pneumonia viral começou a funcionar no último domingo. É o segundo hospital construído de forma emergencial em Wuhan, epicentro da epidemia.
Os dados nacionais mostram que as clínicas da China receberam 220.865 pacientes com febre na segunda-feira, 7% a menos que no dia anterior, revelou Jiao Yahui, funcionária da CNS, em uma coletiva de imprensa.
O número vem caindo há dias, disse Jiao, acrescentando que a carga para os profissionais médicos que trabalham em clínicas de febre está diminuindo gradualmente.
Xi Jinping presidiu reunião do Partido sobre epidemia
No dia anterior à divulgação pelo CNS da diminuição do número de casos, o Comitê Permanente do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC) realizou uma reunião sobre a prevenção e controle da epidemia de pneumonia causada pelo novo coronavírus.
Xi Jinping, secretário-geral do Comitê Central do PCC, presidiu a reunião. Em nome do Comitê Central do PCC, Xi expressou respeito aos que lutam na linha de frente da batalha contra a epidemia e estendeu os cumprimentos aos pacientes e suas famílias.
Xi disse que, desde o início do surto da epidemia, o Comitê Central do PCC dá grande importância ao assunto e organiza os esforços de todos os setores para promover o trabalho de prevenção e controle em pleno andamento.
Xi enfatizou a importância de garantir o sucesso nesta causa. O resultado da prevenção e controle da epidemia tem relação direta na vida e na saúde das pessoas, na estabilidade econômica e social geral e na abertura do país, acrescentou.
Xi indicou que a tarefa mais crucial no momento é executar os arranjos com detalhes e pediu ações rápidas e resolutas para conter a propagação da epidemia.
Os comitês e governos do Partido em todos os níveis devem seguir firmemente o comando unificado, a coordenação e o arranjo do Comitê Central do PCC, disse Xi, exigindo a execução estrita de ordens e proibições.
A prevenção e controle da epidemia não é apenas um assunto de saúde, mas um trabalho abrangente que requer apoio total, disse Xi.
Xi também pediu oposição resoluta contra o burocratismo e a prática de formalidades por meras formalidades no trabalho de prevenção.
Aqueles que desobedecerem ao comando unificado ou não cumprirem suas responsabilidades serão punidos, disse Xi, acrescentando que os líderes do Partido e do governo que os supervisionam também serão responsabilizados nos casos graves.
Alto funcionário chinês é demitido por negligência
Zhang Qin, vice-diretor em tempo integral da sucursal da Sociedade da Cruz Vermelha da China (RCSC, em inglês) em Hubei, foi removido do cargo por negligência do dever na luta contra a epidemia do novo coronavírus, anunciou a comissão provincial de supervisão nesta terça-feira.
Zhang também foi demitido do Grupo dos Membros Dirigentes do Comitê da RCSC-Hubei do Partido Comunista da China (PCC), e recebeu um sério alerta intrapartidário e um sério demérito administrativo, revelou o órgão.
Uma investigação mostrou que os funcionários e quadros relevantes da RCSC-Hubei falharam em assumir a responsabilidade na recepção e distribuição de fundos doados e bens de socorro no esforço para conter a propagação da epidemia do novo coronavírus. Eles também violaram os regulamentos afins e foram responsáveis por erros de divulgação de informações, declarou a comissão em um comunicado.
Além de Zhang, Chen Bo, membro do Grupo dos Membros Dirigentes do Partido do Comitê da RCSC-Hubei do PCC, recebeu um alerta intrapartidário sério e um demérito administrativo grave. Gao Qin, chefe do Comitê da RCSC-Hubei do PCC e também vice-diretora executiva da RCSC-Hubei, recebeu um aviso intrapartidário, de acordo com a comissão.
Fonte: Agência Xinhua

Bolsonaro ataca a educação e quem a valoriza

Para o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis, o governo federal desestimula o trabalho do magistério e o ensino público

Na inauguração da pedra fundamental do Colégio Militar de São Paulo, nesta segunda-feira (3), Bolsonaro criticou governadores do Nordeste que não aderiram ao seu programa de militarização do ensino. “Para eles, a educação vai indo muito bem, formando militantes e desinformando, lamentavelmente”, afirmou.
O ex-presidente da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, Danilo Cabral (PSB-PE) contestou: “Bolsonaro mostra mais uma vez o seu total desconhecimento da educação pública no Brasil. Pernambuco tem a melhor política de ensino médio do país. O Maranhão tem a melhor política de remuneração dos profissionais da educação básica. Ao invés de aproveitar as experiências exitosas da educação no Nordeste, o Governo segue o caminho equivocado com acusações miúdas, rasteiras, como tem feito em todas as questões relacionadas à educação brasileira”.
O governo federal promoveu o corte de 30% para universidades federais, corte de pesquisa, corte de bolsa, proibição de professores participarem de eventos fora do país e seu ministro da Educação se mostra um verdadeiro inimigo do ensino público. “O professor está sendo demonizado, tratado como vilão, como o que doutrina, o que manipula. O obscurantismo e o moralismo acabam inibindo os profissionais a tocar em temas sensíveis e importantes para os alunos.
No país, 14% dos professores dizem ter se arrependido da escolha da profissão”, denuncia o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, representa a “bandeira do ódio”.
No mesmo dia em que Bolsonaro atacava os governos nordestinos, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), anunciou o aumento para R$ 6.358,96 do piso salarial para professores que trabalham 40 horas semanais nas escolas do Estado (o piso nacional é de R$ 2.886,24) e afirmou: “Aqui no Maranhão não ‘inauguramos’ pedra fundamental de escola. Aqui a gente inaugura escola. Pronta”.
Seu governo expandiu o ensino integral a 74 escolas (25 a mais que no ano passado) e criou primeira Escola Bilíngue do Estado, com educação infantil. “A decisão de fixar o piso dos professores 40h em R$ 6.358 tem um efeito positivo no conjunto da nossa economia. Ajudamos o setor de comércio e serviços a gerar empregos. Maranhão teve saldo positivo de empregos por três anos consecutivos. Estamos trabalhando para 2020 ser melhor”, justificou o governador.
Carreira desvalorizada
Levantamento do Instituto Ayrton Senna, do fim de 2019, apontou que, nos próximos cinco anos, o Brasil formará cerca de 1,5 milhão de professores. O balanço também mostrou que a nota de corte para cursos de licenciatura no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma ser menor do que a média de todas as graduações.
No Distrito Federal, entre 2014 e 2018, a pontuação mínima para as graduações em licenciatura foi, em média, 644,6, enquanto para o conjunto de cursos foi 685,7. No Pará, estado que teve a maior diferença, a nota de corte para licenciatura, no mesmo período, foi 649,3, enquanto a média das outras graduações foi de 661,1 pontos.

“O problema das notas de corte inferiores à média ocorre por causa da desvalorização da carreira docente, seja no serviço público, seja no privado. Após o golpe que destituiu Dilma Rousseff da Presidência da República, Temer e Bolsonaro investiram contra os direitos laborais e as aposentadorias, agravando ainda mais a situação dos que trabalham no ensino. O contrato temporário e a terceirização estão sendo utilizados como forma de rebaixar direitos, retirar conquistas e prejudicar ainda mais os profissionais da área. A desvalorização da carreira, as condições precárias de trabalho e os salários baixos são fatores para que a profissão não seja atrativa”, acusa Gilson.
Fonte: Portal Vermelho.org.br 

Oposição vai enfrentar a pauta destrutiva de Bolsonaro

Líderes querem trabalhar numa pauta própria que priorize a defesa do estado brasileiro, atacado pelo governo ultraliberal de Bolsonaro.

Líderas dos partidos de oposição debatem uma pauta própria (Foto Richard Silva/PCdoB na Câmara)
O ano legislativo começou com engajamento dos partidos que compõem a Minoria. Líderes e parlamentares do PCdoB, PT, PSol, PDT e PSB se reuniram nesta terça-feira (4) para pontuar as estratégias de resistência à agenda de desmontes do governo Bolsonaro.
Entre os temas elencados como prioritários para as bancadas estão a defesa do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que tem 2020 como último ano de vigência; a luta por uma Reforma Tributária justa e solidária; ampliação da articulação com os movimentos sociais; além da luta contra a agenda privatista do governo, entre outros
“Temos que enfrentar essa pauta destrutiva do Estado. Vamos resistir, mas temos que defender nossa pauta. A Reforma Tributária é um instrumento importante para combatermos a desigualdade. Fizemos um grande esforço para sistematizar o conjunto de propostas defendidas pelas bancadas da Minoria e apresentamos no ano passado esse documento. Vamos defende-lo nesse debate”, pontuou a líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
O texto em questão foi apresentado em outubro de 2019 pelo PCdoB, PT, PSB, PDT, PSol e Rede e traça uma alternativa à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/19, que trata da Reforma Tributária.
Ele resgata temas caros à esquerda, como a taxação das grandes fortunas, dos lucros e dividendos, cobrança de impostos sobre grandes heranças, preservação da renda da classe média e dos trabalhadores, criação de novas faixas no Imposto de Renda, entre outros pontos. A ideia é propor uma reforma tributária justa, solidária e sustentável.
O líder do PDT, André Figueiredo, diz que a reforma será votada neste primeiro semestre sob pena de não acontecer por conta das eleições municipais. Na sua opinião, a oposição tem condições de encaminhar suas propostas no processo de debate.
“É um importante mecanismo de combate à desigualdade e devemos defender a nossa proposta durante esse debate”, afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
Educação
Para o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA), a luta em defesa do financiamento permanente para a educação básica agrega aliados e explicita o descaso do governo Bolsonaro com o tema.
“O Fundeb é fundamental para estruturar a educação básica no nosso país, motivo pelo qual precisa ser fortalecido e fixo. Temos amplas condições de termos êxito nesse tema”, pontuou.
O Fundo é o principal sistema de financiamento da educação básica do país e acaba, por lei, este ano. Apesar disso, não conta com nenhuma ação do Executivo para renovar ou prorrogar sua vigência. Ao contrário, a gestão de Bolsonaro tem colocado impasses que travam a renovação do Fundeb. Desde 2006, pelo menos, o Fundo é responsável por mais de 60% dos gastos na educação básica.
Sem medidas adotadas pelo governo, a luta em defesa do Fundeb tem sido encampada pelos parlamentares. Um ato suprapartidário realizado no final de 2019, reuniu aliados dessa luta.
A ideia é reforçar a defesa da PEC 15/2015, que propõe um aumento na contribuição da União para o Fundo. Por falta de consenso com o governo, a pauta está travada, mas se depender da disposição dos parlamentares da oposição, o assunto será trazido à tona em 2020.
“Esse é um tema que amplia e coloca em contradição a política deste governo. Educação é um tema caro a todas as bancadas da Minoria e será uma prioridade importante desse grupo”, afirmou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).
A pauta também foi considerada prioritária na reunião da bancada comunista. De acordo com a presidente nacional da legenda, Luciana Santos, que participou do encontro dos parlamentares, realizado também nesta terça-feira, em Brasília, “a educação foi uma das áreas mais atacadas pelo governo de Jair Bolsonaro” e continuará no foco da luta dos parlamentares. “Vamos evitar os retrocessos no Fundeb”, afirmou.
Liderança
Outro tema abordado no encontro foi a definição do novo nome para a Liderança da Minoria em 2020. Após um ano sob comendo da deputada Jandira Feghali, em 2020 outra legenda deverá assumir o cargo. A expectativa é que a escolha fique entre parlamentares do PT e do PDT, no entanto, apenas depois da definição dos líderes partidários por todas as bancadas da Minoria é que o tema será tratado. O novo nome deverá ser conhecido apenas depois do Carnaval.
PCdoB na Câmara

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Márcio Jerry reafirma candidatura do PCdoB em São Luís

Presidente do partido, ele afirmou que o PCdoB pretende ser protagonista na eleição 2020 em São Luís, com candidatura própria, mas sem descartar o diálogo com a base do governo Flávio Dino

Em entrevista ao Canal da Band, nesta quinta-feira (23), o presidente do PCdoB Maranhão, deputado federal Márcio Jerry, reafirmou que seu partido pretende ser protagonista na eleição 2020 em São Luís, com candidatura própria, mas sem descartar o diálogo com a base do governo Flávio Dino, conhecida como “Partido do Maranhão”.
“Estamos naquele momento de botar o time no aquecimento. Vamos entrar em campo e ver como escalamos melhor aquele que vai ganhar eleição dia 4 de outubro. O PCdoB está se preparando para competir no maior número possível de municípios. Vamos, uma vez mais, disputar da melhor forma possível, debatendo, dialogando, apresentando propostas reais que possam se transformar em ações concretas nas cidades do Maranhão, para ampliar o número de prefeitos, de vice-prefeitos e também de vereadores”, afirmou o parlamentar.
Entre outros assuntos, o deputado também lembrou que o governador Flávio Dino lidera uma coalizão de 16 partidos, e que é preciso cautela para chegar a um nome único que represente essa frente, tanto na capital como nas cidades do interior.

Orlando Silva: O Brasil não precisa de “heróis de toga”



Orlando Silva (PCdoB-SP) participou intensamente da reformulação do "pacote anticrime" de Moro e Bolsonaro, que resultou na lei 13.964/2019, que instituiu o juiz de garantias
Foto: divulgação
A liminar do ministro Luiz Fux, que suspendeu por prazo indeterminado a criação do juiz das garantias, trouxe de volta o debate político sobre a matéria, incluída e aprovada pelo Congresso Nacional no bojo da tramitação do chamado “pacote anticrime”, que entrou em vigor no último dia 23 de janeiro.
Por Orlando Silva*
A decisão, por via monocrática e no recesso dos tribunais, conseguiu o prodígio de afrontar, a um só tempo, os três poderes da República: o Legislativo, que aprovou a lei;, o Executivo, que a sancionou; e o próprio Judiciário, cujo presidente, ministro Dias Toffoli, buscava mediar os prazos e as formas de sua implantação.
Um dos argumentos utilizados por Fux foi: “a complexidade da matéria em análise reclama a reunião de melhores subsídios que indiquem, acima de qualquer dúvida razoável, os reais impactos do juízo das garantias para os diversos interesses tutelados pela Constituição Federal”. Ora, a prevalecer essa linha argumentativa, o parlamento estaria impedido de legislar sobre pautas consideradas por demais “complexas” ou poderia fazê-lo de acordo com parecer prévio do ministro.
É importante registrar que a lei 13.964/2019 foi aprovada pelo parlamento brasileiro após meses de intensos e acalorados debates, sendo que o grupo de trabalho que elaborou a redação final ouviu dezenas de especialistas, em audiências públicas, o que contribuiu para a remoção de muitos pontos problemáticos do projeto, como a ampliação do excludente de ilicitude, o sistema de barganha penal e outros arroubos punitivistas.
Em outras observações, o vice-presidente do Supremo aponta que o tema só poderia ser tocado por iniciativa do próprio judiciário, vez que alteraria sua estrutura, e que não há previsão orçamentária para custear a medida. Não é procedente, tanto que o próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já debatia utilizar juízes substitutos, que já pertencem ao serviço público, para a função das garantias, o que elimina ambos os senões levantados por Fux.
Há ainda quem questione como se daria o expediente em comarcas em que apenas um juiz atua. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, o decano do Supremo, ministro Celso de Mello foi taxativo: “a própria lei dá a resposta, com todas as letras: nestas situações, os tribunais constituirão um sistema de rodízio de magistrados”. E mais: “o sistema vai se pautar certamente na tabela de substituições automáticas que já existe no âmbito do Judiciário há 50 mil anos”, ironizou.
Como se pode ver, as soluções para a implantação da medida estão aí e podem ser adotadas de acordo com plano a ser traçado pelo próprio poder Judiciário. O que existe, de fato, é um inconformismo por parte de setores e corporações que foram vencidos no debate público sobre a pertinência do juiz das garantias.
Mas o que justifica tal repulsa a um instrumento que tende a dotar a justiça de maior isenção e, consequentemente, diminuir questionamentos? Risco de impunidade não pode ser ou teríamos que admitir que magistrados estão colocando em xeque a atuação deles próprios. Talvez seja pelo culto que se acostumaram a render a juízes que atuam como “xerifes” ou “heróis de toga”, que desejam incutir na sociedade uma visão falsa de dicotomia entre o bem e o mal na luta contra a criminalidade, lógica pela qual os fins justificam os meios.
O juiz das garantias, de acordo com a lei, terá a responsabilidade de atuar na fase de investigação, zelando por sua legalidade, até o recebimento da denúncia, a partir do que tem início a jurisdição do magistrado responsável pelo julgamento. Essa divisão fará com que não haja influência na formação da convicção do segundo juiz com a produção das provas, o que representa um avanço significativo para a garantia de um julgamento imparcial e para a plenitude do sistema acusatório, que estabelece a separação das funções no processo penal.
Tal modelo, com uma ou outra diferenciação, é amplamente utilizado mundo afora. No festejado sistema de justiça da Alemanha, por exemplo, os processos criminais são julgados em órgão colegiado. Países de tradição ibérica, como Portugal e Argentina, também utilizam o instituto. Não há motivo para que o Brasil recuse, por uma canetada, um aperfeiçoamento em seu sistema processual.
A suspensão sine die do juiz das garantias ganhou aplausos de setores identificados com as práticas consagradas pela Operação Lava-Jato, que, malgrado tenha jogado luzes à velha estrutura de corrupção presente no Estado, se demonstrou contaminada pela politização e pouco afeita a respeitar direitos e garantias previstos na Constituição e no Código de Processo Penal.
De outra parte, foi repudiada como desrespeito à separação de poderes e afronta à formulação de amplos segmentos que operam e estudam o direito. Espera-se que o caso vá logo ao plenário do Supremo e não tenha o mesmo destino de outras decisões monocráticas, como a que estendeu o auxílio-moradia a todos os magistrados, que ficou quatro anos parada ao custo de bilhões aos contribuintes.
O Brasil não precisa de falsos heróis, togados ou não. O combate à criminalidade e à corrupção devem ser feitos por um sistema de justiça que garanta a imparcialidade, o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal, premissas sem as quais os indivíduos estarão à mercê do arbítrio do Estado e de seus agentes.

Novo teto salarial inibirá a “fuga de cérebros”, diz reitor da Unicamp

“Falta de atratividade das universidades públicas paulistas poderia provocar uma eventual perda de excelência e um desmonte de grupos de pesquisa”, diz Marcelo Knobel

Graças a uma liminar de Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, houve mudança nos rendimentos de professores do ensino superior. Docentes universitários da rede estadual passam a ter um teto salarial equivalente ao de um professor de universidade federal. Em entrevista à Época, o argentino Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, elogia a decisão. Segundo ele – que também é presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) –, “estava havendo uma fuga de cérebros”.
Época: Uma liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, equiparou o salário dos professores universitários estaduais ao dos docentes das universidades federais. Qual o impacto dessa decisão?
Marcelo Knobel: É uma decisão muito acertada porque estamos em um momento crucial para as universidades – e falo principalmente em relação às universidades públicas do estado de São Paulo. O teto que estava sendo aplicado aqui, um dos mais baixos do Brasil, levava a uma situação que, em um curto espaço de tempo, se tornaria insustentável. Estava havendo uma fuga de cérebros. A falta de atratividade das universidades públicas paulistas em comparação com as federais e com as privadas poderia provocar uma eventual perda de excelência e um desmonte de grupos de pesquisa.
Época: Na prática, o que muda com a equiparação salarial, não só em relação à carreira do professor, mas também no orçamento das universidades?
MK: Não é uma equiparação salarial. Cada universidade continua com sua carreira inalterada. O que foi alterado é o valor do teto de pagamento de salários para os professores e pesquisadores. Parece um detalhe, mas é fundamental. A gente continua com a mesma carreira, e essa medida valoriza justamente as carreiras nas universidades estaduais. Do ponto de vista prático, vamos deixar de cortar salários de pessoas que dedicaram sua vida à universidade pública, sendo essa sua única atividade.
Época: Há como equilibrar a valorização profissional do professor de outra forma que não seja por meio de aumento de salário?
MK: Temos muitos aspectos – e é justamente por isso que a própria Constituição e todos os documentos oficiais falam de um sistema nacional de ciência, tecnologia, inovação e educação superior. A gente tem muita desigualdade regional em nosso país, seja do ponto de vista das carreiras ou da infraestrutura de pesquisa. Certamente temos muito para avançar no que se refere a condições de trabalho e atratividade na carreira de professor universitário no país.
Época: Na última tabela disponível para consulta, as três universidades estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp) informaram que o gasto com a folha de pagamentos foi, em média, 88% do orçamento de novembro do ano passado. A conta vai fechar diante da decisão do STF?
MK: Vai fechar, sem dúvida. As administrações das três universidades estaduais públicas de São Paulo estão fazendo um trabalho muito sério de equilíbrio orçamentário, controle de gastos e aumento da receita. Essa questão está muito bem equacionada. Fizemos uma reunião no Cruesp (Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), e o impacto será, em média, de 2,2% no orçamento diante da liminar. É perfeitamente absorvível. Ainda não temos o dado efetivo, apenas essa média, porque é muito difícil calcular. Há muitas variáveis, até mesmo a de como evoluirá a reforma da Previdência nos estados.
Época: As aposentadorias dos professores também são pagas pelas universidades, então muitos serão afetados pela liminar do STF. Deveria haver uma separação em relação ao pagamento dos professores ativos e inativos?
MK: A diferença é que os salários dos servidores são considerados, mas sem os encargos. Não deve haver separação. Estamos falando de pessoas que dedicaram sua vida por muitos anos para construir as melhores universidades públicas do país, com excelência no Brasil e na América Latina. Optaram por esse caminho porque no momento em que foram admitidas havia um contrato, uma carreira prevista.
Época: Os profissionais da academia relatam “fuga de cérebros” nas universidades diante de falta de perspectivas de carreira do professor, principalmente com o congelamento de salários. A decisão do STF muda o cenário? Em que sentido?
MK: Creio que sim. Havia muita gente se aposentando ou buscando trabalho em universidades privadas, ou no exterior, ou como consultor. Aposentado, o pagamento dele continuava, o que para a universidade é um fator muito ruim. Com a perspectiva de poder recuperar o salário, naturalmente a pessoa pensa duas vezes.
Época: O modelo de repasse de recursos às universidades, com autonomia financeira e de gestão, é o ideal?
MK: Sempre há aprimoramentos para fazer em qualquer modelo, porém esse é um modelo que se mostrou absolutamente vitorioso em São Paulo. É referência mundial. É um modelo em que as universidades têm o poder de planejar o futuro e de discutir internamente e externamente como os recursos serão priorizados. Os dados desses 30 anos de autonomia são impressionantes, tendo em vista a qualidade das pesquisas, a quantidade de atendimentos na área de saúde, na extensão e, principalmente, na formação de jovens universitários.
Época: O que falta para haver equilíbrio entre orçamento e educação universitária pública no Brasil? MK: A gente precisa rediscutir o sistema universitário público e privado como um todo. Ter boas universidades de pesquisa é algo que requer um investimento considerável do Estado. Por isso, precisamos de um modelo de diversificação maior no ensino superior. Poderíamos ter mais institutos só de pesquisa, mais universidades que sejam apenas de ensino, ou seja, universidades de classe mundial. Precisamos também massificar um pouco mais o ensino superior. Esse é um grande dilema que temos, pois apenas 17% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior. Temos um desafio imenso no sistema de educação brasileiro, e para fechar a conta precisamos discutir o sistema como um todo, e não medidas pontuais que não têm nenhuma conexão com a realidade.

Flávio Dino reafirma que a questão central é defender o Brasil

O governador do Maranhão volta a apoiar a formação de uma frente ampla para se contrapor ao governo de extrema-direita de Bolsonaro.

Flávio Dino: Fundamental é fazer movimentos amplos e romper o isolamento l Foto: reprodução
Por meio do Twitter, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), voltou a defender a formação de uma frente ampla para enfrentar os retrocessos no país promovido por um governo de extrema-direita.
Segundo o governador, essa deve ser a ação política central de todos os setores progressistas no país.
“Mais importante agora não é falar de partes e sim do todo. Ou seja, questão central é a defesa do Brasil, dos direitos sociais e de um projeto nacional de desenvolvimento, elaborado e sustentado pela frente mais ampla que for possível”, disse o governador.
Dessa forma, ele responde a polêmica em torno de um convite que lhe teria feito Lula para sair do seu partido e se candidatar pelo PT a presidente em 2020, fato negado pelo próprio ex-presidente.
Flávio Dino tem sido o porta-voz da unidade para evitar mais retrocessos no país. Ele tem dito que “ninguém tem força hoje para conter, sozinho, essa avalanche que está aí”. Para ele, é preciso que a esquerda sente-se “com quem pensa diferente.”
O governador já conversou com pessoas de centro como Luciano Huck e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
“O Brasil vive uma conjuntura de trevas. Nós temos uma ameaça objetiva à vida democrática, à dissolução da nação”, disse ele em entrevista recente ao UOL.

Venha se eleger pelo Movimento 65



O Movimento 65, de caráter cívico e eleitoral, emerge com amplitude para reacender a
esperança do povo, desbravar alternativas e buscar saídas para um país atingido pelo
desastroso governo Bolsonaro.

Esse Movimento é um chamado ao resgate da nossa democracia. Um espaço aberto para
as pessoas que desejam construir novos caminhos para o país. Lançado pelo Partido
Comunista do Brasil (PCdoB), ele se propõe agregar, unir e pôr em ação lideranças
políticas, da classe trabalhadora e de segmentos empresariais, profissionais liberais,
personalidades da sociedade civil, militantes dos movimentos sociais, pessoas que são referências de diferentes áreas de atuação.

O critério para a ele aderir é um só: compromisso com a defesa do Brasil, com os
direitos do povo e com a democracia, hoje seriamente golpeados e ameaçados.
Surge, assim, uma boa-nova: uma alternativa inovadora e avançada, um espaço de
política idônea, combativa, para que as pessoas honestas e progressistas, como você,
possam se candidatar às prefeituras e às câmaras municipais em 2020.


Nós do Movimento 65, candidatos, candidatas, ativistas, realizaremos uma campanha
que dê respostas às aspirações da maioria da sociedade por cidades democráticas,
sustentáveis e seguras. Municípios que a todos proporcionem direitos como saúde,
emprego, segurança, educação, moradia, transporte, cultura, esporte e lazer. Cidades
que protejam o meio ambiente, respeitem a diversidade e promovam os direitos
humanos e civis.

Empreenderemos uma jornada que visa à vitória de alianças progressistas, democráticas
e de esquerda. Vitória que, uma vez alcançada, criará alternativas e impulsionará o
Brasil na direção da democracia e do desenvolvimento soberano, da geração de
empregos, da distribuição de renda e do resgate dos direitos do povo.

Temos a convicção de que, a partir das cidades, com as eleições municipais, poderá ser
escrito, por nossas mãos unidas, um importante capítulo da resistência democrática. A
vitória das forças progressistas, sobretudo nas médias e grandes cidades, erguerá uma
barreira para conter e repelir as ameaças autoritárias do governo Bolsonaro, que ceifam
a esperança e infelicitam nossa gente com o desemprego.

E será desse chão sulcado por nossa luta que brotará a esperança. Alimentados por ela,
impulsionados por nossa coragem política, poderemos reaver o direito do povo, das
famílias, a uma vida digna que tanto merece nossa gente.

Esse é o objetivo do Movimento 65: ser um meio para a eleição de lideranças
progressistas, patrióticas, populares e democráticas. A proposta é lançar candidaturas
para as câmaras de vereadores e prefeituras, com uma plataforma de democratização das
cidades, priorizando o bem-estar social da população. Vamos eleger e conquistar
mandatos que defendam o povo.


Que todos e todas venham a compartilhar conosco o Movimento 65, um movimento de
pessoas comuns, das novas lideranças que precisam ter representatividade política,
conquistar mandatos para os poderes Legislativo e Executivo.

Socialistas, trabalhistas, humanistas, patriotas, integrantes de todas as religiões, das
organizações sociais e culturais que compartilharão conosco, com base neste Manifesto,
os mandatos de representação que alcançarmos. Queremos ser a alternativa contra toda
forma de discriminação política, social, de cor da pele, de orientação sexual.

Queremos representar o povo brasileiro!
Venha para o Movimento 65!
Até 3 de abril você pode se filiar para ser candidato ou candidata nas eleições municipais deste ano!
Em todas as cidades, a legenda 65 está de portas abertas para você.