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quinta-feira, 29 de março de 2018

Além de Yunes, Coronel Lima e outros dois aliados de Temer também são presos

As detenções foram autorizadas pelo ministro Luis Roberto Barroso; a decisão poderá ser revista pelo STF ao longo do dia

Coronel Lima, Wagner Rossi e Antônio Celso Grecco são citados em inquérito sobre o decreto dos portos que também investiga Michel Temer ( Foto: Reprodução / Rede Globo / Agência Brasil )
09:34 · 29.03.2018 / atualizado às 10:02 por Mônica Bergamo, Thais Bilenky, Rubens Valente, Letícia Casado e Fábio Fabrini / FolhaPress
Além do empresário e advogado José Yunes, 80, também foram presos pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (29) o coronel João Batista Lima Filho, o ex-ministro Wagner Rossi (MDB), aliados de Temer, e o empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos. 
As detenções foram autorizadas pelo ministro Luis Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do inquérito que investiga Temer por suposto recebimento de propina em troca de benefícios a empresas do setor portuário via decreto.
A decisão poderá ser revista pelo STF ao longo do dia após o cumprimento de todos os mandados.
A defesa de Yunes e Grecco disseram que a prisão é temporária, de cinco dias.
Rossi foi preso às 6h em sua casa, em Ribeirão Preto, e levado à PF na cidade para prestar depoimento. Depois, será encaminhado à superintendência da PF em São Paulo.
O advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Yunes, disse ser "inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar".
"Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania."
Grecco foi levado para a Polícia Federal em São Paulo. Também estão sendo feitas ações de busca e apreensão na sede da Rodrimar e na casa do Grecco, em Santos.
A PF disse, em nota, que "por determinação do STF, não se manifestará a respeito das diligências realizadas na presente data".
Investigação
Yunes é citado em inquérito sobre o decreto dos portos que investiga Temer, o ex-deputado e ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) e um sócio e um diretor da empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos (SP).
Também é mencionado o coronel João Baptista Lima Filho, aposentado da Polícia Militar de São Paulo e próximo do presidente desde os anos 1980.
A investigação apura se Temer praticou os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Editado em maio do ano passado, o decreto suspeito ampliou de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessão e arrendamento de empresas que atuam em portos e permitiu que eles possam ser prorrogados até o limite de 70 anos.

Fonte: diário do nordeste

Falta só prender Temer, 'o chefe da organização criminosa', diz Randolfe

Na manhã desta quinta-feira (29), amigos próximos do presidente foram alvos de prisão por causa de investigação sobre o Decreto dos Portos

11:23 · 29.03.2018 / atualizado às 11:57 por Estadão Conteúdo
Falta só prender Temer, "o chefe da organização criminosa', diz Randolfe
O presidente Michel Temer é um dos alvos da investigação e está sob suspeita de beneficiar a empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário ( Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil )
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) elogiou, nesta quinta-feira (29), a decisão do Supremo Tribunal Federal de determinar a prisão do ex-assessor do presidente Michel Temer, José Yunes, e disse que agora "falta só Temer", a quem classificou como "chefe de organização criminosa".
Além de Yunes, outros amigos próximos do presidente foram alvos de prisão temporária, por causa de investigação sobre a edição do Decreto dos Portos. Os mandados de prisão são do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, mas foram pedidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
"Parabéns ao Ministro Barroso, que não cedeu às ameaças de impeachment do pitbull de Temer, Carlos Marun, e mandou boa parte dos comparsas do presidente ao xilindró, na investigação dos Portos. Falta só Temer, o chefe da organização criminosa, que, por hora, prefere delirar com a fantasia da reeleição e com o conforto da impunidade presidencial", disse por meio de nota. 
"Barroso só dá bons exemplos do STF que a cidadania brasileira deseja: rigoroso e célere, mas sempre justo, sem fazer distinções quanto ao poder econômico e envergadura política do réu. Barroso acaba com o mito de um STF lento e ineficiente: mostra que o que falta a facções do Tribunal é a boa vontade em fazer seu papel e cumprir a Lei e a Constituição que deveriam proteger", complementou.
Além de Yunes, foram presos o presidente da empresa Rodrimar, Antonio Celso Grecco, o ex-ministro de Agricultura Wagner Rossi e o coronel da reserva da PM João Batista de Lima Filho, o coronel Lima. Milton Ortolan, auxiliar de Wagner Rossi, também foi preso. As ordens de prisão são temporárias - por cinco dias.
O presidente Michel Temer é um dos alvos da investigação e está sob suspeita de beneficiar a empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário. Em fevereiro, Barroso esticou o inquérito por 60 dias. O Decreto dos Portos foi pivô de um diálogo no dia 4 de maio entre Temer e seu então assessor Rodrigo Rocha Loures, alvo do grampo da Polícia Federal e que ficou conhecimento como "homem da mala". 
A interceptação ocorreu em meio ao processo de delação premiada de executivos do Grupo JBS, entre eles Joesley Batista. José Yunes é amigo de Temer há mais de 50 anos. O empresário foi assessor do emedebista na Presidência.

Fonte: diário do nordeste

Chacinas no estado do Rio alertam para o genocídio da juventude negra

Fernando Frazão/Agência Brasil
Jovens negros são as principais vítimas da violência
Jovens negros são as principais vítimas da violência


As vítimas: jovens, negros e moradores da periferia. O genocídio da população negra tem sido alvo frequente de denúncias por instituições que lutam em defesa dos Direitos Humanos. Porém, é na fala dos moradores das comunidades que fica evidente que essa parcela da população continua a ser executada no estado mesmo após a intervenção militar. 

Um morador que vive na Rocinha há 40 anos e que por questões de segurança não pôde se identIficar, contou que no sábado (24), quando ocorreu a chacina que deixou oito mortos na comunidade, o Batalhão de Choque da Polícia Militar desembarcou no túnel Zuzu Angel disparando tiros e causando medo e pânico nas pessoas que estavam na festa de um artista local. José ainda revelou que a população já fez denúncias para todos os órgãos responsáveis por apurar as violações de direito e violência policial, mas até o momento nada foi feito. 

“Tem muita denúncia de morador no Ministério Público, muita investigação sobre violência policial na Corregedoria e não muda. Agora com a intervenção militar, implementaram uma lei em que qualquer coisa é desacato e ai você vai preso”, afirma. 

O morador destacou ainda que já foi vítima de agressão por parte da polícia e que teme pela sua vida e de outras pessoas próximas que já sofreram ameaças. Para ele, a intervenção federal militar não trouxe nada de positivo para a Rocinha. 

“A gente vive assustado, acuado dentro de casa, somos feitos de refém e não mudou nada. Em lugar nenhum está morrendo tanta gente quanto está morrendo na Rocinha. Isso está parecendo o que? Uma ditadura militar? Limpeza étnica? O que está acontecendo? Por que matam tanta gente e não prendem?”, desabafa. 

Um dia após a chacina da Rocinha, a 60 quilômetros do município do Rio de Janeiro, na cidade de Maricá, cinco jovens negros foram executados na área de lazer do condomínio popular Carlos Marighella, no bairro de Itaipuaçu. A principal suspeita da investigação é que os jovens foram assassinados por milicianos que cobram por segurança na região. 

João Carlos Lima que coordena a Secretaria de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher conta que os jovens executados integravam rodas culturais de hip-hop na cidade e também, duas das vítimas, eram militantes da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). 

"Três desses jovens participaram ativamente de uma roda de rima, que tinha relação com a nossa Secretaria. Eles estavam fazendo o evento a cada quinze dias na Praça Central de Maricá e tinham começado também em Itaipuaçu”, ressalta. 

Com relação a segurança do condomínio, construído a partir do financiamento do projeto Minha Casa, Minha Vida, onde ocorreu a chacina, o secretário destaca que a prefeitura não pode intervir dentro do conjunto habitacional, mas que está providenciando medidas para aprimorar a segurança no entorno, com a instalação de câmeras de segurança e guaritas na região. 

Na segunda-feira (26), a Delegacia de Homicídios de Niterói divulgou a informação de que os cinco jovens assassinados não tinham qualquer envolvimento com o crime organizado. Segundo a investigação, os adolescentes foram executados no domingo (25) com tiros na cabeça. 

Dados do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017, publicado pela Unesco, apontam que em 24 unidades da federação, a chance de um jovem negro morrer assassinado é 2,7 vezes maior do que a de um jovem branco. 



Por Jaqueline Deister no Brasil de Fato

Zanin: Moro admitiu que prisão de Lula é ilegal



Paulo Pinto / AGPT
 
 

 "Na medida em que se cogita uma proposta de emenda constitucional, o que se está reconhecendo, na verdade, é que o texto atual não permite a antecipação da pena após decisão em segunda instância", declarou Zanin em entrevista ao portal UOL.

"Acho que aplicar uma decisão que permita a antecipação da pena sem decisão condenatória transitada em julgado é uma afronta à Constituição. E que causa também um problema em relação ao sistema carcerário brasileiro", afirmou.

"Por mais que se faça uma interpretação mais elástica, por mais que se busque algum sentimento da sociedade ou algo parecido, não há espaço para nenhum juiz do país decidir contra aquilo que está expresso na Constituição Federal", declarou ainda. 


Fonte: Brasil 247

Espião envenenado - governo britânico acusa Rússia sem ter provas


 
 


O documento cita as conclusões dos testes realizados pelo laboratório de Porton Down: "Amostras de sangue de Sergei Skripal e de Yulia Skripal foram analisados e as conclusões indicaram a exposição a um agente nervoso ou a um composto relacionado. As amostras acusaram a presença de um agente nervoso da classe Novichok ou relacionado".

Estas duas frases, que constam de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça britânico da quinta-feira (22), desmentem as acusações peremptórias da primeira-ministra, Theresa May, e do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, que afirmam que o envenenamento do espião duplo e da filha foi executado por agentes russos.

Skripal e a filha foram encontrados inconscientes no passado dia 4 em Salisbury, no sul de Inglaterra, onde o espião vive desde que foi envolvido numa troca de prisioneiros ligados a atividadestividades de espionagem entre a Rússia e os Estados Unidos da América (EUA). Sergei Skripal foi, durante anos, um agente duplo britânico nos serviços secretos da Federação Russa, até ser descoberto em 2004 e condenado a 15 anos de cadeia por alta traição em 2006. Em 2010 foi perdoado pelo presidente Dimitri Medvedev e mudou-se para a cidade inglesa.

Agente "russo" foi sintetizado no Irã em 2016

A classe de agentes nervosos Novichock teria sido desenvolvida num laboratório do Uzbequistão, algures entre as décadas de 1970 e de 1990. Cientistas iranianos, sob supervisão da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), sintetizaram cinco compostos que, alegadamente, integram a classe Novichock e que, de acordo com informação avançada por José Goulão , na TVI24, também estão na posse dos EUA e do Reino Unido – precisamente no laboratório de Porton Down, que fica a cerca de dez quilómetros da cidade de Salisbury.

Os agentes Novichock, em relação aos quais existe mais especulação do que informação concreta, pelo menos desclassificada, são organofosfatos, tal como os agentes da classe do Sarin (desenvolvido pela Alemanha) ou da classe do VX (desenvolvido pelo Reino Unido). Num artigo, o OffGuardian lembra que a formulação utilizada pelo Supremo pode indicar a presença de um qualquer organofosfato.

Recorde-se que a Rússia, ao contrário dos EUA, desmantelou todo o seu arsenal químico declarado em Setembro passado, de acordo com a OPAQ. Supostos ataques com armas químicas têm sido utilizados como argumento para a agressão à Síria por parte dos EUA e dos seus aliados, nenhum dos quais confirmados por investigações independentes. Também a Síria destruiu o seu arsenal químico sob supervisão da OPAQ.

Escalada diplomática
Até à noite passada, 26 países tinham expulso ou anunciado a intenção de expulsar diplomatas russos, para além do Reino Unido, de acordo com a CNN. O Governo português não o fez, chamando o seu embaixador em Moscovo para consultas, apesar de ter apoiado a decisão de expulsar parte da representação russa junto da NATO.

Apesar de a cautela do Executivo nacional contrastar com a posição da maioria dos estados-membros da União Europeia que anunciaram a expulsão de diplomatas russos (18, para além do Reino Unido), Portugal não ficou isolado no quadro europeu e, muito menos, no plano mundial.

Já o PSD, pela voz do seu líder parlamentar Fernando Negrão, esta manhã, exigiu do Governo a expulsão de diplomatas russos em Portugal. Para Negrão, «devemos alinhar com a maioria daqueles com quem temos estado sempre». Em 2003, também com alegações britânicas de que Saddam Husein dispunha de armas químicas (que se vieram a provar inexistentes), o governo do PSD e do CDS-PP alinhou com os EUA e o Reino Unido na agressão ao Iraque, acolhendo mesmo a cimeira da guerra na base das Lajes, nos Açores. 


 Fonte: AbrilAbril

Jandira Feghali: Luz para poucos



Richard Silva/PCdoB na Câmara
 
 

Em setembro de 2012, a presidenta Dilma assinou uma Medida Provisória (MP 579, convertida na Lei nº 12.783/13) que alterou a forma de composição das tarifas de energia. Até então a fórmula incluía uma taxa de amortização, mesmo para as concessionárias que já haviam saudado suas dívidas e, portanto, sem saldo a amortizar. Havia também uma taxa de risco hídrico que todos os consumidores, residenciais ou industriais, pagavam como forma de compensar as concessionárias em caso de crise hídrica. A medida excluiu ambas as taxas.

Mas o principal avanço da MP foi o regime de cotas. O texto garantia a renovação de concessões por 30 anos para as empresas que aderissem ao regime. Essa mudança implicou em redução imediata das tarifas de energia elétrica que passaram de mais de R$ 100,00 por megawatt-hora para menos de R$ 30,00 por megawatt-hora. Uma drástica redução que beneficiou milhões de consumidores.

Mas o que é o regime de cotas? Nada mais do que uma mudança de conceito. A lógica do regime é que a energia é um bem essencial e não pode se submeter aos interesses do mercado ou colocar em risco os outros usos da água. As empresas, beneficiadas com a renovação da concessão, não podem decidir quanto de energia gerar de acordo com suas avaliações de maior ou menor lucro. Devem gerar uma cota suficiente ao abastecimento e entregar 100% da sua produção de energia a preços controlados. Com isso, os múltiplos usos da água são respeitados e não se coloca em disputa a função social e o lucro. A medida mirou no uso predatório de um recurso fundamental, a água, e acertou.

O fim do regime de cotas, além de elevar imediatamente as tarifas das geradoras e das distribuidoras, resultará em grave risco de desabastecimento em locais onde entenderem de baixa lucratividade. Estimativas iniciais indicam que essa elevação alcançará os 17%. A renda extra obtida irá para o bolso dos novos controladores privados e dificilmente gerará os investimentos de longo prazo que serão necessários para aumentar nossa capacidade de geração de energia.

A Eletrobras é a maior holding do setor elétrico da América Latina, a 16ª maior empresa de energia do mundo e uma das 5 maiores geradoras hidrelétricas do mundo em capacidade instalada. O impacto das alterações efetivadas em 2012 foi muito positivo para os consumidores. É claro que a Eletrobras tem tido lucros menores mas, mesmo com tarifas mais baixas e controle na geração de energia, ainda apresenta lucros e o seu endividamento caiu mais de 10%, como reconhece o próprio governo na exposição de motivos que acompanha o Projeto de Lei de privatização.

A União, se aprovado o projeto, abrirá mão do controle acionário da empresa e, de quebra, porá fim ao regime de cotas. Venderá uma empresa comprometida com o fornecimento de energia e entregará outra empresa, livre para aumentar as tarifas e vender sua energia onde melhor lhe convier. Esta é a negociata em curso. Uma negociata que terá como alvos os consumidores e nossa soberania numa área estratégica para o desenvolvimento do país. Uma negociata que poderá ter como consequência uma ação predatória sobre a água. Em nenhum país do mundo isso foi feita desta forma. Não desconhecemos que são necessários ajustes no sistema, mas sempre sob o comando e interesse do povo brasileiro.

Na realidade, uma de nossas maiores riquezas será entregue, a um valor inferior ao pior investimento anual da empresa, para mãos estrangeiras. Uma empresa que já teve, ao longo de sua história, R$ 400 bilhões de investimentos entregue por R$ 12 bilhões. Nossos rios internacionalizados. Um risco para a água que irriga a terra que produz os alimentos que comemos. Um risco para dois pilares de nossa cidadania: luz e água. 

A revolução promovida pelo regime de cotas está com os dias contados. E é preciso difundir à exaustão o que significa sua extinção. É preciso impedir que se efetive mais um ataque ao patrimônio do povo brasileiro, com consequências severas ao crescimento econômico e ao direito à energia elétrica e à água. É isso ou voltar aos candeeiros. Voltar para a falta de convivência após o anoitecer. De proteção às nossas águas para risco hídrico. De luz para todos para luz para poucos. 



*Jandira Feghali é deputada pelo PCdoB/RJ e vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados

PF prende aliados, deixa Temer preocupado e desmonta agenda



Marcos Corrêa/PR
 
 

Em nota, o advogado de Yunes, José Luis Oliveira Lima, disse que a prisão de ilegal e considera uma violência contra a cidadania. “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimidado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar”, afirmou.

Yunes, que é advogado, teve seu sigilo bancário quebrado pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, na mesma decisão em que foi decretada a quebra do sigilo de Temer no âmbito do chamado inquérito dos portos.

Temer e aliados são investigados por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na edição do decreto para prorrogar os contratos de concessão e arrendamento portuários, que teria beneficiado a empresa Rodrimar S.A., que opera áreas do porto de Santos.

Também como parte dessa investigação, a PF enviou diversas perguntas a Temer no início deste ano, incluindo se ele sabia da entrega de valores pelo doleiro Lúcio Funaro a Yunes e se o presidente orientou Yunes a receber os recursos e se o dinheiro foi usado por Temer.

No início de 2017, em entrevista à revista Veja, Yunes afirmou que teria recebido um “pacote” de Funaro, a pedido do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. 

Prisões causam temor

De acordo com fontes da grande mídia, o governo recebeu a notícia com perplexidade e acreditam que os planos de governo de "agenda positiva" para favorecer as suas pretensões de candidatura nas eleições de 2018 foram minados.

“A Polícia Federal prendeu o círculo mais próximo de Temer. É uma tentativa de emparedar o presidente”, considerou um auxiliar de Temer citado pelo colunista do G1, Gerson Camaroti.

O Planalto já esperava uma nova denúncia, mas não tinha certeza de como ela seria desdobrada. As prisões preventivas de aliados preocupam e paralisam o governo, que acumula uma rejeição recorde nas pesquisas.

A proposta de reforma ministerial pavimentado o caminho para a "reeleição" ficou completamente comprometida.

“A lógica do governo era cobrar fidelidade dos partidos. Só manteria ministério a legenda que apoiasse o Temer. Agora, a lógica se inverteu. O que está em jogo é a sobrevivência do Temer”, afirmou a fonte ao colunista da Globo.




Do Portal Vermelho, com informações de agências

Cuba critica expulsões de diplomatas russos

Reprodução
Cuba reprova a ação de diversos países que expulsaram os diplomatas russos e aposta no diálogo para resolver a atual crise política
Cuba reprova a ação de diversos países que expulsaram os diplomatas russos e aposta no diálogo para resolver a atual crise política


As expulsões aconteceram após alegações de que a Rússia seria responsável pelo ataque com agente nervoso que vitimou Serguei e Yulia Skripal na cidade inglesa de Salisbury.

"Cuba acredita que a cooperação deve prevalecer sobre o confronto e rejeita o uso de medidas unilaterais que solapam a estabilidade internacional", disse o Ministério das Relações Exteriores cubano.

O ministério cubano argumentou que as alegações do Reino Unido de que a Rússia desempenhou um papel no envenenamento de 4 de março de um ex-espião russo e sua filha não se basearam em uma investigação imparcial e foram contrárias ao espírito da Carta da ONU.

Desde a segunda-feira (26), pelo menos 17 países da União Europeia, além de EUA, Canadá, Albânia, Ucrânia, Noruega, Macedônia e Austrália, anunciaram a expulsão de diplomatas russos em retaliação ao suposto envolvimento de Moscou no caso Skripal.

A Rússia tem negado essas acusações e acredita que são infundadas. O Kremlin também já manifestou o desejo de participar das investigações. O pedido de Moscou de amostras da substância química utilizada para envenenar Skripal foi negado.



Fonte: Sputnik

Walter Sorrentino: Atentados buscam clima para tumultuar as eleições



Foto: Reprodução
 
 

O tumor fascista que atenta contra a democracia, instila o ódio e a intolerância. Facínoras covardes apertam os gatilhos, como os do antigo Comando de Caça aos Comunistas, ou manipulam os cordéis. E as instituições, ou melhor, aqueles que devem zelar pelas instituições e pelo Estado democrático de direito?

As respostas que se apresentaram por parte dos setores governantes deixam qualquer um pasmo. O governo Temer omisso em suas obrigações, o Congresso paralisado, o Judiciário perdido em disputas ao sabor de interesses políticos indevidos. E a Segurança Pública? Tomei conhecimento de uma declaração de integrante da PM que fazia a manutenção da ordem no evento com Lula em São Leopoldo (RS): “Vocês estão aqui hoje e amanhã já se vão. Os manifestantes (pedras e ovos) ficarão aqui e eu terei que conviver com eles o resto do tempo. Fazer o quê?” Aí reside a mais completa desordem institucional.

A maior demonstração do transformismo que é – como tenho afirmado reiteradamente – tais forças se apresentarem como “centristas” no espectro político foram declarações de Alckmin e Dória incendiando a pradaria. Foi digno dos mais indignos atestados de recusa do pacto democrático que a nação requer. O desdém deles e outros são adubos para o caos. Saudades de Mario Covas ou de Claudio Lembo, que tinham de fato a convicção democrática.

O mais importante é que esse curso das coisas integra um quadro mais largo e fundo, que é tumultuar as eleições, cevar medidas excepcionais contra sua realização. Como sempre dissemos, eleições livres não estão asseguradas! Portanto, as respostas precisam ser largas e fundas, ir muito além da polarização entre esquerda e fascistas.

A hora é grave, poucas vezes se assiste a esse estado de coisas na vida de nações grandes e complexas que vivem em ambiente democrático. Os democratas não podem assistir a isso distraidamente. Eleições livres será o antídoto mais imediato, não só em defesa da ordem constitucional como também fator de mobilização política do povo brasileiro em torno de esperanças de um novo futuro. 


*É médico, vice-presidente nacional do PCdoB. Da coordenação nacional da Frente Brasil Popular. Diretor da União Brasileira de Escritores e preside o Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois.

Cacá Araújo: O sentido da malhação de Judas

 
 


Depois de mais de 2.000 anos, o gesto de Judas Iscariotes parece ter reencontrado seu motivo original: provocar uma onda de revolta contra os opressores.

Origem pagã

O homem é um ser social e ritual. Desde o princípio dos tempos, ele ritualiza a vida em todos os seus aspectos, desde questões comunitárias e sociais, como os ritos de caça e guerreiros iniciáticos, o casamento, os funerais. Sempre teve relações com a natureza, sacralizadas pelo mistério e consolidadas pela dependência, de modo que todos os ritos que nos chegaram aos dias atuais têm seu nascedouro ancorado no mundo primitivo, especialmente nos cultos agrários. Estes, inclusive, tinham a função de obter melhores resultados nos trabalhos agrícolas. No princípio ou final das colheitas, queimava-se um boneco de palha, representando o deus da vegetação, conforme atesta o folclorista Câmara Cascudo, num ritual de profunda significação em que o fogo, “pela magia simpática, é o sol e a luz indispensáveis” ao cultivo da terra. 

A Igreja católica, romana de raiz e de tradição conquistadora, aos poucos foi se apropriando das festas pagãs, anexando-as ao seu calendário, desviando-as de seu sentido original e adaptando-as às suas conveniências doutrinárias. Desta forma, a exemplo dos festejos do ciclo junino, também a Malhação de Judas, tem sua origem na tradição pagã dos povos da Europa, Ásia e África, que festejavam as divindades protetoras da fertilidade e da colheita quando de aproximava a chegada do verão no Hemisfério Norte e que foram transportadas para o calendário católico.

Igreja toma partido

A tradição de malhar o Judas foi inteligentemente difundida pela Igreja católica como forma de divulgação ideológica e política. Ideológica porque apregoa o cristianismo católico romano como guia de orientação humana, e política por combater as prováveis razões revolucionárias que o Iscariotes teve ao se infiltrar no grupo de Jesus. O inimigo de Judas era o império romano, dominador e opressor de seu povo, não Jesus. Então, de uma extraordinária e bela festa pagã de adoração aos deuses da fertilidade, surge uma manifestação político-religiosa com a missão de incutir na alma popular a “execração ao gesto infame de Judas Iscariotes – traidor do Nazareno”, servindo como contraponto até mesmo à palavra insubmissa de Cristo em relação aos poderosos opressores de ontem e de hoje. 

Espetáculo tragicômico

No Brasil, o costume de malhar o Judas veio com os portugueses colonizadores e se propagou até o presente graças à irreverência e ao espírito ritualístico e brincante do povo brasileiro, especialmente o nordestino, que têm mais vivos e pulsantes os elementos ancestrais, as raízes que identificam a cultura nacional em sua formação mais significativa.

A malhação do Judas é, por natureza, um espetáculo que encerra características do teatro antigo, dos grandes autos populares. É uma comédia travestida dos elementos cartáticos da tragédia, conforme a teoria aristotélica, “a piedade e o terror”. Alguns podem se apiedar do sofrimento vivido por alguém que não haja merecido. Já o terror se manifesta ante a idéia de que o espectador poderia ele mesmo experimentar a calamidade da representação à qual assiste. Assim, o homem purga seus pecados através da punição de pecados de e em outrem, ainda que no simbolismo ritualístico, e se remete à condução de seus destinos, crente de haver renascido, puro, para novas provações.

No trato simplista das pessoas da comunidade, o Judas representa a personificação das forças do mal e sua malhação é o resultado da condenação tácita de gestos e procedimentos reprovados, exercidos por gente da política, da bandidagem e por membros do grupo social da circunscrição dos manifestantes. 

Ato político

Não há dados seguros de quando a politização da malhação do Judas teve início. Entretanto, indícios nos fazem crer que desde o seu surgimento, aqui no Brasil, se simula o enforcamento e a malhação de figuras impopulares, políticos e integrantes de governo. Sabe-se que quando da chegada da corte portuguesa ao Brasil, esta proibiu a realização dessa tradição quaresmal, principalmente por temer ajuntamentos populares, sempre insatisfeitos com o governo.

A palavra “traição” e o que dela se depreende têm um forte reflexo no imaginário do povo. Desse modo, Judas não mais é uma simples figura de traidor, mas significado de todo de gesto de traição ou atitude reprovada, condenando seus autores ao mesmo destino, recriado em forma de tragicomédia, numa legítima manifestação de protesto popular. 

Com graça e irreverência, longe da sisudez comum à ortodoxia conservadora da Igreja, a malhação promove a sacralização do considerado profano, abominando toda forma de traição e festejando coletivamente a palavra e os gestos de fé na felicidade possível.

Judas no Crato-CE

A incidência da tradição de malhação do Judas no Crato tem a idade e o tempero dos processos de colonização deste lado da região. São quase trezentos anos desde as primeiras investidas de domar as terras ricas e bravias do Cariri, habitat dos valorosos índios de tribo homônima, tendo como epicentro a Chapada do Araripe, universo mitológico, mágico e de abundância natural. E o Crato é a parte mais efervescente desse caldeirão cultural, onde, inclusive, aconteceram fatos marcantes da história do nosso país como a Revolução de 3 de Maio de 1817, no contexto da Confederação do Equador, e a experiência camponesa que mais incomodou a burguesia latifundiária da época, o Caldeirão do Beato Zé Lourenço, destruído em 1936.

Preservar e difundir a tradição

Precisamos reconhecer que temos história e que somos portadores de um rico manancial cultural a ser disponibilizado às novas gerações, sob pena de nos perdermos de nós mesmos, comprometendo nossa soberania em todos os aspectos. Econômicos e políticos, inclusive. 

O Estado tem a função de viabilizar os processos de fortalecimento da identidade cultural do povo, considerando cada peculiaridade regional, valorizando o saber ancestral e as novas linguagens dele originadas. A partir daí, teremos condições de dialogar em posição de igualdade com outros povos, culturas e costumes, numa espécie de banquete universal, fraterno, solidário e respeitoso, exercendo e sofrendo as naturais influências, sem agressão, preconceito ou tirania. 


*Cacá Araújo é professor, folclorista, dramaturgo e diretor da Cia. Brasileira de Teatro Brincante.


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