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quarta-feira, 1 de maio de 2019

1º de Maio: é preciso estar atento e forte

Em que contexto acontece esse 1º Maio em nosso país? Ocorre no momento do maior ataque concentrado aos direitos e às estruturas de trabalho, desde a ditadura militar.

*Por Davidson Magalhães

   
Dia 1º de maio de 1886, uma gigantesca greve de operários, nas ruas fabris de Chicago (EUA), foi brutalmente ensanguentada pelo aparato policial.

O ato reivindicava a redução de 15 para 8 horas diárias, o fim do trabalho infantil e do turno feminino à noite, por conta da jornada dupla das mulheres. Ou seja, pautas do trabalho decente, em defesa dos direitos, fatos que se repetem decorridos 133 anos.

Esse emblemático 1º de maio sinalizou à classe trabalhadora como protagonista política; pois já era força econômica integrada ao avanço industrial que permearia o século XX. No Brasil não foi diferente.

Com a industrialização e ascensão da classe operária no período de Getúlio Vargas, o Dia do Trabalhador nas décadas de 1930 e 1940 foram marcados pela promulgação de leis e benefícios. Em 1940, o salário mínimo. Em 1941, a Justiça do Trabalho. Vargas também criou o Ministério do Trabalho (26/11/1930).

As boas notícias não vêm mais no 1º de Maio. Vivemos um tempo de retrocesso. Por isso é preciso estar atento e forte no combate ao desmantelamento do sistema de proteção do trabalhador. Nem a ditadura acabou com o Ministério do Trabalho, mas o atual governo sim.

Houve a decapitação de direitos, a nefasta reforma trabalhista, a terceirização desmedida, o fim do imposto sindical e a MP 837, que impede desconto em folha. E mais: acabou o aumento real do salário mínimo, a maior política de distribuição de renda dos últimos 12 anos.

O atual governo joga gasolina no fogo. O desmonte do aparelho produtivo, a entrega do Brasil ao capital internacional, tudo isso se reflete em más notícias: o país fechou 43 mil vagas de emprego formal em março.

Além de tudo, estamos atrasados. Sequer discutimos o que fazer diante do desafio que encaram outros países: a nova configuração do mundo do trabalho, diante das inovações tecnológicas da Revolução 4.0. Infelizmente, retrocedemos ao final do século 19.

Precisamos resistir e reverter esta nefasta situação. Incrementar políticas públicas sociais, a agenda do trabalho decente, os recursos do microcrédito, a qualificação profissional. Como dizia o filósofo, “a humanidade não coloca diante de si problemas que ela não possa resolver”.

Mesmo que se lhe imponham dificuldades, nada vai abafar os direitos e a capacidade de organização do trabalhador. Foi assim ao longo do tempo. Será sempre assim enquanto houver gente em busca de justiça social, igualdade, direitos e oportunidades de uma vida mais digna, para o trabalhador e trabalhadora do Brasil.

Ato pelo Dia do Trabalhador bloqueia BR-230 em Várzea Alegre

Cerca de 150 pessoas participaram do ato; rodovia foi liberada após a manifestação 

 Integrantes de centrais sindicais e movimentos sociais bloqueiam rodovia BR-230 Isaac Macedo

Trecho da rodovia BR-230, na cidade de Várzea Alegre, na Região do Cariri, foi bloqueado no início da manhã desta quarta-feira (1º) por integrantes de centrais sindicais e movimentos sociais. A Polícia Rodoviária Federal do Ceará (PRF-CE) informou ao Sistema Verdes Mares que o ato começou por volta das 7h20 e terminou às 9h,  no km 83. Cerca de 150 pessoas participaram do ato.
O grupo queimou pneus e exibiu faixas e cartazes em alusão ao Dia do Trabalhador.
Ainda de acordo com a PRF-CE, participaram do ato membros da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores Empregados e Empregadas do Comércio e Serviço do Estado do Ceará (Fetrace) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Fonte: Diário do Nordeste

 

Abril termina com chuvas acima da média histórica para o Ceará

A Funceme observou o acumulado de 201.9mm, o que sinaliza desvio positivo 7.4%. A média para o mês é de 188 milímetros.

chuva
Em todos os primeiros quatro meses do ano, as chuvas superaram a média para o período
A exemplo do que ocorrera nos três primeiros meses do ano, abril também terminou com chuvas acima da média histórica. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) observou o equivalente a 201.9 milímetros de chuva.
O volume pluviométrico do último mês representa desvio positivo de 7.4%, ante a média histórica para o período, que é de 188 milímetros. Em janeiro, o desvio foi de 10.6%; em fevereiro, o maior desvio, com 45.4%; e março choveu 15.6% a mais da média para o período.
Somados os volumes dos últimos três meses (fevereiro, março e abril) as precipitações já atingiram a média histórica para o período da quadra chuvosa - que se inicia em fevereiro e se estende até o fim de maio.
O órgão contabilizou o acumulado de 609,6 milímetros. Caso as chuvas em maio alcançassem a média para o período, que é de 90.6 mm, o Estado ultrapassará a média histórica para a quadra chuvosa.
Contraponto
Apesar dos significativos números, as chuvas no Ceará continuam irregulares, isto é, chove bem em uma determinada região e, em outra, há volumes diminutos. Neste ano, as precipitações têm se concentrado na região Norte do Estado.
O cenário desfavorece os principais açudes cearenses. Os três maiores acumulam baixos volumes. O Castanhão, está com 5.40%; Orós, com 8.88% e o Açude Banabuiú, 7.81%.
Dos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 73 ainda estão com volume abaixo dos 30% e 20 estão no volume morto.
Seis (Faé, Madeiro, Serafim Dias, Adauto Bezerra, Salão e Favelas) estão totalmente secos. Ainda conforme dados do órgão, 32 reservatórios estão sangrando e outros seis possuem volume acima dos 90%.
Últimas 24 horas
Entre as 7 horas de terça-feira e 7 horas desta quarta (dia 1º), choveu em pelo menos 83 dos 184 municípios cearenses, conforme a Funceme. As cidades de Aracati (74 mm), Beberibe (67 mm) e Aquiraz (62 mm) tiveram os maiores volumes pluviométricos do Estado neste período.

Fonte: Diário do Nordeste

Flávio Dino diz que ministro da Educação fere regra constitucional

A decisão do ministro da Educação (MEC), Abraham Weintraub, de cortar recursos de universidades onde os espaços são ocupados com atividades políticas, o que ele chama de “balbúrdia”, é inconstitucional. 

 Flávio Dino lamentou a confusão  Flávio Dino lamentou a confusão
O alerta foi feito pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), para quem usar critérios ideológicos, e não técnicos, para cortar recursos de Universidades fere a regra constitucional da autonomia universitária (art. 207 da Constituição).

“Ou haverá novo recuo, ou nova derrota no Judiciário. Lamentável tanta confusão”, diz o governador no Twitter.

Três universidades já foram enquadradas no critério do ministro: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, disse o ministro em entrevista ao Estado de S.Paulo.

Segundo ele, universidades têm permitido que aconteçam em suas instalações eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas ao ambiente universitário.

Da redação do Portal Vermelho

Escravidão, nunca mais. Colônia, muito menos.

Os últimos indicadores econômicos divulgados às vésperas de mais um 1º de Maio indicam que a luta será árdua e feroz contra os parasitas e saqueadores de sempre.

   
Por Marco Antonio Campanella*

Querem, como dizia Getúlio em sua Carta Testamento, um dos mais contundentes libelos em defesa da Pátria e dos trabalhadores produzido em todo século 20, nos transformar em escravos: não querem que o trabalhador seja livre, não querem que o povo seja independente...

Mais de meio século depois, os mecanismos de espoliação são outros e muito mais sofisticados.
A economia real desaparece e é transportada para a tela dos computadores manipulados por rentistas de todas as matizes e gradações, em todas as partes do mundo, sedentos no lucro fácil, sem nenhum compromisso com a realidade das nações e dos povos.

O Brasil, com Temer, e, agora, com Bolsonaro, vai a reboque dessa tendência financista que esmaga a indústria nacional, sufoca o comércio competitivo e coloca o Estado como vilão de todos os males.

Afinal, como disse um eminente ministro do STF, “o brasileiro está viciado em Estado”, ora bolas.
O brasileiro está viciado em educação pública, quando deveria recorrer às escolas privadas cada vez mais monopolizadas pelo setor financeiro, principalmente forâneo.

O brasileiro está viciado em saúde pública e no SUS, quando deveria socorrer-se na rede privada crescentemente concentrada e cara, como os medicamentos básicos e essenciais.
O brasileiro está viciado em segurança pública, quando deveria buscar a defesa de sua integridade física e de sua família nas empresas privadas especializadas.

O brasileiro está viciado nas aposentadorias e pensões públicas, depois de décadas de trabalho e contribuições, quando deveria depositar suas parcas poupanças nas seguradoras privadas sustentadas pelos bancos.

Ora, a solução parece tão óbvia! Entreguemos ao “deus mercado”, cada vez mais cartelizado e oligopolizado, a solução dos problemas nacionais, como quer Guedes e os demais chicago-boys abrigados no desgoverno Bolsonaro.

A solução, ora a solução, está ao nosso alcance e parece que nós não queremos ver: basta vender o que resta da Petrobrás e da Eletrobrás, pois os leilões do Pré-Sal e de nossas usinas e outras reservas naturais ainda não foram suficientes para saciar o apetite inesgotável do mercado.
Não bastou a venda da Vale do Rio Doce na bacia das almas... Não bastou Mariana e Brumadinho... Essas tragédias que ceifaram milhares de vidas foram, para eles, insignificantes e não tem qualquer relação com as “privatizações” que acontecem desde Collor, FHC e Temer.
Não bastou a entrega da telefonia, esse mercado bilionário, às corporações estrangeiras que pouco ou nada investiram e transformaram nossos consumidores em reféns de seus serviços vertiginosamente precários com custos crescentes.

É preciso mais. Afinal, para que servem o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal destituídos de seu papel de indutor do desenvolvimento econômico e social?
Mas, voltemos aos números que enriquecem o debate nessa data histórica.

Comecemos pelo desemprego, a maior chaga social da atualidade, cujos indicadores revelados na última semana pelo IPEA mostram números alarmantes: 13% de desempregados e 25% de subempregados, ou seja, 1 em cada quatro brasileiros da população economicamente ativa encontra-se sem trabalho formal ou subsistindo na informalidade, esse fenômeno impulsionado pelo desmonte da CLT, cujos patrocinadores prometeram milhões de empregos aguardados até hoje.
O mesmo IPEA apontou em sua pesquisa mais recente o recrudescimento da desigualdade social. Se, no quarto trimestre de 2014, a renda média domiciliar do trabalho nos lares mais ricos era 27,8 vezes maior que a média recebida pelas famílias da faixa de renda muito baixa, hoje, essa renda média domiciliar dos mais ricos foi 30,3 vezes maior que nos mais pobres. Aumenta a distância entre ricos e pobres e acentua-se uma concentração brutal no topo da pirâmide, com algumas poucas famílias, menos de 100, ostentando uma riqueza superior que a maioria da população. Um escárnio!

Um dado chama a atenção: no ano passado, quase 40% dos ganhos dos domicílios vieram da informalidade e de benefícios do governo, as aposentadorias e pensões que, agora, Bolsonaro e Guedes querem entregar para serem administradas pelos bancos e seguradoras privadas com o desmonte da Previdência Pública e Social.

O quadro de desigualdades, certamente, será potencializado se a medida for aprovada, especialmente nas regiões mais pobres do Norte e Nordeste, onde a dependência com os benefícios sociais aproxima-se de 50% dos domicílios.

Todavia, a realidade dos bancos e rentistas de modo geral é bem diferente.
Levantamento baseado em dados do Banco Central e publicado pelo jornal Valor Econômico, na última semana, revela que, enquanto os brasileiros perdem emprego e renda e ficam cada vez mais empobrecidos, especialmente os trabalhadores mais pobres, e dependentes da informalidade e das formas precárias de trabalho impulsionadas desde o governo Temer com a lei das terceirizações e o desmonte da CLT (contratos intermitentes, temporários, etc.), os bancos de capital aberto, principalmente os privados, nacionais e internacionais, colecionam lucros bilionários cada vez mais estrondosos.

Itaú, Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil devem ter um lucro líquido recorrente de R$ 20,169 bilhões no primeiro trimestre de 2019, conforme projeções de analistas consultados pelo jornal. O resultado, se confirmado, será 16% superior ao obtido no mesmo período de 2018. Esses números, ainda segundo a publicação, devem refletir um desempenho ainda mais aquecido do crédito e o foco que os bancos passaram a dar nas operações com spreads mais elevados, o que significa dizer: mais encargos financeiros para os correntistas em geral, pessoas físicas e jurídicas.

Trata-se de uma brutal e igualmente inédita transferência de renda das famílias, dos trabalhadores em geral e do setor produtivo para o setor financeiro, um indicador claro do nefasto processo de financeirização da economia nacional, seguindo a tendência mundial.

Em relatório a clientes, analistas do UBS (banco suíço) não escondem a estratégia dos bancos, depois da última eleição presidencial, para saquear cada vez a economia real, priorizando as operações com pessoas físicas e pequenas empresas, especialmente nas que oferecem garantia real. Dizem eles: “Depois da eleição do presidente de centro-direita Jair Bolsonaro, a nova proposta de reforma da Previdência e os dados macro apontando para uma recuperação da economia, acreditamos que os bancos brasileiros entraram em um novo ciclo de crédito”.
O que não falta é dinheiro para a promoção desse assalto à renda das famílias e do setor produtivo. O estoque de crédito no país, que poderia representar um fator a induzir a retomada do crescimento econômico, cresceu 5,5% nos 12 meses até o fim do mês de fevereiro último, saltando para R$ 3,2 trilhões (dados do BC), sendo que as operações com pessoas físicas avançaram 9% (R% 1,8 trilhão), enquanto os empréstimos e financiamentos para pessoas jurídicas cresceram 1,4%, totalizando R$ 1,4 trilhão.

Na outra ponta, a conspirar favoravelmente ao lucro dos bancos, houve uma redução, ainda que leve, do número de inadimplentes. De acordo com o UBS, a taxa de inadimplência nos quatro bancos principais deve ficar entre 2,9%, ante 3,2% em dezembro e 3,5% em março do ano passado.

Resumo da ópera: o aumento do estoque de crédito não teve qualquer impacto no nível de emprego e de renda dos brasileiros, muito menos melhorou a situação das empresas, notadamente as pequenas e medias que continuam em crise, apenas endividou-os ainda mais, acentuando o lucro bilionário e nunca antes visto do setor financeiro (ver quadro).



Nesse cenário, não resta outra alternativa senão o fortalecimento da unidade dos movimentos sociais e sindicais, bem como de todas as forças progressistas e democráticas da sociedade, pois o que, em última instância, está sob ameaça é a própria democracia, a soberania nacional e a dignidade do povo brasileiro.

Os gestos de grandeza, coragem e heroísmo que não faltaram a gerações passadas que enfrentaram os golpes e as aves de rapina de sempre não faltarão agora, nessa hora grave!
Que o 1º de Maio represente mais um passo na luta contra a escravidão que querem impor aos nossos trabalhadores e contra a condição de colônia que pretendem novamente impingir ao nosso país!

Marco Antonio Campanella é jornalista e membro do Comitê Central do PCdoB

Beth Carvalho cantou a alegria e a dor do povo, afirma Jandira

Com mais de 50 anos de carreira, Beth Carvalho foi um dos maiores nomes da história da música brasileira. Amiga de muitas lutas, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lembrou em sua conta no Facebook que Beth era uma mulher “que falava o que pensava, com olhar generoso e afetuoso”.

   
Intérprete de clássicos do samba, como “Andanças” e “Coisinha do Pai”, a cantora e compositora Beth Carvalho morreu nesta terça-feira (30) aos 72 anos. Ela estava internada no Hospital Pró-Cardíaco desde o dia 8 de janeiro.

Em relato emocionante, Jandira conta que em um dos encontros com a Madrinha do Samba (2016), Beth e ela estavam reunidas com um grupo de jovens debatendo o rumo da crise que afastou Dilma Rousseff da presidência da República. A cantora não se afastou do campo popular e dos defensores da democracia naquele momento.

“Cantora da dor e da alegria do povo pobre de nosso país que via em seu samba uma poesia para encher o espírito. Trabalhista, Beth sempre teve lado quando o assunto era política. Entendia bem o coração de nossa gente. Mesmo doente, cantava”, acrescentou a deputada.


Foto: Bruno Bou

Madrinha do samba e dos trabalhadores

A deputada comunista lamentou a partida de Beth Carvalho. “Que tristeza sua ida, Beth. Realmente a gente nunca fica preparada. E na véspera do Dia do Trabalhador, daqueles que sempre guardarão suas letras no coração. Meu orgulho ter te conhecido, ter estado com você, ter tido homenagens suas na minha caminhada política. Descanse, querida!”



 De Brasília, Iberê Lopes

Maia corrige Bolsonaro sobre declaração de guerra na Venezuela

Diante da nova investida golpista na Venezuela, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), se apressou em defender uma intervenção no país vizinho e atropelou o texto constitucional. 

Marcos Corrêa/PR
Maia e Bolsonaro durante apresentação da reforma da Previdência, em março deste ano Maia e Bolsonaro durante apresentação da reforma da Previdência, em março deste ano
Bolsonaro havia afirmado mais cedo, em sua conta no Twitter , que "em qualquer hipótese" [o envio de tropas brasileiras] seria decisão “exclusivamente do Presidente da República”.

“É competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar uma declaração de guerra pelo Presidente da República”, rebateu Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

A rápida manifestação do presidente da República faz parte do alinhamento do atual governo brasileiro com a investida belicista de Donald Trump na América Latina. Trump não esconde estar de olho no petróleo e riquezas naturais da região.

Em resposta, Maia disse ainda que “é importante lembrar que os artigos. 49, II c/c art. 84, XIX; c/c art. 137, II da Constituição Federal precisam ser respeitados”.

O recado de que as prerrogativas do Parlamento devem ser respeitadas veio logo em seguida, corrigindo Bolsonaro. “E eles [artigos] determinam que é competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar uma declaração de guerra pelo Presidente da República”.

A competência privativa do presidente de “declarar guerra, no caso de agressão estrangeira”, tem amparo legal desde que “autorizado pelo Congresso Nacional”. O tema consta no artigo 84 da Constituição. Neste caso, não há sinalização de conflito armado entre Brasil e Venezuela.

O presidente da Câmara lembrou ainda que o presidente pode até consultar seu Conselho Nacional de Defesa, mas precisa da aprovação final do Congresso – seja para declaração de guerra ou decretação de estados de sítio ou defesa.
Da Brasília, Iberê Lopes

Estados Unidos, o império contra-ataca na Venezuela

 O império tentou mais um ataque contra a soberania da Venezuela. Assim como fizeram em Cuba, a tal Operação Liberdade, buscou usurpar parte do exército junto com mercenários do próprio país treinados pela CIA, comandados por um fantoche da oposição, para um levante seguido de uma possível investida militar a fim de derrubar do poder quem não se alinha aos seus interesses econômicos.


Por Bernardo Gomes*

Foto: Centro de Comunicação Nacional/Twitter
 Leopoldo Lopez e Juan Guaidö fazem o jogo dos Estados Unidos na Venezuela  Leopoldo Lopez e Juan Guaidö fazem o jogo dos Estados Unidos na Venezuela
A história se repete, os EUA não largam mão da política externa intervencionista, de estrangular economicamente os povos latino-americanos, de manipular as suas políticas internas, e até mesmo atentar militarmente contra os seus povos. Não conseguem enxergar que a política intervencionista só aflora ainda mais o nacionalismo e o sentimento anti-imperialista nos países. A desculpa de levar a democracia liberal, é na verdade a Doutrina Monroe, ninguém coloca a mão no meu quintal.

Após a primeira tentativa de golpe com a autoproclamação de Juan Guaidó a Presidente Interino em 23 de janeiro, a segunda tentativa golpista patrocinada pelo Departamento de Estado norte-americano fracassou. Guaidó não tinha nem o exército, nem as milícias populares, nem o povo ao seu lado, seu apoio vem da diplomacia norte-americana e de pequenos grupos possivelmente introduzidos pela própria CIA para dar caráter popular a operação.

A diplomacia brasileira que sempre preservou a política de não intervenção e de autodeterminação dos povos, que reconheceu a Revolução de Fidel Castro em Cuba, que liderou a solução diplomática para o equilíbrio e legitimidade do Governo Chávez diante da comunidade internacional, hoje é patrocinadora do golpismo e da interferência da Casa Branca em Caracas, uma posição vergonhosa para o Brasil e submissa a política imperialista. O Presidente Jair Bolsonaro quer de todo jeito algum protagonismo pela queda do Governo Maduro, mas não passa de um fantoche de Donald Trump.

Juscelino Kubitschek em encontro com Fidel Castro certa vez afirmou: “a oportunidade de conhecer, em profundidade, seu pensamento", dizendo que ele era “um idealista amargurado, que sofrera na carne as conseqüências do apoio dado pelos Estados Unidos às ditaduras na América Latina” concluindo que a acensão ao poder do líder nacionalista só foi possível devido a política intervencionista dos EUA, que financiaram ditaduras sangrentas alinhadas aos seus interesses.

O ex-presidente Lula em sua recente entrevista a Folha de São Paulo e ao El País comenta que intermediou a solução pacífica para a Venezuela de Hugo Chávez com a comunidade internacional após tentativas de golpes influenciados pela diplomacia dos EUA. Lula chegou a dizer que ligava para Bush para esse conter a interferência norte-americana nos assuntos internos de Caracas, quanto mais Bush abria a boca contra a Venezuela, mais aflorava o nacionalismo, as passeatas e a coesão do regime bolivariano.

Maduro poderá unificar mais ainda as suas bases de sustentação diante de uma intervenção militar, conta com apoio de China e da Russia, além de Cuba e Nicarágua. O Governo Bolivariano tem paradigma anti-imperialista do contrário que diz a guerra ideológica e o panfleto anti-comunista dos EUA. Enquanto o poder chavista não enxergar que a alternativa ao Maduro é a não intervenção dos yankees, eles não vão se render. Se a alternativa que se apresenta ao poder é alinhada a diplomacia e os interesses norte-americanos, terá resistência.

Se os EUA provocarem um derramamento de sangue na Venezuela poderão ascender a fagulha nacionalista em toda a América Latina, hoje é cada vez mais crescente o sentimento anti-imperialista em diversos países devido a volta da política agressiva dos EUA de controle e intervenção na AL principalmente sob o Governo Trump.

Os golpes de Estado recentes no Paraguai, Honduras, e no Brasil, os embargos econômicos criminosos contra Cuba e Nicarágua, e agora os avanços com todas as garras sobre a Venezuela deixam exposta a diplomacia norte-americana. Novo capítulo do imperialismo estadunidense sobre a América Latina, que foi nos últimos 20 anos a maior expressão de resistência ao neoliberalismo.

Uma intervenção militar aberta na Venezuela, mesmo que disfarçada de revolta popular porque é claramente financiada pelos americanos, pode desencadear um processo global de desintegração da América Latina assim como foi a primavera árabe. Tudo pela guerra do Petróleo, os EUA querem a expropriação das maiores reservas de petróleo mundias que se encontram hoje em território venezuelano.

Devido a polarização política mundial das novas potências econômicas que remontam o período da Guerra Fria, assistimos dois mundos: enquanto do lado de cá os EUA usam de intervenção, morte e expropriação do petróleo, do outro lado, sob a liderança da China, assistimos a implantação da nova rota da Seda, gerando livre comércio, desenvolvimento e integração.

Referências:
BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998, 687 p.
 Bernardo Gomes é estudante de Gestão Pública da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e membro do PCdoB

A aurora nasce intranquila na Venezuela

País é o centro da resistência a uma ofensiva brutal dos neocolonizadores da América Latina

Por Osvaldo Bertolino

   
Hoje, Primeiro de Maio, o mundo amanheceu apreensivo. O Dia Internacional dos Trabalhadores terá manifestações gigantes em todo o planeta, mas as atenções estarão voltadas para a Venezuela. No país em que se firmou a verdade política de que a América Latina não pode ser quintal dos parasitas do mundo financeiro, haverá atos a favor e contra o governo de Nicolás Maduro, democraticamente eleito.

A defesa da soberania e da democracia na Venezuela é uma causa de toda a América Latina. A região desfrutou pouco dos benefícios trazidos pelos ventos democratizantes que varreram o mundo após a Segunda Guerra Mundial. Depois dos golpes sanguinários iniciados na décda de 1950, derrotados democraticamente, veio o avanço da onda direitista, no leito da retomada das velhas teses liberais — agora chamadas de neoliberais.

Depois dos governos neoliberais de Margaret Thatcher na Inglaterra e Ronald Reagan nos Estados Unidos, essa ofensiva ganhou um tom mais belicoso com George W, Bush e sua Aérea de Livre Comércio das Américas (Alca). Com as rédeas do império nas mãos, ele passou a agir perante o mundo como um autêntico pistoleiro do Texas, um Jesse James do neoliberalismo.

Mas, em resposta à catástrofe política, moral e econômica dessa receita, a região experimentou as benesses de um ciclo democrático e progressista — do qual a Venezuela é atualmente um centro resistente —, golpeado pela nova ofensiva do regime de Washington, agora comandado por Donald Trump.

Guerra social

Sem moral para defender suas teses, o neoliberalismo apela para a guerra midiática, como sempre impondo um ponto de vista sobre democracia sem nenhuma correspondência com a prática. Esse modelo político e econômico arrebentou com a produção, fez explodir a dívida pública, pôs metade do continente no desemprego e comprometeu sua capacidade de crescer.

É importante lembrar que na Venezuela, para interromper a "revolução bolivariana", em 2002 os sequestradores do então presidente Hugo Chávez invocaram absurdos como questões de classe social e cor da pele. Não sem explicação os sucessivos candidatos a “restaurar a democracia” no país, que desaparecem na mesma velocidade com que aparecem, são representantes das altas fortunas. Um deles, o jovem empresário fascistóide Carlos Fernandez, disse: "Se o presidente (Chávez) não retificar sua atitude de guerra social, a fratura da sociedade irá crescer."

PCdoB rechaça tentativa de golpe na Venezuela

O Partido Comunista do Brasil repudiou a tentativa de golpe promovida pela oposição venezuelana. O partido considera o golpismo prejudicial à paz e a estabilidade para o povo venezuelano e a América Latina, bem como reitera a defesa da paz e da promoção do diálogo e condena a ingerência externa. O PCdoB afirma ainda que o Brasil deve manter a tradição de política externa independente em defesa da manutenção da estabilidade, do diálogo, da moderação e da construção da paz.

   
Leia a íntegra da nota:


O mundo amanheceu neste 30 de abril com mais uma tentativa de golpe de Estado contra o Governo de Nicolás Maduro da Venezuela. Desta feita, tentaram forjar a sublevação em uma base aérea (La Carlota) e atrair apoio popular para o pretenso levante. No princípio da tarde já estava desmascarado o intento, debelada a crise e desfeitas as falsas informações que circulavam para alimentar o golpismo.

Os e as comunistas brasileiros do PCdoB manifestam seu rechaço ao golpismo em todos os seus aspectos, altamente prejudiciais para a paz e a estabilidade, não só do povo venezuelano, mas de toda a América Latina. Denunciamos a imprudência e a irresponsabilidade de um grupo que ataca as forças de defesa de seu próprio país e conclama a intervenção externa contra a soberania de seu próprio povo.

Reiteramos a defesa da paz e da promoção do diálogo na resolução das divergências. A não ingerência de governos nos assuntos internos dos países vizinhos. Valorizamos iniciativas moderadoras de países como o México e o Uruguai, tal como o Mecanismo Montevideo, e rechaçamos o estímulo à violência e aos boicotes econômicos deliberados por países como aqueles que hoje compõem majoritariamente o Grupo de Lima.

O Brasil, como o maior país da América do Sul, precisa assumir um papel na manutenção da estabilidade, na promoção do diálogo, da moderação e da construção da paz na região. Lutamos para que prevaleça neste país a tradição de uma política externa não intervencionista e que não embarca em aventuras de vassalagem ao império norte-americano.

Luciana Santos – presidenta nacional do PCdoB
Walter Sorrentino – vice-presidente e secretário de Relações Internacionais do PCdoB
Daniel Almeida – líder do PCdoB na Câmara dos Deputados