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terça-feira, 3 de julho de 2018

A chave da vitória e os desafios de López Obrador

Ficou claro que uma vitória contundente, como a de Andrés Manuel López Obrador no México é a conjunção de, ao menos, três fatores: uma vinculação permanente e irredutível com as frentes de luta populares; uma interpretação profunda e dinâmica do mal-estar social e uma organização programática baseada em recorrer metro a metro o território nacional. Tudo isso articulado por uma personalidade cuja tenacidade não tem fadigas. “A terceira será da vitória” e assim foi.

Por Fernando Buen Abad*

Forbes
López Obrador teve a votação mais expressiva da história recente do país e conquistou também maioria parlamentar López Obrador teve a votação mais expressiva da história recente do país e conquistou também maioria parlamentar
A vitória do partido Morena (Movimento de Regeneração Nacional) e López Obrador é uma rebelião nas entranhas de uma estrutura democrática severamente destruída pelo corporativismo bi-partidário (PRI-PAN) e pro uma lista imensa de vícios e corruptelas que levaram à bancarrota institucional todo o aparato político. Uma rebelião assediada pela violência macabra desatada pro uma falsa guerra contra o “crime organizado” que na prática não te sido mais que a militarização “encoberta” de todo o território para colocar as riquezas nacionais a serviço das empresas transnacionais e seus cúmplices locais. Uma rebelião que enfrentou milhares de emboscadas em todos os repertórios odiosos da depauperação econômica e das guerras midático-psicológicas.

O México padece da virulência do neoliberalismo e os embates coloniais do império ianque. É um país sequestrado por gerentes – impostos pela via da fraude – para entregar recursos naturais, para oferecer mão de obra. No México até hoje ninguém garantiu ao povo a defesa do território e a defesa dos recursos naturais. Ninguém garantiu o exercício independente da justiça. Ninguém freou o crime organizado e sua metástase em toda as estruturas sociais e culturais do país.

Ninguém exerceu reitoria alguma em matéria de democracia comunicacional. Ninguém garantiu o direito à educação, o direito ao trabalho, o direito à saúde, o direito à alimentação... Ninguém assegurou dignidade às pessoas porque uma moral entreguista e rasteira, adoradora do império ianque, serve das formas mais ignominiosas à opressão. Neste contexto López Obrador vence as eleições.

Agora começa o mais difícil. López Obrador se propõe a pacificar o país; acabar com a corrupção e recompor a economia com dignificação trabalhista e salarial. Pretende incluir os mais postergados e a distribuir de forma equitativa os cargos federais. Isso implica derrotar as máfias que sequestraram o governo eo Estado para fazer justiça, por exemplo, aos estudantes de Ayotzinada, aos povos originários, e assegurar que estas ações perdurem para ampliar a participação social no governo mobilizado como organizador capaz de somar força que possa oferecer soluções à força popular que alcançou o triunfo.

Os desafios são muitos e são enormes num país que tem o tecido social profundamente desgastado, mas que, apesar dos pesares, se rebelou contra o establishment para fazer visível sua multiculturalidade e sua plurinacionalidade unidas às “classes médias” para somar a maior votação que nenhum presidente nunca tinha tido no México e que líder de esquerda algum havia conquistado.

O México enfrenta seu futuro imediato mobilizado como nunca, com as praças cheias, com as ruas tomadas, com uma mobilização magnífica que encuba ideias emancipatórias. Contra a fraude, contra o saqueio e contra a exploração históricas... é uma identidade nova, uma festa que começa de baixo, uma situação social inédita.

Bem, pode ser que o nascimento de um novo México, desta vez decidido pelo povo, com as armas de sua democracia em reparação, com uma moral renovada e muita claridade nos desafios, possa derrotar qualquer tentativa de regressão.

Por agora o México é um ponto de inflexão, um desafio à nossa capacidade de luta e unidade dentro e fora do país... Ponto de inflexão para que nos reconheçamos até a tomada do poder impulsionados com nossas próprias forças populares e os trabalhadores do campo e da cidade... para mudar o sistema e mudar a vida.

*Fernando Buen Abad é mexicano, diretor de cinema e especialista em Filosofia da Imagem, Filosofia da Comunicação, Crítica à Cultura, Estética e Semiótica

Temer tem encontro com FHC e Doria para discutir eleições

Michel Temer dedicou parte de sua agenda da semana para conversar com tucanos. Nesta terça-feira (3), marcou um almoço com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Jaburu.

Reprodução da internet
   
Na segunda-feira (2), Temer esteve com João Doria, pré-candidato ao governo de São Paulo. O encontro contou com a participação de Paulo Skaf (MDB), também na corrida para o Palácio dos Bandeirantes.

Com uma impopularidade recorde, Temer tenta negociar o único patriomônio eleitoral que tem: o tempo de TV. De acordo com a colunista do G1, Andreia Sadi, a conversa foi para ver quem renunciaria na disputa das eleições paulistas, mas não houve recuo de nenhuma das partes.


Do Portal Vermelh

Lei de estupro na Suécia, uma vitória das mulheres

Todo ato sexual sem consentimento claro passa a ser considerado estupro no país escandinavo, independente de violência ou ameaça. A lei entrou em vigor nesse domingo (1) na Suécia

   
O texto, baseado na premissa "só sim é sim", prevê que uma pessoa é culpada de estupro sempre que seu parceiro sexual não tiver expressado sua concordância com o ato praticado. Antes, um ato sexual só era considerado estupro se acompanhado de violência ou se concretizado sob ameaça, uma lei que não conferia total proteção às mulheres visto que muitas são estupradas sob efeito de bebidas álcoolicas ou são drogadas para perderem a consciência. Além disso, muitas vezes a mulher denúncia o estupro algum tempo depois do ocorrido, tendo dificuldades em provar que houve ameaça ou violência.

Com a lei, em casos de estupro, caberá aos tribunais avaliar se os envolvidos no ato sexual expressaram sua concordância por meio de palavras, gestos ou de alguma outra maneira. "Deveria ser óbvio: sexo é voluntário. Se não é voluntário, é ilegal. Se você tem alguma dúvida, então desista", disse o primeiro-ministro Stefan Lovren, ao apresentar o projeto.

Apresentada pelo governo social-democrata e verde, a lei foi adotada no fim de maio, em meio ao debate gerado pelo movimento #MeToo.

A Suécia é conhecida pelo elevado grau de igualdade entre homens e mulheres, mas, em 2017, mais de 7 mil queixas por estupro foram apresentadas, um aumento de 10% em relação ao ano anterior.

O crime é punível com seis anos de prisão, e se a vítima for menor de idade, até dez anos de cadeia.


Do Portal Vermelho, com informações do D

Judiciário nacional joga Brasil na cena mundial de precarização

Após o golpe que depôs a presidenta eleita Dilma Rousseff da presidência foi inaugurada uma fase de agressão ao direito do trabalho no Brasil. A afirmação é de Divanilton Pereira, presidente em exercício da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Por Railídia Carvalho

Jaelcio Santana
As princias centrais sindicais do Brasil lançaram em junho agenda prioritária em defesa dos direitos dos trabalhadores As princias centrais sindicais do Brasil lançaram em junho agenda prioritária em defesa dos direitos dos trabalhadores
Em entrevista ao Portal Vermelho o dirigente afirmou que a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalizou artigo da reforma trabalhista sobre a contribuição sindical fortalece a precarização do trabalho e o ataque aos sindicatos.

Na sexta-feira (29) o STF decidiu por 6 votos a 3 pela constitucionalidade de artigo da lei 13.467/2017, sancionada pelo governo de Michel Temer, e que extinguiu a obrigatoriedade da contribuição sindical. 16 ações questionavam a nova regra. Dados do Ministério do Trabalho deste ano mostram queda de 88% na arrecadação dos sindicatos após a reforma de Temer.

O recurso dá ao sindicato condições de negociar salários, melhores condições de trabalho para o segmento, estabelecer acordos coletivos com os empregadores, ampliar benefícios ao trabalhador e organizar cursos de formação, entre outras ações. Sem a obrigatoriedade, os empregadores tem se negado a recolher o benefício.


Capital contra o trabalho

Divanilton (foto) reiterou que a chegada de Temer à presidência além de enterrar um projeto político, que valorizou o trabalhador nos governos do ex-presidente Lula e Dilma Rousseff, também tinha o objetivo de acabar com o movimento sindical. Nesse contexto, as reiteradas decisões do judiciário, sejam no STF ou Tribunal Superior do Trabalho (TST), têm contribuído para a instalação no Brasil de um movimento precarização do trabalhador e do trabalho observado no mundo pós crise de 2008.

“Os objetivos programáticos do golpe de 2016 passam pela desnacionalização da economia, privatizações, agressão à soberania e a desvalorização do trabalho em seu sentido mais amplo. Quer dizer flexibilizar direitos, enfraquecer as organizações sindicais, ou seja, enquadrar os direitos e a regulação do trabalho no Brasil ao padrão internacional de precarização do trabalho. O Brasil foi tragado por esse ataque e o trabalhador vem sofrendo”, analisou o presidente da CTB.

STF validou perda de arrecadação

Na opinião do advogado trabalhista e assessor jurídico da CTB, Magnus Farkatt, o STF validou a perda de arrecadação dos sindicatos com a decisão sobre a contribuição sindical. “Se fizer um resgate em matéria do direto do trabalho nos últimos dez anos vai ver que as teses aprovadas no judiciário em geral são as mesmas sustentadas pela representação patronal”, acrescentou.

Para ele, o cenário de ataque aos sindicato pode se agravar e impactar e mais perdas de direitos para o trabalhador. Magnus (foto) citou dados da Fundação Estudos de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo que aponta queda de 24% na quantidade de acordos coletivos (entre uma empresa e um sindicato) assinados e uma queda de 44% no fechamento de negociações coletivas entre representantes dos trabalhadores e empregadores.

“Essa redução só foi possível porque as entidades sindicais estavam débeis na sua estrutura. É mais difícil organizar a luta sem estrutura material. Precisamos discutir formas de financiamento da contribuição sindical”, exemplificou o assessor da CTB. Magnus ainda ressaltou a importância da interpretação do STF para a forma como se dará a autorização para o recolhimento. Os sindicatos defendem a autorização coletiva, definida em assembleia.   

Fortalecer sindicatos

“Não basta distribuir boletim na porta da fábrica. É preciso constituir algo efetivo com as bases”, opinou Divanilton. Segundo ele, se o aperfeiçoamento da representação sindical era necessário antes do golpe, neste momento ganha centralidade.

“É preciso valorizar o debate, encontros, formação, estratégia de comunicação. Promover tudo o que for voltado para que os sindicatos se aproximem dos trabalhadores a partir dos seus locais de trabalho. O trabalhador precisa saber o que está acontecendo no cenário político e econômico. E que o sindicato é importante nesse processo de resistência e como instrumento de defesa deve ser financiado por esse trabalhador”, afirmou o dirigente.

Do Portal Vermelho

Centec e UTD certificam 288 estudantes esta semana


“Eu vim para aprender e compartilhar com o meu neto. Esse curso abriu novas fronteiras, a gente viaja e se teletransporta para outro universo”, assim definiu Carlos Ferreira, microempreendedor de 53 anos e um dos estudantes que concluiu do curso de arduíno na última quinta-feira (28), às 9h, na sede do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec). A capacitação foi promovida pelo Centec, Universidade do Trabalho Digital (UTD) e Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) e faz parte de um ciclo com 288 pessoas capacitadas em diversos cursos da área de Tecnologia da Informação. Os concludentes desta quinta-feira participaram dos cursos de arduíno, webdesign e iniciação a programação executados no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) Fortaleza.
O presidente do Centec, Silas Alencar, ressaltou a dedicação de diversos atores para proporcionar a formação destas novas turmas. “É muito gratificante ver vocês crescendo, indo adiante depois de participar dos nossos cursos. Temos muitas pessoas que trabalham para trazer essa oportunidade para vocês, como os professores, a equipe do CVT Fortaleza, a UTD e muitas outras pessoas. Então, agradecemos a dedicação de todos que deram a sua contribuição para o crescimento de vocês e desejamos muito sucesso a todos”, disse Silas.
Inácio Arruda também prestigiou a solenidade e ressaltou que, com cursos de capacitação de maior duração, os estudantes estarão cada vez mais preparados para assumir novos desafios. “Esperamos que o Centec oferte cada vez mais cursos como estes, com uma carga horária mais robusta, uma capacitação mais completa, para que vocês saiam daqui como profissionais aptos a trabalhar imediatamente na área desejada”, comemorou. A coordenadora da UTD, Jamaci Oliveira ressaltou que 16 projetos desenvolvidos pelos alunos serão apresentados na próxima Feira do Conhecimento, que acontecerá dos dia 21 a 24 de novembro, no Centro de Eventos.
Confira o depoimento de alguns dos estudantes que receberam certificado na quinta-feira (28):
“Eu trabalho produzindo diversos materiais com fibra de vidro e eu pensei em fazer um drone com esse material. O curso só aumentou a minha vontade de criar esse drone, porque abriu muito a minha mente para outros conhecimentos. São novas fronteiras, a gente viaja e se teletransporta para outro universo. Eu sou totalmente leigo em informática, mas por conta desse curso, já comecei a fazer também o curso de informática básica e quero avançar até programação. Mesmo sem saber nada de informática, eu tenho uma capacidade boa de interpretação de textos e lógica, então eu tive dificuldades no curso de arduíno, mas ele foi extremamente proveitoso, consegui aprender tudo. Inclusive, entendi coisas que eu fazia na minha oficina e não sabia porque que dava certo. Eu utilizava uma sequência de algoritmos e que eu não sabia o que era até fazer esse curso. Fazia muito tempo que eu não estudava e retomei agora, mesmo com 53 anos, e vou fazer outros.  E na verdade, o meu estimulo maior em aprender não é nem pra mim, ou pro meu negócio, mas para o meu neto. Ele tem 10 anos e ele fica admirado com essa história de drone, fica viajando na imaginação. Então, eu aprendi para passar pra ele e vamos construir o nosso drone juntos, vou passar todo o conhecimento que recebi aqui pro meu neto. Eu fico pensando que, se até um adulto como eu se apaixona por esse conhecimento, que faz a gente até deixar de lado os vícios do dia a dia, deixar de fazer besteira, imagina uma criança vendo isso na escola. É fantástico ver a sua mente se abrindo pra tudo no mundo.” Carlos Alberto Ferreira, de 53 anos, curso de arduíno.


“Achei o curso excelente, tanto que falei pros meus amigos virem participar. Minha irmã já fez cursos no CVT Fortaleza e foi ela quem me estimulou a vir.” João Victor Bezerra, 19 anos, curso de webdesign.




“Gostei muito do curso, eu já estudo ciências da computação, então vim para reforçar conceitos básicos, o que me ajuda bastante para outras coisas mais avançadas que vejo na faculdade.” Luiz Carlos, 24 anos, curso de iniciação à programação.




“O curso me incentivou a conseguir crescer mais na faculdade, eu estudo Análise e Desenvolvimento de Sistemas e eu só tinha conhecimentos básicos, que já precisavam de um reforço. Penamos muito na computação com tópicos avançados e é necessário rever o básico para conseguir um rendimento melhor.” Gilton Falcão, 30 anos, curso de iniciação a programação.


Outros cursos finalizados
Às 14h do mesmo dia (28/06), aconteceu, na sede da UTD, a entrega de certificado dos alunos dos cursos de Iniciação Digital, Jogos Digitais, Design Gráfico, Iniciação à Programação, Introdução a Banco de Dados, Rede de Computadores e Web Design.
Já na sexta-feira (29), às 8h30, foi a vez dos estudantes que participaram de duas oficinas de Jogos Digitais, realizadas em parceria com o Centro Educacional da Juventude Padre João Piamarta.  O evento acontecerá no Piamarta.
Na terça-feira (26) da mesma semana, aconteceu a cerimônia de conclusão do curso "Suporte e Manutenção de Computadores", realizada nesta terça-feira (26/6), na sede da UTD, no Centro de Fortaleza.
Todos os cursos são promovidos pelo Instituto Centec e Universidade do Trabalho Digital (UTD), com o apoio do Governo do Ceará, através da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece). As formações são todas gratuitas na área de TIC, em níveis básico e avançado.
Veja mais fotos no flickr do Centec.
Fonte: Cente

Reforma trabalhista retirou proteção laboral e previdenciária

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados promoveu nesta terça-feira (3) um seminário sobre os impactos da nova legislação trabalhista (Lei 13.467/17) no Brasil.

Por Ruth de Souza

reprodução
Clemente Ganz, do Dieese: "A nova legislação deu segurança jurídica para empresas fazerem isso sem sindicatos pra fiscalizar". Clemente Ganz, do Dieese: "A nova legislação deu segurança jurídica para empresas fazerem isso sem sindicatos pra fiscalizar".
Entre os convidados estão a pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho - CESIT/UNICAMP, Marilane Teixeira, o representante da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Marcos V. Chiliatto, e o diretor técnico do DIEESE, Clemente Ganz Lúcio.   

"Os três temas usados pelo governo como marketing de divulgação da reforma - crescimento econômico, estabilidade jurídica na análise dos processos e crescimento de emprego - não aconteceram", disse o deputado Bohn Gass (PT-RS), um dos autores do requerimento para realização do evento.

Com quase oito meses de vigência da reforma, o que se observa é a frustração de todas as expectativas. De janeiro até maio deste ano, a informalidade (empregos sem registro) e a terceirização cresceram assustadoramente no país. Por outro lado, os postos de trabalho ofertados caracterizam-se por empregos precários e de baixa remuneração.

Desde a implantação da nova lei, que instituiu o negociado sobre o legislado, mais de 67 mil trabalhadores foram demitidos por acordo mútuo, sem homologação dos sindicatos, impedindo assim, a vigilância dessas organizações em relação a natureza das demissões . As novas regras acabaram com a obrigatoriedade de sindicatos ou o Ministério do Trabalho homologarem as rescisões de contrato de trabalho com mais de um ano.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) ainda apontam mais de 11 mil contratos de trabalho por tempo parcial e mais de 20 mil contratos de trabalho intermitente, o que ampliou o grau de vunerabilidade e insegurança entre a classe trabalhadora. De janeiro a maio deste ano os salários dos trabalhadores admitidos são inferiores a média os salários dos desligados.

Além disso, os empregos que estão sendo gerados no Brasil, mesmo os formais, com carteira assinada, são de baixo rendimento salarial, o que, segundo Marilane Teixeira, pode estar associado com esse tipo de contratação.

"A reforma trabalhista não foi capaz de estimular o processo de formalização do grande contingente de trabalhadores que se encontrava na informalidade desde o final de 2017. Os empregos gerados são predominantemente informais e as formas de contratação atípicas, que se concentram nos empregos mais precários e com baixa remuneração. A instabilidade e a insegurança causadas pela ausência de uma renda estável estimula, obviamente, a contenção no mercado de consumo, já preprimido pelo elevado desemprego", disse a pesquisadora.

Para ela, a mudança na lei, ao contrário do que se prometeu, deixou "o mercado de trabalho reprimido, com a capacidade de consumo reprimida, num conjunto de variáveis macroeconômicas bastante adversas, tornando maior a dificuldade de recuperação da atividade econômica".

Impactos na Previdência Social

De acordo Marcos Chiliatto, a mudança na legislação trabalhista diminuiu também a capacidade de o trabalhador pagar a Previdência Social.

"Toda reforma que reduz a formalidade e institui o trabalho intermitente impede o trabalhador de contribuir com a Previdência. No trabalho intermitente, o rendimento será variável e até inferior ao salário mínimo, ocasionando risco ao trabalhador de não conseguir contribuir todos os meses".

Para Chiliatto, o risco de o trabalhador (a) não conseguir se aposentar por tempo de contribuição no Brasil é cada vez maior, após a reforma.

Enfraquecimento dos sindicatos

Durante a sua exposição, Clemente Ganz Lúcio disse que a reforma trabalhista impactou negativamente todo o sistema de relações do Trabalho e os sindicatos foram duramente penalizados.

"Foram quase três centenas de alteração [na CLT] sem medir impactos".

Ganz Lúcio disse que a reforma quebrou o movimento sindical, deixando os trabalhadores sem proteção laboral e previdenciária.

"Direitos foram perdidos ou flexibilizados. A nova legislação deu segurança jurídica para empresas fazerem isso sem sindicatos pra fiscalizar".



Portal CTB

Chico Lopes critica cobranças de bagagens aéreas e marcação de assento

A decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional, de apresentar nova ação judicial questionando a cobrança extra de bagagens aéreas no Brasil, confirma que essa cobrança representa um grande desrespeito ao consumidor e precisa ser proibida. A avaliação é do deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE), integrante da Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara Federal, que desde a aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para a cobrança vem questionando a medida.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
"As agências foram criadas pra defender o consumidor ou as empresas? O consumidor. Mas na prática é o contrário". "As agências foram criadas pra defender o consumidor ou as empresas? O consumidor. Mas na prática é o contrário".
"Após a cobrança de bagagens, que transformou as pessoas nas salas de embarque em verdadeiros cabides de malas e bolsas para evitar despachar, o preço das passagens só aumentou, ao contrário do que prometeram as empresas aéreas, para ludibriar a ANAC e a sociedade”, aponta Chico Lopes, destacando estudo do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas, que aponta elevação dos preços das passagens

“Além disso, as empresas, agora que já tiveram algum tempo depois de impor essa taxa, subiram enormemente o valor. A Azul passou essa taxa de bagagem extra de R$ 30,00 para R$ 60,00. E a Gol passou de R$ 60,00 para R$ 100,00. Quem é que no Brasil teve reajuste salarial desse porte?”, questiona Chico Lopes. “É um gol contra o passageiro, que pagando desse jeito vai sair do azul e ficar no vermelho”, aponta.

"As agências foram criadas pra defender o consumidor ou as empresas? O consumidor. Mas na prática é o contrário", enfatizou. "Parece que a agência reguladora atua é para criar problema para o consumidor, em vez de resolver", acrescenta Chico Lopes, que lançou uma campanha contra a cobrança, para ampliar o debate e a conscientização popular quanto ao tema.

Pagando pela bagagem e até para marcar cadeira

“Esperamos que a Justiça acolha o mais breve possível a ação movida pela OAB e que essa cobrança extra de bagagem seja proibida o quanto antes. É um absurdo o consumidor, que já paga uma passagem extremamente cara, além de taxa de embarque, também ter de pagar taxa extra de bagagem e agora até taxa pelo simples ato de marcar seu assento no avião”, enfatiza o deputado integrante da Comissão de Defesa do Consumidor.
 
Fonte: Assessoria do deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE)

Secitece: Ciência no Parque atrai centenas de visitantes

Uma manhã de domingo para se respirar ar puro e muita Ciência! Assim foi a primeira edição do Ciência no Parque, que levou ao Parque do Cocó, “pulmão” de Fortaleza, diversas atrações que misturaram diversão e conhecimento científico.

Atividade marcou as comemorações pelo Dia Nacional da Ciência. Segunda edição está prevista para acontecer em agosto. Atividade marcou as comemorações pelo Dia Nacional da Ciência. Segunda edição está prevista para acontecer em agosto.
A atividade abriu a temporada de férias na cidade e serviu para celebrar o Dia Nacional da Ciência, iniciando também as comemorações pelo Brasil dos 70 anos da Sociedade Brasileira do Progresso da Ciência (SPBC). A realização foi do Governo do Ceará, através da Secitece, com apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). Centec e Comissão do Centenário do Eclipse de Sobral também integraram as instituições promotoras do evento.

Famílias inteiras puderam conferir de perto de que modo a Ciência está no nosso cotidiano. Quem esteve no local, aprovou a iniciativa, como as irmãs Graziele e Gabriele, de 9 e 10 anos, que ficaram encantadas com os experimentos e com o fato de poderem brincar com robôs. “É legal porque a gente vê a Ciência acontecendo de perto!”, disseram elas, que estavam acompanhadas pela mãe, Jaqueline Rodrigues.

Para Erivaldo e o filho, Kauan, foi uma surpresa ver o evento no Parque do Cocó. Eles sempre passeiam pelo local no domingo, mas não esperavam ver uma feira de ciências em meio à natureza. “Estávamos passando e vimos a movimentação. Achamos super interessante tudo que foi mostrado!”.

Uma das atrações que chamaram a atenção foi o projeto "Robótica e Arte Sustentável", da Escola de Ensino Fundamental e Médio Dom Helder Câmara, do bairro Quintino Cunha. A iniciativa consiste na construção de robôs e obras artísticas a partir do que viraria lixo.

"A nossa escola vira um ponto de reciclagem e todo o material recebido é triado. O que pode ser usado para a criação dos protótipos é separado e o restante do material é vendido. O recurso apurado é usado para financiar o projeto", explica André Cardoso, professor do laboratório de Ciências. Os visitantes do Ciência no Parque puderam brincar com os robôs produzidos pelos alunos.

Experimentos científicos, planetário, jogos digitais, teatro científico, passeio fotográfico, ônibus laboratório, astronomia, palestras e muitas outras atividades científicas e tecnológicas estiveram abertas para públicos de todas as idades gratuitamente no Parque do Cocó.

A atividade contou ainda com uma palestra sobre o mais famoso eclipse da história, exposição do Museu do Mangue, interação com o robô “NAO” do Nutec, oficina de compostagem, mostra de projetos inovadores desenvolvidos com recursos da Funcap, exposição de jogos científicos da Seara da Ciência e apresentação de robôs de inspeção subaquática do ITIC.

A ideia da Secitece com o Ciência no Parque foi despertar a curiosidade científica de forma leve e descontraída, ao ar livre, unindo conhecimento, recreação, esportes e lazer.

Vai ter segunda edição

Durante a abertura do evento, a secretária da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Nágyla Drumond, já adiantou que o "Ciência no Parque" terá nova edição e em novo local. A previsão é para agosto, no Parque Adahil Barreto. "Produzimos muito conhecimento e nada mais justo que apresentarmos isso ao povo cearense".

Nágyla reforçou ainda que iniciativas de popularização da Ciência como esta deverão aumentar, confirmando o empenho do governo estadual em dar mais atenção ao setor de CT&I. "É preciso defender a Ciência, a Tecnologia e as nossas universidades públicas. O Ceará está indo na contramão do Brasil, ao não realizar cortes nos recursos para o setor. Pelo contrário, estamos mais fortes e investindo cada vez mais", finalizou.


Fonte: Assessoria da Secitece

PCdoB-CE debate projeto eleitoral e define tarefas

Reunidos no último sábado (30), em Fortaleza, os membros do Comitê Estadual do PCdoB-CE atualizaram o cenário político nacional e internacional, debateram o projeto eleitoral para as disputas deste ano e definiram tarefas prioritárias até a realização das sessões municipais e da Convenção Estadual do Partido.

   
Na reta final da pré-campanha, são inúmeras as tarefas a serem conduzidas pelos membros da direção estadual do PCdoB no Ceará. Com convenção marcada para o dia 4 de agosto deste ano, fortalecer as pré-candidaturas e as ações nos municípios torna-se tarefa primordial.

Internacional

Em sua intervenção, o presidente estadual do PCdoB-CE, Luis Carlos Paes, fez uma atualização dos cenários nacional e internacional. Segundo ele, permanece a crise do capitalismo, o imperialismo continua “mostrando seus dentes” e as contradições se acentuam. Ele cita a Cúpula do G7, realizada no Canadá, com grupo rachado, enquanto na Ásia, com a realização da Cooperação de Xangai, China, Rússia, Índia e Paquistão entre outros, demonstravam muita união.

Na América Latina, Paes destaca mais um desgaste norte-americano com a tolerância zero de Donald Trump, separando filhos de pais imigrantes. “Esta foi uma decisão de grande repercussão mundial, ainda não resolvida. Imaginem se acontecesse em Cuba, por exemplo, o que sofreria o país com tamanha crueldade”, projeta.

O dirigente do PCdoB comentou sobre a recente eleição na Colômbia, com vitória da direita, mas com disputa acirrada no segundo turno com candidato da esquerda; o crescimento da resistência popular na Argentina e a anunciada vitória da esquerda, neste domingo (01/07), no México, o segundo maior país da América Latina. “Estes acontecimentos trazem um novo alento para a retomada do pensamento progressista na Região”, considera.

Brasil em pauta

No Brasil, a proximidade com as eleições reforça a grande dificuldade que o país ainda sofre pós-golpe. “Apesar do que defendiam os golpistas, quando afirmavam que o Brasil voltaria a ter confiança do mercado e retomaria o desenvolvimento, o que vemos é o contrário. Em pouco tempo, os golpistas implementaram uma agenda retrógrada, dentre elas a aprovação da reforma trabalhista; o teto de gastos pelos próximos 20 anos; a mudanças na exploração do pré-sal, beneficiando as petroleiras estrangeiras; o fim da contribuição sindical, dentre tantas outras. Todas estas ações dificultam a resistência dos trabalhadores brasileiros e transformam o país numa nova colônia. Só um setor continua bem , o financeiro, onde bancos alcançam lucros estratosféricos”, critica Paes.

Sob o viés da política, o presidente do PCdoB-CE afirma que os candidatos de partidos que apoiaram o golpe continuam em dificuldade. “Geraldo Alckmin (PSDB) não alcança os dois dígitos e Henrique Meirelles (MDB) não atinge 1% nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República”, observa. Pelo campo da esquerda, Paes considera que só um nome unificaria parcela importante de ideias e eleitores: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Preso, Lula só deverá ser solto depois da eleição. Até agora, o campo democrático ainda não conseguiu formar um bloco unificado em torno de uma candidatura única. O mais provável é que tenhamos confirmadas as candidaturas de Manuela D’Ávila (PCdoB), Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSol) e algum nome dentro do PT. Esta situação, de alianças e debates, deverá se prolongar até as convenções dos partidos. O ideal seria as forças de esquerda já partirem unidas desde o primeiro turno”, pondera.

No Ceará, o dirigente comunista reforça o projeto eleitoral estadual do PCdoB: apoiar as pré-candidaturas de Manuela D’Ávila à Presidência da República, a reeleição de Camilo Santana (PT) governador, a recondução de Chico Lopes à Câmara Federal e a eleição de Inácio Arruda deputado federal. “Este talvez seja nosso principal desafio. Ampliar a bancada de deputados federais e superar a cláusula de barreiras”. Além disso, o dirigente ratifica a necessidade de eleger pelo menos três deputados estaduais do PCdoB para a Assembleia Legislativa.

“Pela nossa visão, a preço de hoje, a sucessão se encaminha favorável à permanência de Camilo Santana como governador, já que sua candidatura não tem adversários e praticamente segue sem oposição. É ampla sua frente de apoio e, o que ainda segue pendente, é a disputa ao Senado”, avalia.

Visando orientar, unir e mobilizar o coletivo partidário com o objetivo de alcançar o êxito do projeto eleitoral os dirigentes estaduais aprovaram uma resolução onde o PCdoB-CE ratifica a importância das próximas eleições e convoca todos os que fazem parte da legenda a se dedicar a esta tarefa. “É deste êxito que depende a nossa existência parlamentar”, ratifica.

Mais tarefas

A secretária estadual de Organização, Teresinha Braga Monte reforçou a importância da “Campanha dos 100 Dias”. Lançado em abril, o movimento se dá através de todos os organismos partidários (direções estaduais, comitês municipais e bases) até a data da Convenção Estadual, que acontecerá em Fortaleza no dia 4 de agosto. “Nosso chamamento é geral para que a gente reforce as nossas pré-candidaturas”.

Teresinha também falou sobre a reunião da Comissão Política do Partido, que antecederá a Convenção Estadual. A dirigente apresentou ainda uma proposta de regimento que trata sobre a convenção, apresentando o projeto eleitoral estadual, com uma proposta de ampliar o período de realização das sessões municipais e garantir uma maior participação de delegados. “Para isso precisamos da participação e do envolvimento de todos os membros do Comitê Estadual. Nossa meta é realizar encontros em pelo menos 100 municípios cearenses”, projeta.

Durante a reunião também foi debatida e aprovada uma proposta de Regimento Interno da Convenção Eleitoral Estadual e foram eleitos os quatro delegados do Ceará à Convenção Eleitoral Nacional que ocorrerá em Brasília no dia primeiro de agosto.




De Fortaleza,
Carolina Campo

Herança a ser deixada por Temer é um desastre nacional

Após dois anos de governo, Temer já antecipa a herança que ficará para a próxima administração federal a ser iniciada em janeiro de 2019: o empobrecimento do setor produtivo nacional. A situação não se encontra ainda mais grave devido à política econômica anteriormente conduzida pelos governos liderados pelo PT, como uma espécie de “colchão de proteção” protagonizado pelas reservas externas em mais de 370 bilhões de dólares.

Por Marcio Pochmann*, na Rede Brasil Atual

  
Sem isso o Brasil estaria caminhando pela “hora da morte”, conforme atualmente ocorre na economia da Argentina. Depois de mais de dois anos do governo Macri apostando no receituário neoliberal, cujo corte nos gastos públicos elevou a taxa de pobreza a mais de um quarto da população, trouxe de volta a fuga de dólares, a inflação e o desespero de ter que recorrer ao FMI, sobrando maior desânimo à sustentação do crescimento econômico.

O Brasil também enfrenta problemas equivalentes, cujos resultados não são tão dramáticos em função de o Banco Central poder dispor de amplas reservas internacionais para ofertar moeda estadunidense em quantidade mais do que suficiente para evitar corrida intensa contra o real. Mas isso não alivia, contudo, a problemática do setor produtivo, após a divulgação pelo IBGE da Pesquisa Industrial Anual (PIA) referente ao ano de 2016.

Diante da investigação de 3,4 mil produtos das empresas industriais com 30 ou mais pessoas ocupadas, constata-se que o sistema produtivo brasileiro teve como principal receita de vendas, o óleo diesel, os óleos brutos de petróleo, o álcool etílico desnaturado para fins carburantes e as carnes frescas ou refrigeradas. Na dimensão das grandes regiões, percebe-se que no Nordeste prevalece o óleo diesel como sendo o principal produto industrial vendido, enquanto a região Norte destaca-se com as vendas da produção de minério de ferro.

Para as regiões Centro Oeste e Sul, a carne foi a principal receita obtida entre as vendas de toda a produção industrial. As carnes de bovinos frescas ou refrigeradas destacaram-se na região Centro Oeste, ao passo que no Sul, os mais importantes produtos industriais vendidos foram as carnes e miudezas de aves congeladas.

O empobrecimento das cadeias industriais é visível, resultando da aplicação contínua de uma política neoliberal que levou à recessão e segue se mostrando incapaz de fazer com que o Brasil volte a crescer de forma sustentada. Somente no ano de 2016, por exemplo, os principais produtos industriais que decaíram de importância foram a massa de concreto para construção civil, os computadores pessoais portáteis, os caminhões e os medicamentos.

Em síntese, a indústria nacional se empobrece cada vez mais ao se especializar em produtos com menor valor agregado, fortemente associado a recursos naturais disponíveis e ao custo rebaixado da força de trabalho. Com isso, o mercado interno esvazia o seu potencial de expansão, sendo cada vez mais atendido pela importação de produtos com maior valor agregado e elevado conteúdo tecnológico.

O avanço acelerado do processo de desindustrialização no Brasil resulta de erros de várias políticas governamentais, mas fundamentalmente do neoliberalismo que parte do conceito de que o setor produtivo depende espontaneamente de sua própria capacidade de competir no mundo onde as medidas de proteção nacional são cada vez maiores. O desastre nacional se acentua, já antecipado como principal herança do governo Temer ao próximo governo a ser eleito em outubro vindouro. 

*Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.