UNMP/ Divulgação
Militantes da UNMP fazem caminhada na avenida Paulista, em São Paulo / UNMP/ Divulgação
Manifestações também repudiam planos de privatização dos bancos públicos. É aguardada uma reunião com o relator da lei orçamentária de 2018. A União Nacional por Moradia ocupou Ministério das Cidades, em Brasília e a Secretaria Geral da Presidência, em São Paulo.
Movimentos sociais de luta por
moradia popular ocuparam nesta quarta-feira (8) as ruas de várias
capitais para denunciar o desmonte das políticas habitacionais promovido
pelo governo Temer. Os atos também repudiaram os planos de privatização
dos bancos públicos – principais responsáveis pela gestão de recursos
para contratações do Minha Casa, Minha Vida.
"O Minha Casa Minha Vida está na UTI, essa é a verdade", diz Marcos da
Silva, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de Recife, e que
integra a luta da UNMP.
As políticas em questão são destinadas à população com renda de até R$
1.800 mensais e, de acordo com a UNMP, elas deveriam ter sido efetivadas
em junho de 2017.
Militantes pelo movimento à moradia realizaram manifestações em São
Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Campinas, João Pessoa, Belo Horizonte e
em duas cidades de Pernambuco: Recife e Cabo de Santo Agostinho.
O governo golpista anunciou a contratação de 70 mil unidades
habitacionais para este ano, sendo 35 mil destinadas ao programa
Entidades e outras 35 mil que seriam entregues ao programa Minha Casa
Minha Vida Rural. No entanto, de acordo com os movimentos, além de
desconsiderar os contratos para este ano, Temer diminuiu drasticamente o
orçamento dedicado à habitação para 2018.
Marcos da Silva, afirma que até o momento, nenhuma casa foi construída
pelo governo Temer: "A gente está engrossando a fileira de âmbito
nacional para protestar contra esse descaso com o programa Minha Casa
Minha Vida, onde o governo retirou 80% do orçamento. Tudo está parado.
Então a gente está vivendo um momento tenso".
Integrantes da UNMP e dos demais movimentos de moradia em Recife fizeram
ato em frente à Prefeitura da cidade. Segundo Silva, a tensão foi muito
grande durante todo o dia: Aqui na frente da Prefeitura tem polícia que
daria para dar segurança para 10 mil pessoas. Nós estamos em mil
pessoas. É uma situação muito delicada que a gente está passando aqui".
Em Brasília, os manifestantes ocuparam o Ministério das Cidades. Eles
reivindicam que o ministro Bruno Araújo receba uma comissão dos
movimentos de moradia para dialogar sobre os contratos que não foram
cumpridos.
Segundo Evaniza Rodrigues, da coordenação nacional da UNMP, é urgente que os contratos sejam aprovados:
"Estamos fazendo essa mobilização, reivindicando o orçamento para 2017 e
2018. Nós estamos aguardando essa publicação e que tenha recursos para
contratar o empreendimento. Desde maio do ano passado nada é contratado
nas faixas mais baixas de renda".
Já em São Paulo, manifestantes ocuparam a Secretaria Geral da Presidência.
Para Cintia Almeida Fidelis, militante da UNMP, é importante denunciar a
retirada de direitos promovida pelo governo golpista de Michel Temer.
“Hoje nós estamos na rua, mais uma vez, denunciando o governo golpista e
denunciando também o corte total da pasta de moradia digna, destinado
ao programa Minha Casa Minha Vida Entidades, que os movimentos atuam e
executam. É mais uma vez ir para às ruas denunciar esse governo,
denunciar a retirada de direitos como um todo, todas as políticas”, diz
Cintia.
Em carta aberta, os Movimentos e Entidades Urbanas, Central de
Movimentos Populares – CMP, a Confederação Nacional das Associações
deMoradores – CONAM, o Movimento de Bairros Vilas e Favelas – MLB, o
Movimento Nacional de Luta Pela Moradia – MNLM, o Movimento Nacional de
Luta Por Direitos – MTD e a União Nacional por Moradia Popular – UNMP,
filiadas ao Fórum Nacional de Reforma Urbana, defenderam que estão nas
ruas para denunciar, no marco da agenda golpista, a insensibilidade
deste governo com as políticas habitacionais.
"No mês de Outubro de 2017, diversos movimentos do campo da cidade
realizaram uma série de mobilizações para denunciar o desmonte das
políticas urbanas e rurais, em especial, no que diz respeito ao
orçamento zero que havia sido apresentado para o programa Minha Casa,
Minha Vida, que na prática acabam ao programa! Em relação ao orçamento
de 2018, houve um pequeno recuo do governo, porém, não suficientes para
garantia do programa MCMV e dos projetos de moradia popular em
andamento", diz a carta.
Bandeira do movimento por moradia, Conam, durante o ato.
Em nota, o Ministério das Cidades afirmou que o valor destinado ao
Programa Minha Casa, Minha Vida para 2018 só será definido com a
aprovação do Orçamento Geral da União pelo Congresso Nacional. Ainda de
acordo com a pasta, o governo pretende destinar R$ 5,23 bilhões ao
programa no próximo ano.
Questionado sobre a situação do programa neste ano, o governo não respondeu às perguntas da reportagem.
Fonte: Brasil de Fato
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