Foto: Felipe Neiva
Manuela D`Ávila foi anunciada como pré-candidata do PCdoB à presidência da República
Por Haroldo Lima*
O ano eleitoral de 2018 começa em
poucas semanas e a disposição dos candidatos para a disputa presidencial
que lá ocorrerá já está adiantada. Lula, o candidato mais apoiado pelo
povo, permanece arbitrariamente ameaçado de condenação e até de prisão.
Outros candidatos, ainda indecisos, experimentam representar o “centro”,
“costeando o alambrado” da “direita”, como diria Brizola. Alguns tentam
fingir que não são políticos. Ciro Gomes faz consistente discurso à
“esquerda”. E há o que reluz na “extrema-direita”, flertando com o
fascismo.
As coisas estavam mais ou menos assim, quando, de repente, surge uma
novidade: uma jovem mulher, Manuela D’Avila, esbelta, talentosa, mãe, já
experimentada nas pelejas da vida e da luta, ex-vereadora, ex-deputada
federal por duas vezes, atual deputada estadual pelo Rio Grande do Sul,
campeã de votos mais de uma vez por seu estado, é lançada pré-candidata à
presidência da República. E ontem, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, deu sua primeira entrevista coletiva à imprensa.
Foi uma entrevista excelente. Manuela mostrou, em poucos minutos, porque
é tão admirada pelos que a conhecem: segura e firme, sem ser arrogante;
simpática, sem ser pueril; jovem, sem ser infantil; com convicções, mas
sem ser dona da verdade.
Salientou que sua candidatura não decorre de problemas eventualmente
vividos por outros partidos ou forças políticas, mas surge dos desafios
candentes colocados à frente do povo brasileiro no atual instante.
Decorre da responsabilidade de seu partido, o Partido Comunista do
Brasil, procurar saídas verdadeiras para a grave crise que nos assola. E
ele, o seu PC do B, é o único partido quase centenário no país.
Na espontaneidade de suas prontas respostas, Manu, como é carinhosamente
chamada, mostrou ter consciência do drama vivido pela nossa gente nessa
quadra difícil da vida nacional. Chamou a atenção para o desemprego que
aflige mais de 13 milhões de brasileiros e para a insegurança e o
trauma da população que vê cerca de 60 mil assassinatos por ano.
Condenou as posições absurdas que o atual governo tem tomado, como a de
congelar investimentos públicos por 20 anos, ameaçando o futuro de
nossos compatriotas. Advertiu ser necessário convocar um referendo
revogatório para banir medidas tão perniciosas como esta e outras do
atual governo.
A emergência da candidatura de Manuela no cenário político brasileiro é algo novo que aparece.
Novo porque renova as gerações que há tanto tempo ocupam os postos de comando.
Novo porque afasta o ódio em que se quer mergulhar a política e as relações humanas entre nós.
Novo porque retoma e desenvolve a tolerância com as diferenças, sem contemporizar com as desigualdades que oprimem e excluem.
Novo porque é uma mulher, uma jovem, uma mãe.
Novo, enfim, porque conclama as forças vivas do país a se unirem em uma
Frente Ampla que busque saídas efetivas, soberanas e democráticas,
capazes de nos livrar da voracidade do capital especulador, de banir os
corruptos, de impor respeito aos ditames constitucionais, contra os que
querem acabar com os direitos dos cidadãos e os que desejam permanecer
impunes na prática solerte de abusos da autoridade.
Manuela D’Avila reconheceu problemas suplementares que terá, por ser
mulher e mãe. Observou que toda mulher em sua situação “enfrenta
dificuldade para conciliar a maternidade com o trabalho”, mas que isso a
iguala ao conjunto das trabalhadoras de nosso Brasil. Esclareceu que o
seu partido, o PC do B, é um partido “que tem muitas mulheres com papel
destacado”, apontando, na hora, a presidenta do Partido, Luciana
Santos, mulher, negra, duas vezes prefeita de Olinda; a Líder atual da
bancada na Câmara Federal Alice Portugal, nordestina da Bahia; a Líder
no Senado Vanessa Graziotin, do grande estado nortista, o Amazonas.
Que todos os patriotas, democratas, gente simples, honesta e
trabalhadora, particularmente as mulheres e os jovens, abracem essa
oportunidade e tomem iniciativas para levantar no país uma grande onda
com Manu à frente, pela derrota do golpismo, pelo respeito aos direitos
dos trabalhadores, pela reindustrialização do país e pela
recuperação nacional.
*Haroldo Lima é membro da Comissão Política Nacional do comitê Central do Partido Comunista do Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário