Do seis candidatos ao Governo do Estado, apenas Camilo Santana (PT) e General Theophilo já receberam doações. Imagem: DivulgaCandContas
Com as campanhas em andamento desde o dia 16 de agosto, candidatos a cargos majoritários no Ceará contabilizam as primeiras doações oficiais registradas no sistema DivulgaCandContas, gerido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Dois candidatos ao Governo do Estado e três ao Senado Federal somam, juntos, R$ 2,2 milhões, segundo dados coletados na noite dessa segunda-feira (27).
O governador Camilo Santana (PT), candidato à reeleição, possui apenas uma doação no valor de R$ 100 mil. Ela foi feita pelo empresário Beto Studart. O presidente da Federação da Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) doou a mesma quantia ao candidato ao Senado, Cid Gomes (PDT). O ex-governador recebeu também o valor de R$ 500 mil do primeiro suplente, Prisco Bezerra, irmão do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Assim, com R$ 600 mil, Cid Gomes é o candidato com conta de campanha mais volumosa até agora nas eleições no Ceará.
Na página do outro candidato ao Senado da coligação, Eunício Oliveira, que busca a reeleição, “não há prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral”, segundo informa o próprio sistema.
PSDB e PROS
A chapa concorrente formada pelas siglas PSDB e PROS, sozinha, soma R$ 1,5 milhão. O candidato ao Palácio da Abolição, General Theophilo (PSDB), recebeu R$ 500 mil do Diretório Nacional do partido. É a única arrecadação presente no DivulgaCandContas. O PSDB Nacional também doou R$ 500 mil para a candidata ao Senado, Mayra Pinheiro (PSDB).
O empresário Luís Eduardo Girão (PROS), segundo postulante a senador, por enquanto, não teve contribuição da direção nacional do partido. A única doação foi feita por ele mesmo, no valor de R$ 500 mil. A tendência é que novos valores entrem nas contas de campanha nos próximos dias. Mesmo nas páginas dos candidatos com dinheiro “em caixa”, não há gastos oficiais registrados.
Os demais concorrentes ao Governo e ao Senado, a exemplo de Eunício, não tiveram nenhuma movimentação nas contas, são eles: Ailton Lopes (PSOL), Francisco Gonzaga (PSTU), Hélio Góis (PSL) e Mikaelton Carantino (PCO) ao Governo; e Anna Karina (PSOL), Pastor Simões (PSOL), Geraldo Magela (PSTU), Alexandre Barroso (PCO), Pastor Pedro Ribeiro (PSL), Robert Burns (PTC), Dr. Márcio Pinheiro (PSL), João Saraiva (Rede) e José Alberto Pinto Bardawil (Pode) ao Senado.
Limite de Gastos
Para cada senador, o limite de gastos previsto pela Justiça Eleitoral é de R$ 3,5 milhões. Para governador, é de R$ 9,1 milhões no primeiro turno e de R$ 4 milhões e 550 mil no segundo turno.
Em visita ao estaleiro Aliança, em Niterói (RJ), nesta terça-feira (28), Fernando Haddad afirmou que o desmonte promovido pelo governo ilegítimo de Temer e do PSDB na indústria naval brasileira é responsável por milhares de desempregados no setor e pode significar o fim dos estaleiros no país. “Uma comunidade inteira desempregada por causa de uma lei, que dispensa o componente nacional e acabou exportando os empregos para a Ásia. Lá estão sendo feitos navios e plataformas. É devastador.”
Foto: Divulgação
Porta-voz de Lula e candidato a vice em sua chapa, Fernando Haddad esteve com trabalhadores da indústria naval
A crise instalada na indústria naval se deve à mudança na legislação que diminuiu a porcentagem de conteúdo nacional obrigatório na indústria petrolífera, aliada à mudança na tributação que baixou alíquotas de importação e facilitou que navios e plataformas sejam comprados no exterior. Desde a descoberta do pré-sal, a porcentagem mínima de conteúdo nacional era de 65% na primeira fase e de 70% na segunda etapa do programa.
Na prática, isso significava que, a cada R$ 100 aportados na construção de um navio, R$ 65 tinham que ser gastos, obrigatoriamente, no Brasil. Temer baixou para 40% e agora quer diminuir para 20% esse percentual, segundo Haddad. “Se continuar essa política, será o fim dos estaleiros. Até 2020, não haverá um emprego em estaleiro no país.”
Haddad ressaltou a importância do marco legal da Petrobras. “Com a Petrobras, você centraliza as encomendas e cria indústria. Ou terceiriza e os empregos vão pra fora. É toda uma estrutura de mercado que estamos perdendo. Não é só um estaleiro”, disse.
O candidato a vice lembrou que o Brasil tinha uma das maiores indústrias navais do mundo graças aos investimentos dos governos do PT, incluindo a descoberta do pré-sal. O país poderia estar hoje exportando navio e plataforma. “Mas não. Deram o golpe na Dilma, para deixar empresas estrangeiras explorar nossa riqueza sem dar satisfação. Desmontaram um paraíso de empregos, oportunidades e educação.”
O ex-ministro da Educação de Lula disse que a maior revolução que o povo pode fazer é apertar na urna o número certo. “No dia 7 de outubro, o povo tem um candidato testado e aprovado, um time testado e aprovado, para retomar o país para o povo. Então, é Márcia Tiburi, 13 é Lula 13. Vamos ganhar para retomar o Brasil. Nós já governamos, sabemos como faz. Lula tem 50 anos de estrada. Reviraram a vida dele e não acharam nada. Armaram pro cara não ser candidato. Se a gente batalhar, a gente ganhar a eleição, o Lula sobe a rampa do planalto e o Brasil ser feliz de novo.”
Na visita tambem estavam presentes a candidata do PT ao governo do Rio, Márcia Tiburi, as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB) e Benedita da Silva (PT) e o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá. Márcia Tiburi afirmou também que na época de Lula o país tinha emprego e desenvolvimento econômico para todas as classes. “Essa comparação, as pessoas estão fazendo. Agora, não tem mais salário e não tem emprego.”
Mais quatro homens foram apresentados na denúncia, por atuação na maior matança da história do Estado
14 pessoas foram executadas no episódio que ficou conhecido como
'Chacina das Cajazeiras', em 27 de janeiro deste ano, no 'Forró do
Gago' e nos seus arredores. A matança foi organizada e executada pela
facção GDE
( Foto: Thiago Gadelha )
01:00
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28.08.2018
por Cadu Freitas - Repórter
A 2ª Promotoria de Justiça Auxiliar das Promotorias de Justiça da
Comarca de Fortaleza, do Ministério Público do Ceará (MPCE), pediu à
Justiça - em denúncia apresentada no último dia 21 de agosto - até 732
anos de pena para os acusados de participação na morte de 14 pessoas no
episódio que ficou conhecido como 'Chacina das Cajazeiras' - ocorrida em
27 de janeiro deste ano, no 'Forró do Gago' e nos seus arredores.
A matança foi organizada e executada por integrantes da facção
criminosa Guardiões do Estado (GDE), em razão da disputa territorial
pelo tráfico de drogas nas Cajazeiras, região dominada pelo grupo rival
Comando Vermelho (CV), de acordo com o Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP).
Os 15 denunciados pela chacina em questão deverão responder, a seu
modo, pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio
qualificado, incêndio, uso de gás tóxico ou asfixiante tentado, fraude
processual e organização criminosa.
Inclusões
Além dos 13 suspeitos indiciados pela Polícia Civil por participação na
Chacina, ao avaliar o processo criminal, o Ministério Público denunciou
mais quatro homens pela maior matança já registrada no Estado:
Francisco de Assis Fernandes da Silva, o 'Barrinha'; Ednardo dos Santos
Lima, o 'Aço'; João Paulo Félix Nogueira, o 'Paulim das Caixas'; e
Victor Matos de Freitas.
'Barrinha', de acordo com o MPCE, é uma das maiores lideranças da GDE
no Estado e teria concordado "com a realização da Chacina" de dentro do
presídio no qual se encontrava (o Instituto Professor Olavo Oliveira II -
IPPOO II). Em 2014, ele era considerado o principal criminoso
especializado em explosões e roubos a instituições financeiras, quando
figurava como o número um dentre os Mais Procurados pela Polícia no
Estado. 'Barrinha' foi preso em junho daquele ano pelo ataque a uma
agência bancária no Município de Milhã, em 2012.
Condenado a nove anos e seis meses de pena, o denunciado recebeu alvará
de soltura no dia 7 de agosto deste ano após cumprir um terço da pena,
em razão de ser réu primário; embora tenha sido preso outras três vezes.
Com o benefício, 'Barrinha' era obrigado a comparecer mensalmente ao
Juízo e não se ausentar da Capital por mais de oito dias, por exemplo.
Outros pedidos
'Paulim das Caixas', por sua vez, foi apontado pelo órgão denunciante
como um dos conselheiros da GDE e líder do tráfico de drogas no Conjunto
Habitacional Cidade Jardim, no bairro José Walter. Assim como
'Barrinha', ele teria concordado "com a efetivação da Chacina". O
denunciado foi preso dois dias após a matança, depois de sair do
sepultamento de outro suposto líder da facção. 'Paulim das Caixas' tem
passagens por disparo, posse e porte de arma de fogo, roubo e homicídio.
Com ele, foi preso também Victor Matos de Freitas, apontado por uma
testemunha protegida pela Justiça como um dos participantes da Chacina. O
denunciado, porém, em depoimento, negou participação na matança e
"disse que soube do fato por volta de 11h da manhã através de sua mãe".
Além da denúncia, o Ministério Público pediu a prisão preventiva dos
quatro acusados pelo crime. De todos os 17 suspeitos denunciados pelo
MPCE, apenas 'Barrinha' está solto; Ayalla Duarte Cavalcante, o 'Zói',
cumpre pena alternativa. A defesa de Auricélio Sousa Freitas, o 'Celim',
preferiu não se manifestar; a advogada de Deijair Souza da Silva, o 'De
Deus', disse que se manifestará nos autos.
O MPCE solicitou ainda a apuração e localização de outros 17 suspeitos
de atuarem direta ou indiretamente nos homicídios, bem como o envio da
perícia de cinco vítimas da chacina. Por fim, o órgão requereu
indenização de 20 salários mínimos, por danos morais, às famílias das
vítimas da matança.
Denunciados
1. Deijair de Souza Silva, o 'De Deus';
2. Noé de Paula Moreira, o 'Gripe Suína';
3. Misael de Paula Moreira, o 'Afeganistão';
4. Francisco de Assis Fernandes da Silva, o 'Barrinha';
5. Auricélio Sousa Freitas, o 'Celim da Babilônia';
6. Zaqueu Oliveira da Silva, o 'H2O';
7. Ednardo dos Santos Lima, o 'Aço';
8. João Paulo Félix Nogueira, o 'Paulim das Caixas';
9. Rennan Gabriel da Silva, o 'Biel';
10. Fernando Alves de Santana, o 'Baiano' ou 'Robin Hood';
11. Francisco Kelson Ferreira do Nascimento, o 'Susto' ou '9MM';
O material ressalta um dos principais objetivos da campanha do pedetista: impulsionar a recuperação econômica destravando a via do consumo das famílias
08:33 · 28.08.2018 / atualizado às 08:41 por Estadão Conteúdo
A ideia, segundo o material de governo de Ciro Gomes, é baixar a dívida em até 70% ( Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, divulgou no final da noite desta segunda-feira (27), o manual do programa 'Nome Limpo', que pretende estimular a renegociação de dívidas de pessoas físicas. A cartilha, disponível no site da campanha, foi 'dada' horas antes de presente ao apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, durante a sabatina do pedetista. Depois, o pedetista repetiu o gesto com os jornalistas presentes na entrevista realizada pelo Jornal das 10, da GloboNews.
A cartilha tem doze páginas e mostra em sete passos os objetivos do programa e as propostas do candidato. Boa parte do conteúdo já havia sido apresentada por Ciro em sabatinas, entrevistas, debates e atividades de campanha. O material ressalta um dos principais objetivos da campanha do pedetista: impulsionar a recuperação econômica destravando a via do consumo das famílias.
O manual reitera que o beneficiário do programa é aquele cujo nome foi incluído em birôs de crédito, como SPC e Serasa, até 20 de julho, data em que Ciro apresentou a proposta pela primeira vez.
A ideia, segundo o material de governo, é baixar a dívida em até 70%. De acordo com a campanha de Ciro, a dívida média vai cair de R$ 4,2 mil para R$ 1,4 mil, valor que poderá ser parcelado via bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil) ou outras instituições financeiras que aderirem ao projeto.
O texto explicita qual o papel do governo no programa. "O Governo tem a capacidade de organizar uma negociação coletiva, em nome de milhões de pessoas, o que facilita a negociação e torna mais rápida a solução do problema", diz o material, que explica também que a dívida poderá ser parcelada, e não quitada à vista como ocorre na maioria dos feirões de renegociação dos programas de proteção ao crédito.
O manual ressalta ainda que o Programa 'Nome Limpo' vai organizar os devedores em grupos de cinco a dez pessoas, que se responsabilizam umas pelas outras. O governo não arcaria, portanto, com a inadimplência, se ela vier a ocorrer. "É o sistema de Aval Solidário. Se uma pessoa do grupo não pagar a sua prestação, os outros membros se responsabilizam pelo pagamento", diz o texto, exaltando a experiência do Crediamigo, do Banco do Nordeste.
Polêmica
Na entrevista, ao ser questionado da viabilidade da proposta, Ciro entregou a Bonner a cartilha e repetiu que "vai tirar 63 milhões de pessoas do SPC".
Segundo o Ibope e o Datafolha de Minas, se as eleições fossem hoje Lula teria por volta de 54 milhões de votos, o que seria a maior votação já registrada em primeiro turno para presidente da República desde a redemocratização do país.
Ricardo Stuckert
Não é apenas o Nordeste que garante a liderança folgada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano. O detalhamento da primeira rodada do Ibope pelo país mostra que Lula vence seus oponentes em todas as regiões e em 23 dos 27 estados, sendo quatro deles em situação de empate técnico com o segundo colocado. Para Minas Gerais, o levantamento usou os números do Datafolha, já que o Ibope ainda não divulgou pesquisa para o estado.
A eleição que mais se aproxima desse número é a de 2010, quando Dilma Rousseff (PT) obteve 47 milhões de votos no primeiro turno. Depois vem o próprio Lula, concorrendo à reeleição em 2006, com 46 milhões. Em 2002, Lula teve 39 milhões. Em 1994 e 1998, FHC obteve 34 e 35 milhões respectivamente. E em 1989, Fernando Collor terminou o primeiro turno na liderança com 20 milhões de votos.
Por regiões, os números também impressionam. No Nordeste, segundo o Ibope, Lula vence em todos os estados e teria hoje 22 milhões de votos – o equivalente a quase 58% dos votos totais da região. No Sudeste, Lula vence nos quatro estados, alcançando hoje 19 milhões de votos.
No Sul, são mais 5,5 milhões, com Lula vencendo em dois dos três estados (Rio Grande do Sul e Paraná). No Norte, outros 5 milhões, com liderança em quatro dos sete estados (Pará, Amazonas, Tocantins e Amapá). E no Centro-Oeste Lula teria hoje 3 milhões de votos, com vitória em três das quatro unidades (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul).
"O golpe promovido pelos capitalistas paulistas e afiançado pelo Poder Judiciário trouxe para as ruas o antigo e perigoso ódio de classes, o estopim das mudanças radicais que aconteceram em todas as sociedades. Mais uma vez a classe média, ou a velha e perdulária pequena burguesia, é o canal de propagação desse ódio”.
Por Fernando Costa*
As eleições presidenciais deste ano prometem expor nas ruas o que muitos acreditavam estar morto e sepultado: a boa e velha disputa entre direita e esquerda. Só a direita achava, ou queria distorcer a História, que ela não existia mais e que a esquerda estava morta.
O golpe promovido pelos capitalistas paulistas e afiançado pelo Poder Judiciário trouxe para as ruas o antigo e perigoso ódio de classes, o estopim das mudanças radicais que aconteceram em todas as sociedades. Mais uma vez a classe média, ou a velha e perdulária pequena burguesia, é o canal de propagação desse ódio.
No último domingo, presenciei na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, um ensaio do que está por vir.
Cena 1: Um pequeno grupo do partido Novo fez uma manifestação apoiando seu candidato a presidente, os transeuntes simplesmente ignoraram, o que deve ter provocado o comentário de uma bela e bem vestida militante do partido Novo, que dizia para um companheiro: "Ou nós implantamos um capitalismo de verdade no Brasil ou vamos perder para o socialismo".
Cena 2: Eis que surge no canto esquerdo da praça uma onda vermelha, um grupo de 300 pessoas cantando e gritando palavras de ordem: "Lula livre, Lula presidente".
Cena 3: O chão da praça tremeu e senhoras pacatas e senhores respeitáveis que passeavam entre antiguidades e quinquilharias foram tomados por um transe e começaram a babar e urrar com um ódio visceral. Por um ou três instantes, parecia que ia acontecer um enfrentamento, mas como ali só estavam representantes da pequena burguesia, ficou por isso mesmo, só os insultos de sempre. Mas o prenúncio do que está por acontecer, quando as massas estiverem nas ruas, está desenhado.
A classe média que apoiou o golpe certamente não estará nas ruas na hora do conflito, mas seus filhos estarão tentando remediar o erro que seus pais cometeram e que um dia eles, em sua grande maioria, voltarão a cometer, porque assim cavalga a pequena burguesia.
*Fernando Costa é sociólogo e publicitário.
Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
O investimento em educação por aluno quase triplicou em termos reais entre 2000 e 2014, derrubando o mito de que não houve avanço em investimento público no Brasil. Cresceu mais na educação básica, tanto na infantil, quanto na fundamental e no ensino médio.
Por Róber Iturriet Avila*, no Brasil Debate
Arquivo/Agência Brasil
Dentre as inúmeras divergências entre os grupos “de direita” e “de esquerda”, a necessidade de investir mais em educação parece uma convergência, a despeito das distintas concepções quanto ao método.
Nesta eleição presidencial, algumas candidaturas têm defendido a cobrança de mensalidades nas universidades públicas. Há também críticas à expansão ocorrida no ensino superior nos anos recentes. Notadamente, os representantes da área econômica de Marina Silva, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin defenderam na série de entrevistas da GloboNews a cobrança de mensalidades.
Um dos argumentos utilizados é que no Brasil o gasto com ensino superior é maior do que com o ensino básico. A urgência em melhorar a formação dos nossos jovens é inequívoca, e há pouco dissenso sobre a necessidade de melhorar nossa educação básica. Entretanto, precisamos tirar conclusões com olhar acurado sobre os dados.
De acordo com os dados do censo escolar de 2017, o Brasil conta com 144.150 escolas públicas, sendo a maior parte da rede municipal. O Estado brasileiro financia 39,7 milhões de alunos no ensino básico das escolas públicas. Já os estudantes do ensino superior público chegam a 1,99 milhão em 298 instituições públicas (federais, estaduais, municipais).
O Estado no Brasil é composto por 5.570 municípios, 26 estados, 1 distrito federal e a União. Nessa medida, para termos referência do gasto no ensino público, temos que levar em conta todos os níveis de governo, haja vista que esse serviço é de responsabilidade dos três níveis.
Embora o pacto federativo ainda não esteja plenamente ajustado e haja sobreposição, em princípio, as competências seriam as seguintes: os municípios com ensino fundamental, os estados com ensino médio e a união com o ensino superior. Entretanto, a União repassa recursos para os estados e municípios, já os estados repartem recursos com os municípios para a área de educação.
Assim, o orçamento do Ministério da Educação é uma informação parcial sobre o gasto com educação no Brasil e não deve ser utilizada para conclusões sobre o total do gasto, já que a União foca seu gasto no ensino superior.
Ao se observar a tabela 1, verifica-se que o investimento em educação cresceu no Brasil nos últimos anos, em especial no Ensino Médio. Verifica-se também que o gasto com ensino superior chegou a 1,2% do PIB em 2014, ao passo que o gasto com ensino básico é de 4,9% do PIB. Então, claramente, o poder público no Brasil gasta muito mais no ensino básico, o que não foge da lógica, haja vista que temos quase 40 milhões de alunos no ensino básico, ao passo que no superior somam quase 2 milhões.
A tabela 2 demonstra que o investimento em educação por aluno quase triplicou em termos reais entre 2000 e 2014, derrubando o mito de que não houve avanço em investimento público no Brasil. Mais do que isso, o investimento cresceu mais na educação básica, com o triplo de recursos por aluno, tanto na educação infantil, quanto na fundamental e no ensino médio. Já no ensino superior, os valores são relativamente constantes, embora o custo por aluno seja bem maior. Isso não foge da lógica, uma vez que no ensino superior boa parte da mão de obra tem mestrado e/ou doutorado, além da pesquisa e da extensão, com qualidade reconhecida.
Não é possível discordar de que precisamos melhorar a qualidade do ensino brasileiro, em todos os níveis. Impõe-se também a ponderação de que os resultados do investimento em educação vêm a médio e longo prazo. Não podemos, de outro lado, tirar conclusões apressadas sobre os gastos em educação sem antes observar minimamente o que tem ocorrido nos últimos anos. É falsa a argumentação de que o Brasil gasta mais no ensino superior e também é falsa a afirmação de que não houve crescimento no investimento em educação básica no Brasil. É imperativo o rigor analítico para definir políticas públicas tão relevantes e, por certo, os profissionais que estudam a área com maior especialidade do que este autor podem contribuir mais com a discussão.
Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira – INEP. Censo Escolar 2017 – notas estatísticas. Brasília, jan. 2018, disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2018/notas_estatisticas_Censo_Escolar_2017.pdf Acesso em : 26 ago. 2018.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Indicadores Financeiros Educacionais. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/indicadores-financeiros-educacionais . Acesso em 26 ago. 2018.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Sinopse Estatística da Educação Superior 2016. Brasília, ago. 2018. Disponível em: . Acesso em: 26 ago. 2018.
"Infelizmente fascistas não vivem em catacumbas, cavernas ou porões. Estão nas ruas, nas famílias, nas igrejas, nos governos, nos parlamentos disputando mentes, corações e consciências à luz do dia, de forma escancarada, despudorada. Por isso é que precisamos exaltar as qualidades e conquistas do nosso campo. Por isso que devemos encurralar fascistas e dialogar com o povo. Serve aos embates eleitorais e serve ao permanente enfrentamento para a reconstrução do Brasil”.
Por Nagyla Drumond*
Ilustração: Laerte
Vou direto ao ponto: fascista é bicho perigoso e precisa ser enfrentado. Mesmo que façamos piadas e memes de toda espécie (e acho que precisamos, sim, “mangar” e escrachar) não esqueçamos que é preciso estratégia e tática pra eliminá-los politicamente.
Para isso, dentre outras questões, é preciso que sejam nominados devidamente! Sim, eles precisam deixar de ser vistos como "doidos" ou, meramente, imbecis. Há doidos que também são fascistas. Há imbecis que também são fascistas. Mas, fascistas são tão perigosos que em seus discursos totalitários, messiânicos e cheios de verdades absolutas e de frases de efeito, mais parecem delirar em imbecilidades retumbantes.
Quando estão com um microfone ou megafone nas mãos, quando estão num debate, numa tribuna, num palanque e/ou na frente de uma câmera de TV, exalam o enxofre de suas entranhas neoliberais com o objetivo de destruir tudo que não lhes “for espelho”. O fascista planeja, age, executa e monitora. Há métodos claros, mesmo quando se apresentam de forma atabalhoada.
No Fascismo do Século XXI não se enxerga fascista fora de um campo específico de ideias: neoliberais, privatistas, lesa-pátria. Conservadores, mas, nem sempre fundamentalistas. Mais misóginos e homofóbicos do que "meramente machistas". Terraplanistas, anti-vacinas, xenófobos? Nem todos. Há contradições e essas valem, sempre, ser exploradas.
Não deliram. Tripudiam, tramam e executam os planos sórdidos de seus muitos patrocinadores. Sim, eles têm patrocinadores, nada imbecis por sinal. Já tem gente do campo popular escrevendo sobre o assunto de forma muito mais profunda do que faço agora. São desavergonhados, de falso *glamour*. Déspotas de exércitos de "gentes" desesperadas desesperançadas, desorientadas, muitas vezes perdidas e consumidas pelo o quê de pior a nossa sociedade produziu.
Gente como o trabalhador do "Ponto da Moda", na esquina da Guilherme Rocha com Barão do Rio Branco, no centro de Fortaleza que, ao me ver fazendo campanha, disse que votaria em Bolsonaro para presidente. Não resistiu a três simples argumentos. Emudeceu. Amofinou. Espero que pensando, um pouco que seja, pois me pareceu muito mais despedaçado do que fascista. Não o vejo como inimigo, nem tampouco digno de pena.
Nem todo mundo que declara voto a fascista é fascista. Nem todo desinformado é fascista. Presa mais fácil, talvez.
Infelizmente, os fascistas não vivem em catacumbas, cavernas ou porões. Estão nas ruas, nas famílias, nas igrejas, nos governos, nos parlamentos disputando mentes e corações. Disputando consciências à luz do dia, de forma escancarada, despudorada.
Por isso é que precisamos exaltar as qualidades e conquistas do nosso campo. Por isso que devemos encurralar fascistas e dialogar com o povo. Serve aos embates eleitorais e serve ao permanente enfrentamento para a reconstrução do Brasil.
*Nagyla Drumond é socióloga, professora e doutoranda em sociologia.
Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
Pesquisa Exata contratada pelo Jornal Pequeno revela que o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), é o favorito entre os maranhenses na disputa presidencial, com 47% das intenções de votos.
Reprodução
Pesquisa mostra que Fernando Haddad é preferido dos maranhenses se Lula não puder concorrer
Haddad é candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até o trâmite final da homologação da candidatura de Lula na Justiça Eleitoral. Caso a candidatura do ex-presidente seja impugnada, Haddad assume em seu lugar e a deputada estadual gaúcha Manuela D'Ávila (PCdoB), será a candidata a vice.
Segundo o Exata/JP, para o eleitorado maranhense o candidato apoiado por Lula, Fernando Haddad, venceria as eleições no primeiro turno com uma diferença de 30 pontos percentuais em relação ao segundo colocado, Jair Bolsonaro (PSL), preferido para 17% dos entrevistados.
Em seguida, aparecem os candidatos Marina Silva (Rede), com 8%; Ciro Gomes (PDT), com 6% e Geraldo Alckmin (PSDB), com 2%. Álvaro Dias (Podemos), Vera Lúcia (PSTU) e Henrique Meirelles (MDB) figuram no estudo com 1% cada um. Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram. Brancos e nulos somaram 13% e 4% disseram não saber ou não responderam.
O percentual de transferência de votos de Lula para Fernando Haddad mostra na pesquisa Exata está alinhado com o cenário registrado pelo Datafolha na última pesquisa. Nela, Lula aparece com 39% de intenções de voto, e 31% dos eleitores dizem que votam com certeza em quem Lula indicar. 31% é nada menos que 79% dos eleitores que declaram voto em Lula.
Lula candidato
O Instituto Exata projetou ainda cenário onde Lula é candidato. Se as eleições fossem hoje e a candidatura de Lula seja deferida, o petista venceria a disputa também no primeiro turno com 67% das intenções de votos, mais de 50 pontos à frente de Jair Bolsonaro, que nesse panorama somou 15%.
Logo atrás aparece Marina Silva, com 4% e Ciro Gomes, com 3%. Álvaro Dias, Geraldo Alckmin e Cabo Daciolo figuram com 1% cada. João Amoêdo, Henrique Meirelles, Vera Lúcia, Eymael, Guilherme Boulos e João Goulart Filho não pontuaram nesse contexto.
Registrada no TSE sob o número MA-07422/2018, a pesquisa Exata/JP ouviu a opinião de eleitores de todo o Maranhão entre os dias 19 e 23 de agosto. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos e o intervalo de confiança é de 95%.
No Bom dia 247 deste domingo, 26, o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247, destacou o alto poder de transferência de votos de Lula para Fernando Haddad.
Parte da agenda de campanha, os encontros com trabalhadores em portas de fábrica às 5 da manhã trazem de volta uma parte de Ana Bock guardada em meio às lembranças da militância em partido clandestino e mais tarde pelo recém-criado Partido dos Trabalhadores.
Por Cida de Oliveira
Lucas Duarte de Souza/RBA
Professora de Psicologia e Psicologia da Educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e presidenta do Conselho Federal de Psicologia por três gestões, a vice na chapa de Luiz Marinho na disputa pelo governo do Estado de São Paulo não tem dúvidas de que o projeto neoliberal está falido.
“O projeto neoliberal vem se perdendo. Ninguém mais acredita nele. Nem a juventude”, afirma Ana. Para ela, cabeças conservadoras, como as defensoras de ideologias como a da Escola sem Partido são, acima de tudo, desonestas.
“Escola sem Partido é uma escola sem vida, sem sociedade. Seria mais honesto chamar de Escola sem Vida, sem o cotidiano, que afasta as crianças e os jovens daquilo que acontece na sua vida. E eles chamaram de sem partido porque há até uma coincidência: os professores mais amados são aqueles com posições progressistas, e muitas vezes com partido, muitas vezes com Lula. É essa ponte que não querem. A escola sem partido é a escola sem Lula”.
Nesta semana, Ana Bock recebeu a reportagem da RBA. Na conversa, educação, juventude, trabalho, drogas, saúde e inclusão social, inclusive na perspectiva política do programa de governo de seu partido na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Confira os principais trechos da entrevista:
Como a educação é vista por uma chapa formada por um metalúrgico e uma acadêmica?
Como algo muito importante. Para as pessoas mais pobres, que se esforçam para manter seus filhos na escola – como é o caso do Lula e do Luiz Marinho – a educação é muito valorizada. Do mesmo modo, para estudiosos da educação, como eu. Então, nós temos em comum esse grande valor atribuído à educação, que não pode, porém, ser entendida como única salvadora de uma sociedade tão desigual. Quando as pessoas melhoram sua condição de vida, melhora a educação, a frequência do filho na escola.
Mas quando piora, muitas famílias precisam retirar seus filhos da escola para ajudar na renda. A gente sabe de muitas crianças que deixam de estudar. Dia desses vi uma criança aqui no bairro vendendo salgado que a mãe faz. Mas se a educação sozinha não resolve, sem ela não se resolve nada. Daí a necessidade de investir mais na educação e mudar essa escola carrancuda, com prédio feio, com cara de prisão por causa da vulnerabilidade, que acredita na educação pelo rigor, pela braveza.
E há um avanço do pensamento conservador na escola, aquele mesmo que puniu, que fez ajoelhar no milho, que bateu com a palmatória, que botou no escuro para amedrontar, e que acha que sem cara feia não se aprende.
O Metrô é o transporte público com menor taxa de depredação, porque as pessoas se sentem respeitadas quando têm as estações bonitas, limpas, bem cuidadas. Mas as escolas estão quebradas, mal cuidadas, um desrespeito ao aluno e ao professor. Por isso é preciso ampliar o investimento, dar melhores condições aos professores, que para compor o salário precisam trabalhar em tantas escolas. E ainda por cima estão à mercê desse pensamento conservador, que tem de ensinar só Português e Matemática, e que o resto é tudo complemento. Isso vai esvaziando a escola de temáticas interessantes.
Como melhorar?
Há escolas que proibiram as crianças de levar álbum de figurinhas, quando o professor poderia acolher e fazer com eles um trabalho conjunto com outros professores de outras disciplinas, por exemplo. As crianças têm o sentimento de que tudo que elas têm é proibido na escola. Toda a cultura dela tem de ficar do lado de fora. E tem de entrar com uma mochila com coisas das quais não gostam. Não é que o que é ensinado não pode ser ensinado. Mas o professor tem de ter conforto e qualidade para ensinar de maneira mais gostosa.
É preciso que a escola seja menos carrancuda. O que dá certo na escola é música, concurso de poesia, de rap, de dança, de jogo. Muitas pessoas dizem: “ah, mas essas crianças não querem saber de nada, só de dançar, jogar futebol”. Mas elas querem isso na escola, gostam disso. Nesse sentido, os CEUs são uma coisa potente. E queremos que esse tipo de conceito colocado em prática por Luiza Erundina, Paulo Freire, Mário Sergio Cortella, por Marta, volte. Nós queremos a volta dessa felicidade que nós pudemos curtir por um tempo, embora ainda não estivéssemos no melhor estágio. Ainda tinha muita falha, muito erro, muita falta, mas não podemos pensar que não conseguimos fazer. Foi feito em muitos estados e cidades desse país.
Temos de retomar projetos de Fernando Haddad, projetos que deram certo e aperfeiçoar, e adaptar ao interior de São Paulo, à capital. Porque outra coisa importante é ter uma educação que respeite as diferenças no estado. Não pode ter uma escola igual em São Paulo e na zona rural, onde estamos sujeitos a tempo de colheita, por exemplo, e os alunos trabalham a roça com suas famílias. As escolas têm de ter autonomia e serem coordenadas por uma política mais ampla. Tem de haver um acordo nacional, com base nas regras nacionais. E São Paulo tem potencial para desenvolver diferentes projetos em diferentes cidades e locais, que tornem a escola atrativa. Marinho tem defendido uma escola mais atrativa. Nosso esforço é para contar com sugestões, experiências já realizadas na perspectiva de tornar a escola atrativa, qualificada e para todos.
Em 2015 alunos defenderam suas escolas de Alckmin, que queria fechá-las. O que fazer para que se tornem de fato, protagonistas das políticas?
Temos de estimular projetos culturais, esportivos, a organização em grêmios estudantis. O problema é que ninguém quer a organização dos estudantes. Não é fácil conviver com o vigor e a ousadia da juventude. Nós, adultos, não temos dúvidas disso, que não é fácil. Mas não é porque não é fácil que a gente tem de cercear. Temos de ver onde a gente segura e onde a gente solta. A escola precisa ter grêmio que polariza, que organiza atividades culturais, esportivas. Eu tenho certeza que essa meninada quer uma escola, mas uma escola diferente daquela que tem hoje.
O que passa pela cabeça dos que querem uma escola sem partido?
É a ideia de fortalecer um grupo social que vinha perdendo poder em termos de persuasão, de convencimento. O projeto neoliberal vem se perdendo. Ninguém acredita mais nele, nem a juventude. É fácil perceber isso: os professores mais queridos pelos alunos são aqueles que se identificam mais com eles, que gostam de fazer coisas parecidas, que têm posições progressistas. E muitas vezes com partido, muitas vezes com Lula. É uma ponte que os conservadores não querem.
A escola sem partido é a escola sem vida, em que não se discute futebol, sexualidade, namoro, homofobia, preconceito racial e nada que está posto para a juventude, o que ela gosta, sobre o que conversa na hora do intervalo, quando sai. Mas tudo isso está fora. Nela não se discute o programa, o filme que os estudantes assistiram no cinema. Como assim, uma escola não acolhe o cinema, não acolhe a música? E o professor que eles gostam é aquele que traz essas questões. O que entra na classe para dar aula de física e pergunta: gente, vocês viram o que aconteceu ontem? Vamos analisar isso aqui juntos e aproveita para usar como um exemplo.
Seria mais honesto chamar de escola sem vida, sem cotidiano, sem sociedade, que afasta as crianças e os jovens daquilo que acontece na vida deles, uma escola com o partido deles, uma escola sem Lula. É uma disputa política de um determinado projeto político de cidadania e de sociedade, que vai levar o jovem vai discutir suas questões em outros espaços, fora da escola, na internet.
Como têm de ser as políticas para os jovens, sempre na mira da polícia?
A polícia não pode ser um agente do estado que mata a população, sobretudo o jovem pobre; a polícia não tem essa função. Antes de mais nada é preciso entender o jovem. Quando ele diz que quer ser o chefe do tráfico, o dono da boca, é porque vê nessas figuras um reconhecimento da sociedade. As pessoas podem temê-las, mas a reconhecem. Nas periferias se busca o reconhecimento, a dignidade, o fim da humilhação. Muitos empregos oferecidos para os jovens como solução para sua condição de vida, para que se afastem das drogas, são empregos que, infelizmente, impõem humilhação muito maior do que teriam se trabalhassem no tráfico.
É o caso do menino que fica carimbando, fazendo trabalho repetitivo, mecânico, que não exige criatividade, como se fosse um robozinho, entregando correspondência em uma empresa, onde não tem acesso a muita coisa, onde as pessoas nem olham para ele, como se fosse um fantasma, invisível, ou onde as pessoas olham com desconfiança, tipo “que menino é esse que botaram aqui?". A humilhação social está nos mínimos detalhes da nossa convivência social. É o jeito que a gente olha para o outro. A gente sabe o nome de uma pessoa importante, mas não sabe o nome do ascensorista, da faxineira. São processos sociais que muitas vezes a gente nem percebe, típicos dessa invisibilidade da camada mais pobre.
É por isso que a juventude, quando perguntada sobre o que ser quando crescer, responde que quer ser alguém famoso, um roqueiro... Ele pensa sempre em projeção, luzes, fumaça saindo do chão, porque ninguém quer ser invisível. Ninguém quer ser um advogadozinho médio. Ele quer ser um grande médico, porque ele se identifica com situações de reconhecimento social. Não é porque o cara ganha muito, mas é porque tem reconhecimento. O ganhar bem vem acoplado, mas é outra coisa.
E as drogas?
As drogas não tornam as pessoas vulneráveis. É o contrário: primeiro ficam vulneráveis, depois vão para as drogas. Há diversos estudos, como do Jessé Souza, que mostram que as pessoas não se tornam vulneráveis porque foram para o crack, por exemplo. Na verdade já estavam. É calamitoso quando uma coisa se junta a outra. Destroem-se relações, possibilidades. O programa De Braços Abertos, da gestão Fernando Haddad em São Paulo, que João Doria logo fez questão de tirar como uma de suas primeiras políticas, é um projeto interessante nesse sentido.
É de saúde mas não começa pela saúde, e sim pela condição de vida. Primeiro se aproximou dos craqueiros, oferecendo uma refeição. Depois a possibilidade de moradia em prédios antigos no centro da cidade. Na sequência levantou habilidades para oferecer chance de trabalhos internos, como consertar instalação elétrica, por exemplo. E quando o vínculo estava estabelecido, foram chamados para falar sobre o vício, o uso excessivo. Com isso puderam reduzir drasticamente o uso, tiveram a possibilidade de trocar o crack por outra droga menos prejudicial à saúde. Estavam todos a meio caminho de começar a solucionar seus problemas.
E o Doria se junta a Geraldo Alckmin para dizer que tudo aquilo não passa de um caso de polícia. Quem é que aguenta viver sem dignidade? O professor de Psicologia Social da USP, José Moura Gonçalves Filho, tem um estudo sobre humilhação social. É interessante como as pessoas reivindicam, em sua condição humilhada, dignidade e partilhamento. Elas querem que aquilo que acabam ganhando e tendo como possibilidade seja partilhado; elas têm um senso de coletividade muito maior do que das pessoas das camadas sociais mais altas.
Como você avalia a situação das universidades públicas?
Acho que a gente tem duas coisas que se complementam: o sucateamento e o projeto de privatização. O Alckmin não esconde que pretende implementar a cobrança nos cursos de pós-graduação. Há o projeto neoliberal de sucatear a USP para justificar a entregar às empresas como única saída. Por exemplo: colocam os professores, inclusive aposentados, como despesa da universidade, para torná-la ainda mais deficitária. E quando privatizarem, passam esse custo para a área da previdência. São jogos perversos do neoliberalismo.
E tem ainda o fato de o pensamento neoliberal não valorizar a educação, que é vista como algo mínimo para o trabalho. Defendem a oferta de algumas boas escolas, que podem ser públicas, para garantir o aproveitamento de grandes mentes, que não estão nas periferias, mas em algumas escolas particulares, em institutos federais, que serão pinçados para estudar na USP, Unicamp, Unesp. O resto, gente, entrega para a Kroton, para os grandes grupos que estão dominando o ensino superior privado, com o mínimo de qualidade, e bota essa gente no mercado de trabalho para ser chefiada por aquele outro grupo que estudou em escola melhor. Uma visão antiga de que não se precisa investir dinheiro para qualificar todo mundo porque nem todo mundo é qualificável. Só precisa garantir que alguns sejam qualificados. É a ideia que estava por trás das políticas de educação do governo FHC.
Como cuidar da saúde de São Paulo?
Tem de investir para fortalecer a atenção básica, com medidas estruturantes. Veja o caso do Doria e seu corujão: Abriu vagas para exames à noite, mas tirou os ônibus noturnos. Como as pessoas não podiam ir ao exame, foram tiradas da fila, que ele diz que acabou. As pessoas não tiveram sua necessidade atendida. É um absurdo.
É bom lembrar que o que a gente chama de crise na saúde, nas universidades, na educação, na verdade não é crise: é um projeto, um projeto do PSDB há tantos anos no governo paulista. E a população tem de saber que há um projeto alternativo. É preciso estabelecer prioridades. Não se pode permitir que se matem jovens na periferia, como está acontecendo. Temos de mostrar que há um contraponto a esse projeto peessedebista. E a população tem condições de perceber isso. Mesmo com a Rede Globo e a mídia nas mãos da elite, a população 'experenciou' Lula. Tanto que é por isso que eles têm medo. Por isso prendem Lula, por isso agora estão questionando Fernando Haddad. É a arma que eles têm pra lutar. O projeto deles é o sucateamento. Nós podemos fazer o discurso do contra projeto. Eles não.
A gente sabe que é difícil pensar em reverter de imediato o avanço privado, que atende boa parte da população, inclusive as de menor renda. Não dá para mudar do dia para a noite. Mas a gente tem de regular para garantir um minimo de qualidade. Algo como a pressão que se fez para garantir a cobertura da Aids, que não havia no começo. Os planos de saúde tiveram de cobrir, senão seriam fechados. Tem de ter exigências. A gente sabe que é difícil pensar em reverter de imediato o avanço privado, que atende boa parte da população, inclusive as de menor renda. Não dá para mudar do dia para a noite. Mas a gente tem de regular para garantir um minimo de qualidade. Algo como a pressão que se fez para garantir a cobertura da Aids, que não havia no começo. Os planos tiveram de cobrir, senão seriam fechados. Tem de ter exigências.
O que fazer para criar empregos em São Paulo?
Luiz Marinho tem repetido o economista Ladislau Dawbor, que vê a Economia como algo simples: é preciso produzir, mas também quem possa comprar. O trabalhador tem de estar trabalhando para poder comprar. Não adianta querer produzir se não tem quem compra. É preciso pensar estratégias para movimentar São Paulo nessa direção. Uma das coisas é o banco paulista de apoio ao pequeno produtor, às pequenas empresas, às cooperativas, empresas familiares, para subsidiar investimentos a juros menores. É preciso ativar a economia não só por meio das grandes indústrias, mas também as pequenas empresas, inclusive negócios familiares.
A qualificação para o trabalho é outra condição importante. É preciso mapear as necessidades regionais. Não se pode, por exemplo, tirar os jovens do interior de São Paulo para trabalhar na capital. Osasco, por exemplo, tem perfil industrial e bancário, como a sede do Bradesco instalada ali. Não adianta oferecer capacitação só para uma área, ou para outra que não seja a vocação local.
Há no projeto do Marinho um aspecto pouco comentado: a questão racial. Além de colocar a cultura afrodescendente nas escolas, queremos fomentar pequenos negócios dessa população. O órgão público deve priorizar o negócio de uma família afrodescendente. É uma questão tão importante como reservar metade das vagas nas universidades públicas à meninada que vem da escola pública.
Como a candidatura avalia a questão dos recursos hídricos, tão abandonada pela gestão Alckmin?
Existe um movimento organizado que reúne entidades, sindicatos, como a FUP, e movimentos populares na discussão da questão energética e hídrica, que já entregou um programa de medidas para o Fernando Haddad, com reivindicações e sugestões. É uma gente que tem proposta, que sabe como lidar com a questão da água e da energia, que tem muito a contribuir para uma área estratégica, que por sua vez está relacionada com outras áreas, como a educação e a saúde, que precisa de recursos dos royalties do petróleo conforme defende Marinho. Essa questão é muito importante principalmente quando tivemos uma emenda constitucional (EC 95) que impõe um teto de investimentos no setor pela União, que afeta essas áreas. Então temos que arranjar outras fontes de subsídios.
Como fica a questão de gênero na plataforma Marinho?
As mulheres têm uma participação bastante grande na organização do programa Marinho, assim como os LGBTs, que não é por acaso. As pessoas sofrem homofobia, as mulheres sofrem a violência – daí a importância de revitalizar a Delegacia da Mulher, por exemplo. Há um conjunto de coisas no programa que atende às necessidades desses grupos específicos, que exigem atenção específica. Há um forte discurso do feminicídio, da violência, conduzidos pelos grupos ligados a partidos conservadores, que o Guilherme Boulos chama de 50 tons de Temer.
A gente precisa de um tempo porque não dá para fazer tudo de uma vez, precisa ir com calma, embora o Lula tenha mostrado que nem é preciso tanta calma assim. O Marinho tem essa disposição, essa certeza de que é possível escolher prioridades e mandar ver porque vai dar certo, como ele já fez em São Bernardo. A população precisa entender que há dois grandes projetos que estão hoje em disputa. O dos tons de Temer e o outro, representado pelo PT, PCdoB, Psol, PDT – os tons de Lula.