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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Antropóloga alerta para o risco do Brasil voltar ao Mapa da Fome

De acordo com Maria Emília Pacheco alertou para o risco do país voltar ao Mapa da Fome diante do crescimento da pobreza e da extrema pobreza. A especialista é assessora da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), integrante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar,

ARQUIVO/EBC
mapa da fome
Temos visto um aprofundamento do golpe. A segurança alimentar está ameaçada nesse cenário?

Maria Emília – Não são nem só ameaças, já são realidades. A decisão drástica do governo com a Emenda Constitucional 95, que é a emenda de contenção de gastos públicos por 20 anos, pode ser considerada a medida mais drástica anti-povo que já se viu. E essa decisão implica que serão alteradas as condições de concretização de programas sociais e com certeza nós já estamos vendo isso, porque há uma redução dramática de muitos orçamentos. Nós estamos aqui no Nordeste e sabemos da redução no orçamento para o Semiárido, com os programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas, e sabemos que as cisternas são fundamentais. Então todos esses programas e políticas vão ser afetados.

O Brasil deu um passo muito significativo na criação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e, se formos examinar cada eixo, cada item da política, o orçamento foi afetado. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que nem bem começou uma experimentação tão virtuosa, porque estabeleceu uma ligação entre a política agrícola e a segurança alimentar e nutricional, está rompido e agora o orçamento tem uma redução muito grande e as modalidades estão desestruturadas. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que é fundamental, e que contribuiu para que o Brasil saísse do Mapa da Fome, mantém a transferência de recursos federais para os estados e municípios, mas, com o aprofundamento da crise econômica, muitos municípios não estão sequer comprando o que a lei determina, que é pelo menos 30% dos alimentos da agricultura familiar.

O que já vemos nesse momento é o crescimento da extrema pobreza e da pobreza.

Maria Emília faz uma análise do impacto do golpe na alimentação dos brasileiros

Nossa conjuntura possibilita que o Brasil volte ao Mapa da Fome. O que isso significa?

A volta é gravíssima. A fome é uma indignidade. Aliás, essa é uma expressão que, atualmente, estou muito mobilizada por ela, porque o quadro é revelador da não observância desse direito básico e do reconhecimento de termos que assegurar a dignidade humana. E o que nós temos visto é a indignidade humana que prolifera um grande número de pessoas pelas ruas. A olhos vistos, a situação é grave e um povo que tem fome é um povo que não está sendo reconhecido como cidadão.

Não podemos esquecer que houve uma mobilização social para incluir na Constituição Brasileira, no Artigo 6º, entre os direitos sociais, o direito humano à alimentação adequada. E, voltar ao Mapa da Fome significa, então, negar esse direito. Não que ele estivesse totalmente resolvido no país quando o Brasil saiu do mapa. Por isso, a mobilização que o Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar está buscando com a campanha “Comida é Patrimônio”, é um caminho interessante de sensibilização da sociedade, de mobilização.

Nesse momento, acho que nós temos que nos levantar como país contra a fome. Nós não podemos aceitar que essa realidade se instaure da maneira como ela está celeremente se instaurando.

O que significa, nessa conjuntura, a realização do ENA?

O IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), nesse momento, tem um significado muito especial. Ele mostra exatamente a capacidade de articulação e mobilização de setores da sociedade que estão apostando em outros caminhos que não o caminho dominante dessa agricultura artificial e industrializada.

O fato de conseguirmos reunir duas mil pessoas, sendo 70% de agricultores e agricultoras de todo o país, representantes de povos indígenas, de comunidades quilombolas, das comunidades de todos os biomas, é extremamente importante. Juntos estarão também as organizações de apoio, de assessoria e também do campo da pesquisa.

Para demonstrar que estamos indignados e que precisamos denunciar esse desmonte, essa desestruturação, essa desterritorialização do campo, esse avanço sem limite dos monocultivos, da mineração. Queremos mostrar como esses embates acontecem nos territórios, mas, ao mesmo tempo, com a capacidade de resistência, de construir alternativa que vão se configurando em alguns lugares de forma mais clara do que outros, mas, verdadeiros territórios da agroecologia. Nós queremos mostrar que é necessário e possível realizar mudanças, a partir dos locais.


Fonte: Brasil de Fato

Ceará registrou 1.535 casos de violência doméstica neste ano

Fortaleza lidera a estatística com 421 registros nos cinco primeiros meses deste ano

01:00 · 01.06.2018
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Entre agressões físicas, verbais, psicológicas, as mulheres sofrem com a violência doméstica por parte de "namorados, maridos, ex-namorados, e outros indivíduos que mantêm com elas algum relacionamento afetivo ( FOTO: KID JÚNIOR )
O Estado do Ceará registrou 1.535 casos de violência doméstica, entre janeiro e maio deste ano. Os dados foram divulgados na Planilha de Doenças de Notificação Compulsória, na última quarta-feira (30). O documento é elaborado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), com o objetivo de dar transparência, com maior acesso às informações e oportunidade de resposta aos registros.
Entre os 184 municípios cearenses, Fortaleza apresentou o maior número de notificações, registrando 421 casos neste ano. Sobral aparece em segundo lugar, com 409 ocorrências. A tipificação da violência doméstica como um caso de saúde pública ocorre devido ao grau de propagação do problema.
A violência doméstica atinge principalmente mulheres, idosos e crianças, mas dentro desses grupos, a agressão ocorre de maneiras diferentes. "A vítima pode sofrer agressão física, sexual, moral, patrimonial e psicológica", explica Natália Rios, titular da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres de Fortaleza. Para Natália, tratar a violência doméstica como um caso de saúde pública é fundamental. "A vítima precisa ser levada a um hospital, antes mesmo de ir para a Delegacia. O acompanhamento tem que ser trabalhado no sentido da saúde", comenta a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres.
De acordo com Maria Dolores, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), a violência doméstica ainda é um problema pouco registrado, devido a fatores como vergonha e medo, por parte da vítima. Segundo a professora, é necessário tomar atitudes como "capacitar policiais e outros profissionais do Poder Judiciário para que as vítimas possam confiar no sistema de proteção do poder público". Com essas medidas, a professora acredita que as denúncias tendem a aumentar. Dolores ainda reforça que a violência doméstica "independe de classe social", e pode atingir qualquer família.
Diferenças
Entre agressões físicas, verbais, psicológicas, as mulheres sofrem com a violência doméstica por parte de "namorados, maridos, ex-namorados, e outros indivíduos que mantêm com elas algum relacionamento afetivo", explica Maria Dolores, que coordena o Núcleo de Estudos de Gênero, Idade e Família (Negif) da UFC. A professora comemora a implementação da Lei Maria da Penha, mas lamenta que os casos de violência continuem ocorrendo. "É necessário criar condições eficientes para evitar que isso aconteça. Prevenir faz parte da democracia", completa a professora.
"Negligência, abandono, abuso financeiro, violência física e psicológica" são os casos mais comuns que acometem os idosos, revela Daniel Leão, supervisor do Núcleo de Defesa do Idoso, da Defensoria Pública do Estado do Ceará. "O idoso fica extremamente depressivo, desacreditado. Muitas vezes, o agressor é o próprio filho", completa o advogado, ao exemplificar os comportamentos comuns no cotidiano de idosos violentados.
No caso das crianças, a principal dificuldade para identificar os casos de violência é a relação de dependência que as vítimas têm com o agressor que, muitas vezes, são os pais ou responsáveis. "Escolas, postos de saúde, vizinhos, são grupos primordiais para o reconhecimento dos casos, a partir da denúncia", explica Henrique Pereira Lima, integrante do Conselho Tutelar.
"O comportamento precisa ser analisado. As crianças reproduzem o que vivem, o que recebem. Elas podem ficar mais caladas, tímidas, medrosas e com medo de se envolver com 'coleguinhas' na escola, por exemplo", completa o conselheiro.
Maria Dolores considera a legislação vigente como "excelente", e lembra que "é dever do Estado e da sociedade o direito à garantia de segurança e vida". Para isso, as vítimas de violência doméstica podem contar com o apoio de hospitais, Guarda Municipal, Delegacia da Mulher, Conselho Tutelar, além da Defensoria Pública do Estado do Ceará. (Colaborou Samuel Pinusa)
Fonte: diário do nordeste

MEC pode retirar 4 mil indígenas e quilombolas da universidade

Com justificativa de que o Ministério da Educação (MEC) trabalha com rombo de quase R$ 11 milhões no Programa Bolsa Permanência, o ministro da educação, Rossieli Soares, comunicou nesta terça-feira (29) cortes no auxílio financeiro a indígenas e quilombolas que estudam em universidades federais. Em reunião com 20 estudantes que viajaram a Brasília para defender o programa, o ministro informou que dispõe de 800 vagas anuais.

Guilherme Cavalli
  
A realidade: a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC) divulgou que no primeiro semestre universidades federais receberam matrículas de 2.500 indígenas e quilombolas. Segundo a delegação, as inscrições ocorrem por contar com o apoio.

A proposta do MEC apresentada para a delegação vinda das cinco regiões do país é de que, para o corte de mais de aproximadamente 4 mil vagas anuais da Bolsa Permanência, fosse criado um Grupo de Trabalho composto pelos próprios indígenas e quilombolas. A equipe teria missão de “cunhar critérios” para estabelecer quem receberia a bolsa. A proposição foi repudiada sob a argumentação de que “não irão legitimar a retira direitos e a exclusão dos próprios parentes”.

“Pedir para criar uma comissão para que quatro pessoas resolvam o problema do Governo? Não aceitaremos. É uma maneira que o MEC está arrumando de diminuir o acesso de indígenas e quilombolas no ensino superior”, comentou Marcley Pataxó. Em carta, os estudantes caracterizam que proposta fere os direitos dos povos. Acesse o documento aqui. 

“O ministro nos trouxe até Brasília para ser frio, ríspido, não se dispor a ouvir as demandas e saber das realidades. Veio só para dar a decisão que já estava tomada e dizer que precisava sair para reunião com Temer. Não veio para um diálogo, somente para uma imposição”, questiona Luana Kumaruara, estudante de Antropologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

“Essa reunião mostra os retrocessos nos nossos direitos, onde se tenta atacar uma política já garantida. Saímos frustrados com a decisão. Essa política de ação afirmativa foi criada para atender uma vulnerabilidade, como fazer distinção de quem é vulnerável ou não entre os vulneráveis?”

A reunião estava marcada desde o Acampamento Terra Livre (ATL), que ocorreu em Brasília de 23 a 27 de abril, quando estudantes indígenas exigiram respostas pela não publicação do edital do Bolsa Permanência. A agenda com o ministro ocorreu após pressão de indígenas e quilombolas em Brasília.

No dia 22, durante semana de mobilização, Vicente de Paula Almeida Júnior, da Diretoria de Políticas e Programas de Educação Superior, afirmou que o MEC aguardava aprovação orçamentária da Subsecretaria de Planejamento do ministério para aprovar o programa e que o fim do auxílio seria “boato para fazer terrorismo por intensão política”. Ontem, sustentaram que o orçamento não será suficiente para garantir a continuidade do programa nos moldes anteriores.

“Saímos daqui sem aceitar esse acordo desrespeitoso. Várias regiões e delegações acharam um acordo humilhante. Não dá para aceitar que uma conquista das nossas lideranças seja retirada. Não vamos aceitar nenhum retrocesso nessas políticas”, assegurou a liderança indígena Kumaruara.

Para o coordenador Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), Kâhu Pataxó, o MEC legitima o racismo sistemático do Estado brasileiro contra os povos indígenas e quilombolas. “É uma dívida histórica negada mais uma vez. Não aceitamos. Procuraremos outras formas para resolver essas violências”, sustenta o acadêmico de direito.

“Nos oferecem 800 vagas para situação que temo vivido, com estudantes sofrendo pressões por não saber onde irão dormir no próximo mês. Além de enfrentarmos o racismo do ambiente universitário, a permanência é afetada porque Estado Brasileiro não cumpre seu papel de dar condições inclusivas”, relatou Kâhu.

Educação não é prioridade para Temer

No primeiro orçamento aprovado após a vigência da Emenda Constitucional do Teto de Gastos (EC 95), que limita as despesas públicas à inflação do ano anterior pelos próximos 20 anos, o MEC teve um corte de 30%.

Em 2018, a Lei Orçamentária destinará R$ 109 bilhões para a Educação e R$ 316 bilhões com o pagamento de juros da dívida, devido aos altos juros. Síntese: o governo gaste com juros da dívida três vezes mais do que com Educação. Os cortes na Bolsa Permanência são reflexos dessa política. Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostra que “no planejamento do governo em 2018, o orçamento previsto é de apenas R$ 5 bilhões para universidades, enquanto em 2017 foi de R$ 8 bilhões e de R$ 15 bilhões em 2015”.

“Governo investe e compra deputados para aprovar leis. Quando se fala em investir em educação, eles vêm com a desculpa orçamentária”, lamenta Kâhu Pataxó. “Começaremos nossas jornadas de luta e esperamos do ministério propostas que sejam mais palpáveis às realidades. Apresentar uma proposta dessas é achar que somos ignorantes”.

Segundo o Inesc, “mesmo que a arrecadação cresça não haverá aumento de recursos para a área da educação”, o que comprova um achatamento dos gastos estatais com despesas sociais, como o programa Bolsa Permanência. O mesmo estudo aponta que com a PEC do Congelamento dos gastos, ocorreu uma queda de 19% da participação da Educação no bolo do Orçamento da União em 2017.

Criado em 2013, o Bolsa Permanência é uma ação que oferece auxílio financeiro a estudantes indígenas e quilombolas matriculados em instituições federais de ensino superior. Desde sua criação, o programa atendeu 7.370 indígenas, 2.666 quilombolas e 9.563 estudantes de baixa renda, que deixaram de receber o auxílio em 2016. O valor destinado para a assistência estudantil em 2018 corresponde a 137 milhões.

O Ministro da Educação

Indicado por Mendonça Filho (DEM-PE), ministro anterior que deixou o cargo por cogitar disputar o governo do Pernambuco ou formar uma chapa como vice, Rossieli Soares responde pelo MEC há um mês. Formado em Direito, com especializações em direito ambiental e em processos de licitações e mestrado em Gestão e Avaliação Educacional, Soares foi indicação política do Democratas (DEM).

Quando indígenas e quilombolas acusaram atual governo de promover cortes em programas sociais e políticas de educação, o ministro saiu em defesa de Michel Temer. “Lembrem vocês que quem faliu o Brasil foi o outro Governo”, defendeu rispidamente.

Entre os destaques da carreira do homem considerado nomeação técnica para o ministério, em outubro de 2017, Rossieli foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Amazonas a devolver R$ 1,4 milhões por falta de comprovação de uso de recursos financeiros. Na época da irregularidade, gestor respondia pelo Fundo Estadual de Incentivo ao Cumprimento de Metas da Educação Básica.


Por  Guilherme Cavalli, no CIMI

    Sem medo do sucesso

    Presidente tricolor faz análise do bom momento, revela pressão para saída de Ceni após Estadual e garante que atletas querem ficar no Pici

    00:00 · 01.06.2018 / atualizado às 02:31 por Gustavo de Negreiros - Editor
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    Marcelo Paz foi sincero ao afirmar que não esperava, "nem nos melhores sonhos", a campanha dos 7 primeiros jogos na Série B. Mas pontua que a manutenção do trabalho do técnico Rogério Ceni foi fundamental para a boa fase ( FOTO: JL ROSA )
    Há um ano você estava aqui em momento totalmente diferente. Fortaleza estava fora da Copa do Nordeste e na Série C. Agora, é sensação da Série B. O que aconteceu para que se invertesse toda essa situação?
    Eu lembro bem quando estive aqui no ano passado. Houve mudança administrativa. A chegada do Luís Eduardo Girão, que foi fundamental nesse processo, e todos os dirigentes que passaram antes e se esforçaram muito. O grande marco, sem dúvida, foi o acesso. Foi uma mudança de patamar do clube em vários aspectos. No emocional do torcedor, na satisfação e auto-estima. Questão financeira também. Entraram cotas de TV, entraram patrocínio da Caixa Econômica (Federal), o sócio-torcedor cresceu e uma série de fatores que a gente vem buscando conduzir com responsabilidade, com critério, com ousadia em alguns aspectos, porque é necessário ter, já que temos uma torcida enorme. Graças a Deus a gente está num patamar diferente hoje do que no ano passado, muito bem na Série B, uma liderança, clube organizado, salários em dia, tudo direitinho, mas temos que seguir com muito cuidado para que isso permaneça e até melhore. O Fortaleza tem potencial para crescer cada vez mais.
    Vocês imaginavam que, neste ponto da competição, o time somasse 19 pontos?
    Nem nos meus melhores sonhos eu imaginava que em sete jogos a gente teria 19 pontos. Tenho que ser muito sincero e transparente. Mas isso não é por acaso. Essas seis vitórias e o empate vieram com o time jogando bem, ganhou realmente com mérito. Isso é sequência de um trabalho que veio desde lá de trás, na montagem do elenco, da contratação do Rogério Ceni, do método de trabalho que ele implantou, da estrutura de suporte que a diretoria buscou dar a ele para que ele desenvolvesse o seu método de trabalho. No Cearense, fizemos um campeonato muito bom, fomos líderes o campeonato inteiro, mas realmente nas finais nós perdemos, e o Ceará ganhou por méritos da gente ao meu ver, normal reconhecer isso. Mas a gente não se abalou naquele momento por que sabíamos que o trabalho estava no caminho correto, fizemos alguns ajustes naturais, chegada de alguns jogadores, saída de outros.
    No final do Campeonato Cearense, havia questionamento pela saída do Rogério Ceni, mas você o bancou. Isso foi fundamental?

    Tenho certeza. Após a final do Estadual a pressão foi muito grande de boa parte da torcida por mudança de comando. O jogo foi domingo e na segunda eu fiz questão de ir a público para dizer que não ia ter mudança nenhuma. Não tinha porque mudar. O planejamento estava feito, trouxemos o Rogério para um ano de trabalho. Pelo menos um ano. Quem sabe mais tempo. Não tinha porque mudar o planejamento, a gente sabia que o dia a dia estava sendo muito positivo. Então era eu dando entrevista e ele dando treino logo depois. Na diretoria não houve esse questionamento, porque se trabalha com convicção, com foco, com planejamento e, sem dúvida alguma, a continuidade do trabalho fez com que os resultados viessem. Se houvesse uma mudança de comando certamente a gente não estaria com essa perfomance atual.
    Vocês têm recebido muitas propostas pelos jogadores? Como têm reagido? Têm se precavido para não que não ocorra um desmanche?
    Se isso está acontecendo em função do sucesso é algo bom. Eu não tenho medo do sucesso. Se o time está ganhando, está chamando atenção, que bom que está acontecendo isso! E o mercado está aí para fazer suas movimentações. A gente encara isso com naturalidade. Os jogadores que pertencem ao Fortaleza têm multa alta e só saem se pagarem a multa. Os que não pertencem ao Fortaleza, como é o caso do Gustavo, do Corinthians, do Dodô, que é do Atlético/MG, quem tiver intenção tem que procurar esses clubes. O que sei é que o nosso ambiente é bom. Esses jogadores não querem sair do Fortaleza. Eles estão felizes no clube, estão motivados e tem objetivo de fazer o melhor ano possível aqui. Porque está sendo bom para o Fortaleza, mas também está sendo bom também para eles, para a carreira deles. Estão tendo visibilidade, estão tendo sequência de jogos, estão tendo o carinho do torcedor. E tudo isso pesa. A gente encara com naturalidade e, logicamente, o que tiver ao nosso alcance para manter esses jogadores no elenco, a gente vai fazer o possível.
    Como está o Fortaleza financeiramente? Questão de salário, premiações...
    Esse time nunca entrou em campo com qualquer salário atrasado, qualquer direito de imagem, qualquer premiação atrasada, qualquer aluguel atrasado. Nenhum funcionário, nem ninguém. Mas isso com muito zelo, na ponta do lápis a gente controlando receitas e despesas, buscando novas receitas, controlando despesas para que isso seja possível. Não tem sido fácil, é uma transição muito grande. Fortaleza no ano passado só sobreviveu porque o Luís Eduardo (Girão) aportou um valor altíssimo para bancar o clube e, com o acesso, com a mudança, a gente tem feito uma gestão só com recursos do clube. Tem pequenas ajudas pontuais de alguns conselheiros e torcedores, que a gente agradece muito, mas não são aportes grandes, como Ribamar (Bezerra) já fez, como Luís Eduardo (Girão), como outras pessoas já fizeram. Esse é o grande legado que a gente quer deixar, da autosustentabilidade, do Fortaleza caminhar com as suas próprias pernas sem precisar sangrar o bolso de algum dirigente. E tem sido apertado, tem sido difícil.
    O clube tem explorado a marca de maneira diferente com surgimento de produtos, fabricando a própria camisa. Isso tem trazido retorno?
    O clube de futebol tem que diversificar suas fontes de renda. Temos um ativo muito grande que é a marca. Ela vale demais, e os torcedores amam o Fortaleza. O Marcelo Paz vai passar, o Rogério Ceni vai passar, o Gustagol vai passar, mas a marca do Fortaleza vai permanecer e as pessoas vão continuar amando. Através do sócio-torcedor, através da área comercial. A gente está com cinco lojas todas no controle do clube, e elas vendem bem. Acrescentaram um valor significativo na nossa renda. A gente tem licenciado a nossa marca para várias produtos, que vai de vinho, linha para pets, tábua de carne para churrasco, camisa, boné, sandália, sapato, blusa social. Tudo isso gera recurso para o clube. E a gente tem feito um trabalho para criar novas receitas, criar o chamado dinheiro novo, o mercado é imenso para isso, e a profissionalização do clube é o caminho, e o marketing que a gente tem investido muito.
    O Everton, que foi revelado pelo Fortaleza, vive grande fase. Como clube tem observado uma possível venda dele para o exterior?
    O Everton é um grande caráter, garoto espetacular, muita personalidade. Esteve aqui no último jogo contra o Ceará. Foi no Pici, pegou a camisa do Fortaleza, bateu foto, disse que torcia para o Fortaleza e que um dia queria voltar. Não é fácil alguém fazer isso no futebol de hoje. E a gente torce que ele faça cada vez mais gols e possa ser vendido porque o Fortaleza tem 10% do Everton. Quando for vendido, vai gerar receita para o clube. Esse percentual, todo mundo sabe, boa parte está condicionada aos aportes que o Luís Eduardo Girão fez. Isso foi aprovado pelo nosso conselho deliberativo. Uma operação legal e que o clube precisava daquelas receitas naquele momento. Não é só ele, tem outros pequenos investidores também. Mas se a venda for muito grande, ela vai pagar os investidores e ainda vai voltar alguma coisa para o Fortaleza. O próprio Luís Eduardo (Girão) disse que não quer um centavo a mais do que ele botou. Ele não quer lucro na operação.
    Sobre Marcelo Paz, da sua parte pessoal, como você tem visto seu futuro no clube?
    Eu amo o que estou fazendo. Estou muito feliz de estar na presidência do clube no ano do centenário, clube que eu gosto, que eu torço, que meu filho torce. E estou dedicado o tempo inteiro a isso. Eu me afastei da minha empresa, contratei um profissional. E estou dedicado ao Fortaleza o tempo todo. O meu vislumbre é o jogo a jogo. Quem vai julgar se eu mereço ficar ou não é a torcida. No final do ano vai ter uma eleição. E quem tiver apto a votar vai avaliar e se eu quiser ser candidato também. Porque ninguém sabe. O futebol tem uma variabilidade muito grande, às vezes muito rápido. E é uma pressão muito grande que os dirigentes sofrem, uma abnegação muito grande, mas eu estou feliz com o trabalho. Hoje está muito tranquilo. Luís Eduardo (Girão) fez um trabalho grande de pacificação. E a gente tem dado continuidade a isso. Cada um à sua forma. Conselho deliberativo tem nos apoiado bastante. Os ex-presidentes, pelo que tenho contato, estão satisfeitos com o trabalho. A gente não tem sofrido nenhum tipo de intervenção. Acho que a coisa está funcionando muito bem. Claro que, como a gente está ganhando, isso facilita, a gente tem plena consciência disso. Como a bola está entrando, facilita para todo mundo estar mais calmo e mais tranquilo. Mas eu vejo um Fortaleza politicamente mais maduro, mais equilibrado, as pessoas querendo, como um todo, o bem do clube. Sem vaidades individuais, eu vejo isso, não tenho nada do que reclamar, de verdade.

    Fonte: diário do nordeste

    Imagine Cup: Equipe cearense é finalista da etapa latino-americana

    A startup cearense "DiaVision", do Centro Universitário Farias Brito, ficou entre as seis startups finalistas na etapa latino-americana da Imagine Cup, competição global que transforma projetos acadêmicos em startups de sucesso. O anúncio foi feito em cerimônia realizada na última semana, em São Paulo, no espaço inovaBra Habitat.

    A equipe criou uma solução para diagnóstico remoto do diabetes.A equipe criou uma solução para diagnóstico remoto do diabetes.
    A titular da Secitece, Nágyla Drumond, parabenizou os estudantes. "A gente está aqui para festejar e abraçar a garotada cearense que chegou a essa final. Inovar na saúde para garantir mais vida ao povo!", disse.

    A equipe do Ceará criou uma ferramenta que tem como propósito facilitar a descoberta e apoiar o diagnóstico remoto da diabetes a distância, através de uma solução baseada em visão de computador.

    Participaram da final latino-americana da Imagine Cup, também pela Secitece, a coordenadora do Programa Corredores Digitais, Gabriella Purcaru, a articuladora Marília Coelho, e o coordenador do CriarCE, Thiago Barros.

    Sobre a Imagine Cup

    Na edição 2018, foram quase 5 mil competidores e mais de 180 trabalhos inscritos. As startups finalistas se destacaram com ideias inovadoras voltadas para saúde, educação e serviço. No total, 34 times do mundo inteiro vão disputar a última fase, que será realizada em Seattle, EUA, no mês de julho. A grande campeã receberá mais de US$ 100 mil, além de mentoria do indiano Satya Nadella, CEO da Microsoft.

    A Imagine Cup tem o intuito de conectar estudantes de todo o mundo e fornecer a eles ferramentas, recursos e experiências que transformem ideias inovadoras em realidade. Em 2017, Fortaleza/CE foi cidade-sede da competição, através de uma parceria entre Governo do Ceará/Secitece e Microsoft.


    Fonte: Assessoria da Secitece

      Orlando Silva: Vetos de Temer à Lei da Reoneração geram desemprego

      Nesta quinta-feira (31), o deputado federal Orlando Silva (PCdoB) faltou critério a Michel Temer nos vetos dos setores que vão voltar a pagar imposto sobre a folha de pagamento, em vez de uma alíquota sobre o faturamento, a chamada reoneração.Segundo o deputado, ao vetar determinados segmentos, o governo está prejudicando a indústria nacional e a geração de empregos no país. 

      Richard Silva/PCdoB na Câmara
      Deputado Orlando Silva, líder do PCdoB na CâmaraDeputado Orlando Silva, líder do PCdoB na Câmara
      Pela decisão de Temer, voltarão a ser reoneradas empresas estratégicas de defesa, de transporte aéreo de carga e de passageiros regular, de serviços auxiliares ao transporte aéreo de carga e de passageiros regular, de manutenção e reparação de aeronaves, de manutenção e reparação de embarcações e empresas do comércio varejista de calçados e artigos de viagem. 

      Diante disso, Orlando Silva - relator da reoneração - disse que faltou critério na decisão Michel Temer ao cortar benefício de setores que geram empregos.

      "Temer vetou a manutenção do benefício a vários setores que geram muitos empregos e que sofrem uma concorrência desleal com importações. Os vetos de Michel Temer servem para enfraquecer a indústria nacional e gerar mais desemprego", criticou.

      "Um desafio do Brasil é rever todas as despesas tributárias, mas há que se ter filtros, critérios objetivos. Tem que sair do casuísmo e da resposta aos lobbies mais estruturado. Tem que pautar o desenvolvimento nacional e a geração de empregos", falou Orlando.

      Para o deputado, é uma necessidade revisar a política de desoneração da folha de pagamentos. "O Brasil deve revisar todas as despesas tributárias, todos os subsídios. O que servir ao desenvolvimento deve ser mantido, o que apenas serve de margem de lucro deveria ser reavaliado", afirmou.

      Orlando Silva disse ainda que irá iniciar na Câmara uma articulação para derrubar os vetos do presidente à Lei da Reoneração aprovada esta semana pelo Congresso como contrapartida para arcar o custo do "bolsa caminhoneiro".


      Do Portal Vermelho, com informações de agências

        Desembargadora tem contas bloqueadas por ministro do STJ

        Herman Benjamin negou a liberação das contas de Sérgia Miranda, investigada por venda de liminares

        Em junho de 2015, a Polícia Federal realizou a 1ª fase da "Operação Expresso 150". Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos gabinetes dos desembargadores e nas residências dos investigados ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )
        01:00 · 01.06.2018 / atualizado às 01:19
        A desembargadora Sérgia Maria Mendonça Miranda, uma das acusadas de envolvimento no suposto esquema de venda de liminares nos plantões do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), teve a remuneração e parte dos bens bloqueados pela Justiça, sem conseguir reavê-los. A decisão, proferida no último dia 14, é do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relator dos processos relativos à investigação da Polícia Federal (PF), denominada "Expresso 150", que apura a comercialização de habeas corpus no Poder Judiciário estadual envolvendo magistrados, advogados e criminosos.
        Nos embargos da acusada, a desembargadora havia pedido restituição dos salários recebidos nos meses de abril e maio de 2018 ressaltando a necessidade da própria subsistência, além do desbloqueio de uma conta corrente no Banco do Brasil, cujo valor retido pela Justiça é de R$ 142.013,42.
        O dinheiro e os bens de Sérgia Miranda haviam sido sequestrados pelo STJ desde o dia 17 de abril deste ano. Na ocasião, além do valor disponível na conta corrente, foram bloqueados ainda R$ 63.369,18 relativos aos vencimentos da magistrada afastada do TJCE. A desembargadora defendeu que as quantias são fruto de atividade lícita por ser parte proveniente de trabalho e parte de empréstimo tomado junto ao banco público.
        Manifestação
        O Ministério Público Federal (MPF) foi questionado pelo ministro relator a manifestar-se sobre os embargos de Sérgia Miranda. O Órgão opinou pela liberação dos proventos mensais da magistrada, sem considerar o desbloqueio dos valores relativos ao empréstimo junto ao Banco do Brasil "tendo em vista não haver vínculo demonstrado entre a suposta importância tomada a título de empréstimo com a sua necessidade de subsistência", escreveu.
        Na decisão, o ministro Herman Benjamin considerou que, com relação ao mês de abril havia sido sequestrado do salário de Sérgia Miranda R$ 21.462,61; contudo, ela havia tirado valores superiores no dia em que o salário havia caído em sua conta, "dessa forma, não há nada a ser restituído com relação a esse mês", pontuou.
        No tocante ao mês de maio, a desembargadora deveria receber R$ 19.977,39, que, segundo ela também foram atingidos pela decisão judicial do bloqueio de valores. Entretanto, Herman Benjamin ponderou não ser possível verificar a veracidade da afirmação da acusada uma vez que a única prova apresentada por ela seria a captura de tela de um celular, sem identificação de conta ou titularidade. "Portanto, não há prova de que tenha havido construção sobre o valor creditado pela fonte pagadora em maio de 2018, é inviável o exame da possibilidade de desbloqueio", afirmou o ministro, ao ressaltar que os pedidos podem ser refeitos por ela com as devidas documentações.
        Com relação à conta na qual continha o empréstimo com o Banco do Brasil, Herman Benjamin também julgou a ação improcedente, mas porque não conseguiu relacionar com as provas dispostas pela desembargadora. Segundo o ministro, o valor bloqueado no dia 17 de abril não corresponde ao mesmo disposto no contrato de empréstimo.
        Liberação
        Por outro lado, o desembargador Francisco Pedrosa Teixeira e sua esposa Emília Maria Castelo Lira conseguiram recuperar valores de uma decisão da Justiça se utilizando da argumentação de que o dinheiro tem origem lícita.
        De Emília Maria foram sequestrados R$ 943,77, relativos ao aluguel de um imóvel; do magistrado, foram retidos R$ 1.787,84, advindos de valores salariais; ambos conseguiram reaver as quantias por ordem do ministro Herman Benjamin. Contudo, o ministro ressaltou que "não houve ordem de bloqueio de contas, tal como afirmaram. Houve, sim determinação de sequestro de quantias em depósito, na data da execução da medida", pontuou. Mesmo afastada, a desembargadora Sérgia Miranda continua recebendo o salário integralmente, além do auxílio moradia, garantido pelo plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em outubro de 2017. Na época, o parecer foi tomado pelo relator do caso, Paulo César de Souza, e questionado pelo procurador do Ministério Público de Contas (MPC), Gleydson Alexandre, o qual disse ter faltado "bastante técnica" na decisão.
        Considerado o maior escândalo de corrupção do Poder Judiciário cearense, quatro dos cinco desembargadores citados na investigação da PF respondem a processos no STJ sobre o caso. Além de Sérgia Miranda e Francisco Pedrosa, Carlos Rodrigues Feitosa e Váldsen da Silva Alves Pereira são os outros desembargadores investigados na Operação "Expresso 150". O quinto magistrado citado, Paulo Camelo Timbó, teve o processo transferido para a 1ª Instância do Ceará, após se aposentar.
        Dois juízes da 1ª Instância também foram alvos de outras fases da "Expresso 150". Depois de citados nas investigações, eles solicitaram aposentadoria ao Tribunal de Justiça do Ceará, que concedeu o benefício. Um deles, morreu no fim de março deste ano.
        Fonte: diário do nordeste

        Governo fará cortes em programas sociais e no SUS para baixar diesel

        Dinheiro a ser usado para cobrir redução do diesel vai afetar todos os setores, de universidades a assentamentos. Somente no SUS perda será de R$ 135 milhões.

        ALAN SANTOS/PR
          
        O governo divulgou nesta quinta-feira (31) de onde serão retirados os recursos para pagar a conta da redução do preço do Diesel, que terá impacto de R$ 9,5 bilhões. A equipe econômica continua enrolada quanto ao valor a ser arrecadado com a reoneração de setores da economia, aprovada esta semana pelo Senado. E, ao mesmo tempo com os setores de onde será retirado dinheiro do Orçamento Geral da União (OGU). A verba a ser remanejada baixou de R$ 3,5 para R$ 1,2 bilhão e sairá, agora, de todos os ministérios.

        Segundo as informações repassadas pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, a previsão de arrecadação com a reoneração de setores da economia, que antes o Executivo previa ser de R$ 3,5 bilhões, ficará inferior à expectativa inicial e será de apenas R$ 830 milhões este ano. Isso porque dos 28 setores que teriam reoneração, a medida vai atingir apenas 17 deles.

        O Executivo anunciou que vai revogar o chamado Regime Especial da Indústria Química (Reiq) e reduzir o subsídio do Programa de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reitengra) de 2% para 0,1%.

        Uma terceira medida será a redução do percentual de crédito existente hoje do Imposto Sobre Produtos Industriais (IPI) da indústria de concentrados para refrigerantes, de 20% para 4%. A previsão é de que tais reduções resultem em outros R$ 740 milhões para os cofres públicos.

        Reserva de arrecadação

        Serão utilizados R$ 5,7 bilhões em recursos que representam excesso de arrecadação previsto para 2018 para suprir a conta. E outros R$ 2,1 bilhões que estavam destinados, especificamente, para a capitalização de empresas estatais. O restante R$ 1,2 bilhão sairá do OGU.

        O xadrez financeiro foi uma forma encontrada pelo governo Temer para, depois de tantas críticas de parlamentares e técnicos ao fato de a conta sobrar áreas como educação, saúde e moradia, reduzir a previsão inicial, que era de retirar mais de R$ 3 bilhões do OGU.

        E, ao mesmo tempo, acabar com a polêmica sobre possível aumento de impostos, provocada por uma declaração dada pelo ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, no início da semana. A fala de Moreira Franco suscitou várias contestações e depois um desmentido, por parte do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. 

        Guardia explicou que o cancelamento (ou corte, de recursos do Orçamento) será feito “na parcela dos recursos que estavam contingenciados, de modo que não teremos de solicitar aos ministérios um novo contingenciamento”. Também disse que a melhor forma encontrada para que a saída de recursos seja feita é de forma “pulverizada” e que a equipe considerou que “o menor impacto possível” seria diluir a retirada destes valores de todos os órgãos.

        Programas sociais

        Para se ter ideia da situação, os cortes no OGU feitos no ano passado resultaram em crises como dificuldades para impressão de passaportes, redução de verbas para investimentos federais em infraestrutura, de verbas para fiscalização contra o trabalho escravo e crise financeira nas universidades federais.

        Além de dificuldades para funcionamento de vários laboratórios e órgãos vinculados ao setor de Ciência e Tecnologia e nas ações da Polícia Rodoviária Federal.

        Já os que serão feitos a partir de agora, além de darem continuidade à escassez de verbas para estes setores que vêm atuando para resolver seus déficits e ter condições de trabalhar, também deixarão com menos recursos programas para fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), gestão de políticas de Juventude, políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, entre outros.

        Da mesma forma, foram citados dentre outros que serão prejudicados com as medidas anunciadas nesta quinta-feira programas de assistência técnica e extensão rural para agricultura familiar e de desenvolvimento de assentamentos rurais, conforme alguns itens já repassados pela equipe econômica como escolhidos para inclusão nos cortes.

        Outros programas que também terão verbas reduzidas ou totalmente zeradas são os destinados à obtenção de imóveis rurais para reforma agrária, promoção e gestão do comércio exterior, defesa de direitos difusos, a força nacional de segurança pública e a política pública sobre drogas.

        Alguns ministérios já anunciaram o corte de valores que estavam destinados para seus programas. Os de transporte terrestre do Ministério dos Transportes, por exemplo, que envolvem adequação e construção de 40 obras, perderam R$ 368,9 milhões.

        Ações voltadas para prevenção e repressão ao tráfico de drogas ficarão com R$ 4,1 milhões a menos. A concessão de bolsas de um programa de estímulo ao fortalecimento de instituições de ensino superior terá perda de R$ 55,1 milhões. Outros cortes foram no policiamento ostensivo de rodovias e estradas federais (de onde foram retirados R$ 1,5 milhões) e fortalecimento do SUS (que perdeu R$ 135 milhões).

        Para muitos parlamentares, que inclusive apresentaram requerimentos pedindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para avaliar a política de preços da Petrobras, a questão não deveria ser de ajustes como o anunciado e sim de revisão da forma de gestão da estatal.

        A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), autora do requerimento para abertura da CPI, defendeu que essa política seja reavaliada, em vez de serem retirados recursos das áreas sociais e dos programas voltados para os mais carentes.

        “É uma contradição ver que com a redução do diesel, não só os caminhoneiros, mas várias empresas multinacionais vão lucrar, quando a conta sairá de todos nós”, afirmou.

        A senadora destacou que “a ficha ainda vai cair para a população” em relação às medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer, já que elas são referentes apenas à redução do diesel. O ideal, de acordo com a senadora, assim como também defendem vários parlamentares da oposição e da base do governo, é que a questão do aumento dos combustíveis seja discutida de um modo geral, para que a conta saia da própria Petrobras.

        Na entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta, os integrantes da equipe econômica afirmaram que as medidas anunciadas só têm validade até o final do ano.


        Por Hylda Cavalcanti, da RBA

          Fim da greve; governo faz cortes e onera exportador para reduzir diesel

          Objetivo do "bolsa caminhoneiro" é compensar o subsídio de R$ 9,6 bilhões para proporcionar a redução de R$ 0,46 no valor do litro do óleo diesel e também a diminuição de tributos incidentes sobre o combustíve

          01:00 · 01.06.2018
          Fortaleza/Brasília/São Paulo. Para compensar o subsídio de R$ 9,6 bilhões à redução de R$ 0,46 no preço do diesel e a redução de tributos incidentes sobre o combustível, que entrou em vigor ontem (31), o governo federal tomou medidas que, na prática, elevarão a arrecadação de impostos de exportadores e de indústrias como a química. Ainda foram reduzidos recursos para programas ligados às áreas de saúde e educação.
          Ao lado da aprovação da reoneração da folha de pagamento de diversos setores, que já foi votada na Câmara dos Deputados, as medidas permitirão um ganho de R$ 4 bilhões, o que compensará as reduções na tributação do diesel: a isenção da Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) e a redução de R$ 0,11 do PIS/ Cofins. O governo ainda cancelou R$ 3,4 bilhões em despesas do Orçamento deste ano como forma de compensar os R$ 9,5 bilhões do programa que foi criado para subsidiar uma redução maior no preço do combustível. As medidas foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União.
          Leia ainda:
           
          O Reintegra devolvia 2% do valor exportado em produtos manufaturados através de créditos de PIS/ Cofins. Esse percentual foi reduzido para 0,1%, o que gerará recursos de R$ 2,27 bilhões até o final do ano.
          A alteração da tributação de um programa para a indústria química, o Regime Especial da Indústria Química, aumentará receitas em R$ 170 milhões.
          Quando a empresa importava, pagava 5,6% de PIS/ Cofins e recebia um crédito de 9,25%. Essa "sobra" de 3,65%, que era usada para abatimento de outros impostos, foi extinta.
          No caso da reoneração da folha de pagamento, que segundo o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, isentará um número menor de setores do que o aprovado na Câmara, o ganho até o fim do ano será de R$ 830 milhões. O projeto de lei aprovado na Câmara previa que 28 setores estariam isentos da reoneração, mas Michel Temer vetou 11 desses setores, o que deixou 17 com isenção.
          Entre os que mantiveram o benefício estão calçados, construção civil, fabricação de veículos, transporte rodoviário e indústria têxtil, entre outras. De acordo com o secretário da Receita, a escolha dos benefícios a serem retirados foi feita com base na distorção que geram no sistema tributário.
          "Os gastos tributários no Brasil são elevados, fora do padrão mundial", afirmou Rachid, se referindo aos benefícios que diversos setores possuem no pagamento de tributos. "Escolhemos os incentivos que geram alguma distorção", completou.
          Economia em 2019
          O pacote tributário para bancar o bolsa caminhoneiro - o subsídio ao preço do diesel - vai garantir uma economia de R$ 16,23 bilhões para 2019 para as contas públicas. É que as medidas adotadas para compensar parte da queda de R$ 0,46 no preço do diesel nas refinarias, acordada entre o governo os líderes dos caminhoneiros, terão efeito permanente a partir de agora. Com isso, o governo minimiza em 2019 uma parte do impacto negativo para as contas públicas da greve dos caminhoneiros.
          Por outro lado, o efeito de queda na arrecadação de tributos ainda não foi dimensionado pela equipe econômica do governo, mas já é esperado por conta da parada de produção de muitos setores econômicos.
          Despesas
          O governo ainda anunciou um corte de despesas de R$ 3,4 bilhões para compensar o programa de subsídios ao diesel.
          Os programas de transporte terrestre do Ministério dos Transportes, por exemplo, que envolvem adequação e construção de 40 obras, perderam R$ 368,9 milhões em recursos.
          Ainda foram reduzidos recursos, por exemplo, para programas como prevenção e repressão ao tráfico de drogas (R$ 4,1 milhões), concessão de bolsas de um programa de estímulo ao fortalecimento de instituições de ensino superior (R$ 55,1 milhões), policiamento ostensivo e rodovias e estradas federais (R$ 1,5 milhões) e fortalecimento do sistema único de saúde, com R$ 135 milhões. Ao mesmo tempo, foram criados recursos para o programa "operações de garantia da lei e da ordem", com o objetivo de desobstruir estradas, no valor de R$ 80 milhões.
          As mudanças tributárias e o corte das despesas anunciado ontem (31) fazem parte das ações do governo para compensar as perdas orçamentárias causadas pela redução no preço do óleo diesel. Pelo acordo fechado com caminhoneiros grevistas, o governo se comprometeu a baixar o preço do litro do diesel em R$ 0,46 na refinaria. O valor ficará congelado por 60 dias. O impacto total da medida é estimado em R$ 13,5 bilhões.
          Do desconto total, R$ 0,16 serão alcançados com isenção da Cide e uma redução de PIS/Cofins sobre o diesel, o que deve provocar um impacto de R$ 4 bilhões. Uma parte pequena desse valor será absorvida com recursos provenientes da aprovação da reoneração da folha de pagamentos de diversos setores da economia.
          O restante será manejado com retirada de benefícios fiscais, segundo afirmou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.
          Os R$ 0,30 restantes serão cobertos por um programa de subvenção, com custo de R$ 9,5 bilhões. Para compensar esse subsídio, o governo já conta com R$ 5,7 bilhões em excesso de arrecadação do governo federal. Para fechar a conta, o governo ainda precisou encontrar meios para compensar o rombo restante. Essa é a parcela que levou o Ministério da Fazenda a anunciar o cancelamento das despesas.
          Rodovias liberadas
          Com o acordo, a greve dos caminhoneiros perdeu força no País e as rodovias foram desbloqueadas. Segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgado ontem, não havia mais nenhum ponto de aglomeração de pessoas e veículos em áreas próximas às rodovias federais. O fluxo de veículos era normal.
          Pela manhã, a PRF ainda chegou a contabilizar nove pontos com "pequenas aglomerações de pessoas e veículos", mas sem "anormalidades" ou bloqueio do fluxo de veículos. Os poucos pontos foram registrados em Santa Catarina (6), Rio Grande do Sul (2) e Ceará (1). No início da tarde de ontem, agentes da PRF, policiais militares e o Exército desobstruíram o bloqueio no quilômetro 40 da BR-116, em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza. Outro trecho da BR-116, em Chorozinho, também foi liberado sem dificuldade pelas mesmas forças de segurança. A desobstrução das rodovias no Ceará também foi acompanhada de perto pelo Governo do Estado.
          Competitividade
          Associações empresariais ouvidas pela reportagem dizem que as alterações nos programas de incentivo às companhias brasileiras para atender às reivindicações dos caminhoneiros podem levar à perda de competitividade internacional e ao aumento dos custos.Em nota, Júlio Talon, presidente do Fórum de Competitividade das Exportações da Confederação Nacional da Indústria, disse que a não renovação do Reintegra coloca em risco o crescimento das exportações brasileiras e do Produto Interno Bruto. A Confederação diz que o Reintegra não é desoneração. Em vez disso, é uma restituição de impostos indiretos que são cobrados na cadeia produtiva da indústria exportadora, que deveria ter imunidade tributária.
          Fernando Figueiredo, presidente da Abiquim (associação da indústria química), diz que as alterações no Regime Especial da Indústria do setor, que garantia menor tributação na compra de insumos, acarretará a perda de competitividade da indústria nacional e aumento de preços para consumidores.

          Fonte: Diário do Nordeste