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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em ato no Rio, Lula ataca presidente do TRF-4

O ex-presidente também fez críticas ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores da Lava-Jato que atuaram nas investigações do seu inquérito

Lula discursou em evento organizado em apoio a permanência de sua candidatura ( Foto: Arquivo )
08:20 · 17.01.2018 / atualizado às 08:39 por FolhaPress
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou parte de seu discurso em evento no Rio na noite desta terça-feira (16) para atacar o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente do TRF-4, tribunal que julgará o petista em segunda instância.
Lula disse que Flores é bisneto do coronel que ordenou a invasão de Canudos, na Bahia, no final do século 19, e que resultou na morte do líder local Antônio Conselheiro.
"Esse cidadão é bisneto do general que invadiu Canudos e matou Antônio Conselheiro. Talvez ele ache que eu seja cidadão de Canudos", disse Lula.
Segundo o site do TRF-4, o desembargador é trineto do coronel Tomás Thompson Flores, que teve atuação destacada na Guerra de Canudos, quando foi o comandante de uma das tropas do Exército Brasileiro enviada para o interior da Bahia.
O presidenciável discursou em evento organizado em apoio a permanência de sua candidatura, no teatro Oi Casagrande, no Leblon, zona sul do Rio. Lula falou a uma plateia de artistas e intelectuais. O teatro, com 976 lugares, estava lotado.
A menção a Flores ocorreu depois que Lula disse que não faria críticas aos juízes de Porto Alegre, justamente porque não os conhecia. O ex-presidente disse achar estranho que em seis dias Flores tenha alegado ter conseguido ler todas as páginas do processo.
"Eu acho estranho um juiz dizer que não leu a sentença do Moro, mas dizer acreditar que ela é irretocável", disse.
Lula criticou ainda o juiz Sérgio Moro, que o condenou por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do triplex a nove anos e seis meses de prisão. Também direcionou críticas aos procuradores e delegados da Lava-Jato que atuaram especificamente nas investigações do inquérito que o ex-presidente faz parte. Ele chegou a dizer que eles mereceriam ser exonerados.
Lula também aproveitou para criticar a imprensa e a chamada elite brasileira que, segundo ele, teria proporcionado o que ele considerou como golpe contra a presidente Dilma Rousseff.
Ele aproveitou para criticar o deputado Jair Bolsonaro (PSC), que está em segundo lugar nas pesquisas de opinião. Segundo Lula, depois de incitar a oposição contra Lula e Dilma, a imprensa teria criado o ambiente para o surgimento da candidatura de Bolsonaro.
"Será que depois que eles extirparam os 'tumores' que eram eu e Dilma eles não pensaram que ia surgir uma coisa como o Bolsonaro.", questionou.
Lula comentou as reportagens sobre Bolsonaro.
"O Bolsonaro vai agora comer o pão que o diabo amassou. A mídia vai fazer com ele o que tentou fazer comigo durante anos sem encontrar nada", disse.
Em ato no Rio, Lula ataca presidente do TRF-4
Entre os atores presentes estavam Osmar Prado, Herson Capri, Bete Mendes, Cristina Pereira, Tonico Pereira, Gregório Duvivier, Dira Paes, Chico Dias e Mônica Martelli. O ator Antônio Pitanga foi acompanhado de sua mulher, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ).
Também participaram do evento os sambistas Noca da Portela e Beth Carvalho, que compareceu de cadeira de rodas em razão de um problema de saúde. A escritora Conceição Evaristo, a filósofa Marcia Tiburi, e o escritor Eric Nepomuceno também participaram.
O coordenador-geral do MTST Guilherme Boulos, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto e diretor teatral Aderbal Freire Filho estiveram no evento, assim como o ex-prefeito do Rio Saturnino Braga.
O ex-ministro Celso Amorim foi ovacionado pela plateia que cantou "Eô eô, Amorim governador", num sinal de que haveria apoio a uma eventual candidatura do ex-chanceler para o governo do Estado do Rio.
A presidente do PT, Gleisi Hofman, sentou-se ao Lado de Lula no palco.
Do lado de fora, no fim da tarde, um grupo de cerca de cem apoiadores de Lula aguardavam sua chegada com bandeiras e camisas vermelhas. Do outro lado da rua, um grupo de oposição também compareceu após convocação nas redes sociais.
De início, apenas 20 pessoas gritavam palavras de ordem e estendiam cartazes pedindo a prisão de Lula. Logo os grupos de apoio e oposição se igualaram em número.
Apesar disso, não foram registradas maiores desavenças. Sempre que um integrante de um dos lados atravessava a rua para provocar os rivais, a polícia afastava os que estavam com ânimos mais exaltados.

Fonte: diário do nordeste

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