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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Taxação do seguro-defeso pode impactar 9,4 mil cearenses

Opinião: A calamidade do sistema carcerário e a presunção de inocência

Este artigo tem por objetivo debater, a partir de dados e referências históricas, a situação atual do sistema carcerário brasileiro, levando em conta episódios históricos marcantes na história penal brasileira, bem como métodos de análise qualitativos e quantitativos. Com isso, vamos oferecer um debate consistente acerca da importância de se garantir o trânsito em julgado e a presunção de inocência antes de determinar a prisão do réu.


Por Anderson Ribeiro de Freitas

No Massacre do Carandiru, foram disparados 515 tiros, sendo 254 no tronco e pescoço e 126 na cabeça No Massacre do Carandiru, foram disparados 515 tiros, sendo 254 no tronco e pescoço e 126 na cabeça
O sistema carcerário brasileiro está entre os três mais populosos do mundo, superando a Rússia (706 mil) e ficando atrás apenas de China (1,65 milhão) e Estados Unidos da América (2,3 milhões). Essa superlotação, casada à péssima estrutura das penitenciárias, é tema de debate em diversos fóruns de direitos humanos pelo mundo inteiro. O próprio subcomitê de tortura da ONU recomenda que o Brasil trabalhe na humanização de seus presídios, reformulando o sistema carcerário como um todo.

A falta de estrutura, não está só no âmbito da manutenção da vida dos detentos dentro do cárcere – mas também no controle das unidades por parte do governo, que muitas vezes tem um número ínfimo de agentes penitenciários a disposição. Assim, facções dominam os presídios e operam suas atividades ilícitas de dentro das celas e pavilhões.

A consequência é um sistema totalmente desestruturado, incapaz de reabilitar e reinserir na sociedade os detentos, causando um efeito de aprimoramento das características contraventoras dos presos, não gerando expectativa de uma nova vida. Eles são reposicionados na sociedade e retornam às ilicitudes, muitas vezes regressando em pouco tempo para o sistema carcerário.

Esse ciclo de violência, causado pela irresponsabilidade estatal com a vida dos detentos e da sociedade como um todo, é rodeado por uma série de rebeliões violentas ao longo da história do Brasil. Essas rebeliões, potencializadas pela falta de estrutura das casas penitenciárias, são capitaneadas por facções criminosas, que utilizam da revolta dos detentos para desestabilizar o sistema e assassinar rivais. A falta de preparo da polícia para lidar com essas situações corrobora em intervenções extremamente violentas e ineficazes, espalhando uma onda de mortes por todo o sistema.

O Massacre do Carandiru

Um exemplo claro de rebelião onde o Estado não soube atuar e intensificou a violência foi no muito conhecido Massacre do Carandiru, uma das cenas mais críticas da história penal brasileira, que deixou dezenas de mortos e escancarou a situação dos presídios brasileiros para o mundo. Situado na zona norte de São Paulo, o Carandiru abrigava, na década de 1990, mais de 7.200 detentos e era o maior complexo penitenciário da América Latina.

Em 2 de outubro de 1992, iniciou-se em seu interior uma grande operação para conter a rebelião gerada por uma briga em uma partida de futebol. Dois detentos passaram a discutir o resultado de uma falta. No calor da discussão, começou-se uma briga, seguida de uma rebelião que tomou um pavilhão inteiro do complexo do Carandiru, rompendo com o controle policial e instaurando o caos na unidade.


Um total de 325 policiais fortemente armados com metralhadoras, fuzis, pistolas, bombas de gás lacrimogêneo, efeito moral, gás de pimenta e cães adentraram o Pavilhão 9, que na época tinha mais de 2 mil detentos. Iniciaram, assim, a ação que culminaria na morte de mais de 111 detentos, de acordo com a Polícia Militar. Ainda sobre o número de mortos, há uma clara divergência entre as estatísticas afirmadas pela polícia e depoimentos de ex-detentos – segundo os quais o número de mortos passou de 200.

As vítimas foram colocados em carros policiais, caminhões de lixo e ambulâncias pelos presos sobreviventes ao massacre. Conforme um dos peritos criminalistas do Departamento Estadual de Polícia Científica, foi encontrado com os presos um total de 13 revólveres, 12 estiletes, 25 canos de conduite usados como bastão e 175 espadas artesanais. Ainda segundo a perícia, a cena do crime foi adulterada na manhã do massacre, dificultando o trabalho de investigação.

Foram disparados 515 tiros, sendo 254 no tronco e pescoço e 126 na cabeça. De acordo com o jornalista Caco Barcelos – que se debruçou a analisar 33 tiroteios envolvendo a Polícia Militar de São Paulo –, a tática policial mais recorrente em eliminações é a de tiros a queima-roupa na região do tronco e cabeça, sendo em grande parte das vezes com a vítima rendida e desarmada.

No Carandiru, os mais de 2 mil presos do Pavilhão 9 ficavam divididos em 248 celas apenas, uma média de oito presos por cela. Essa política desumana de maus-tratos aos indivíduos do sistema penitenciário vai contra o inciso 3 do artigo 1º da Constituição, que assegura a “dignidade da pessoa humana’’, como valor fundamental da República.

Já o artigo 196 código Civil prescreve: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação”.

Com um número exorbitante de presos por cela, a proliferação de doenças transmissíveis se propaga de maneira absoluta e por muitas vezes irremediável. Essa situação transgride também a Norma 7.210 do Código de Execução Penal. “A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado”, diz esse documento legal. Além disso, “ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei”.

As dezenas de contravenções aos direitos civis por parte do Estado, bem como as de cunho criminal, por conta dos assassinatos gerados pelo massacre, foram devidamente registradas em um processo de mais de 150 volumes. Mais de 85 policiais foram denunciados.

No decorrer do processo, foi condenado apenas o comandante da operação, Coronel Ubiratã Guimarães, a 6 anos por 102 presos assassinados, o que somou mais de 630 anos de regime fechado para o Coronel. Mesmo assim, em 2006 o coronel foi posteriormente absolvido pelos crimes e viveu em liberdade até sua controvérsia morte, no mesmo ano, derivada de um disparo na cabeça de sua arma de fogo.

A situação carcerária do Brasil

De acordo com o levantamento feito pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional) em 2018 e veiculado pelo portal de notícias do G1, os números de detentos no Brasil ultrapassam os 750 mil. A superlotação carcerária – hoje de 400 mil presos – vem aumentando de maneira progressiva desde 2017, como vemos no relato do G1.

Os dados veiculados pelo portal de notícias nos apontam um total de 754,2 mil presos em todo o Brasil – incluindo os que cumprem regime aberto, e os que aguardam transferência nas carceragens das delegacias de polícia. Só que as prisões brasileiras têm capacidade para abrigar cerca de 415,9 mil presos, tendo, portanto, um número de mais de 288 mil a mais, o que representa 69,3% acima de sua capacidade ideal.

Os estados com maior lotação de penitenciárias são: Pernambuco (178,6% a mais que sua capacidade ideal), seguido por Roraima (166,2%), Amazonas (136,8%), Distrito Federal (125,8%) e Mato Grosso do Sul (117,3%). Hoje o número de detentos provisórios (aqueles que ainda aguardam o julgamento de seus processos) soma cerca de 252,5 mil dos mais de 700 mil presos, o que corresponde a 36% do sistema carcerário. Em 2017, havia 668 mil presos e 394 mil vagas (lotação de 69,2%) dos quais 37,6% correspondiam aos presos provisórios. No ano de 2018 o total de detentos era 686 mil, para apenas 407 mil vagas (68.6% de lotação), e 34,4% dos presos eram provisórios

Como apontado nos dados acima, o sistema prisional brasileiro passa, há muitos anos, por um processo de esgotamento de sua capacidade estrutural – e vem cada vez mais se tornando insustentável. Mais de 35% desses presos ainda não tiveram seus julgamentos finalizados e seguem – às vezes por meses ou até mesmo anos inteiros – aguardando sua sentença atrás das grades. Mais de 1/3 do sistema carcerário é formado por réus primários, que por muitas vezes acabam por sair sem perspectivas, doentes e até mais envolvidos com o mundo do crime do que antes da prisão.

Na busca por alternativas para um sistema penal e carcerário mais eficaz no combate ao crime, vem sendo debatido pelo Supremo Tribunal Federal e pelos juristas brasileiros, a viabilidade da prisão decretada para processos que estão ainda em segunda instância, antes do trânsito em julgado. Antes de partir a esse debate, gostaria de apresentar mais um fato da história recente do Brasil, em que a péssima situação carcerária resultou em rebeliões.

A rebelião no presídio em Altamira

Recentemente, no dia 29 de julho de 2019, uma rebelião causada por brigas entre facções rivais deixou 62 mortos dentro da penitenciária de Altamira, no interior do Pará. O complexo contava com 343 presos – mais que o dobro do número recomendado pelo Depen, que era 163. Para manter a ordem, o sistema possuía apenas 33 agentes penitenciários – o que corresponde a um único policial para cada 10 detentos.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, um padre que se encontrava preso no momento da rebelião declarou: “Aqui não é humano. Uma cela de 2 metros, que normalmente se destinaria a um preso, era na verdade utilizada para manter quatro de uma vez só”.

A rebelião, originada pela disputa de duas facções sobre o controle do presídio, terminou com uma guerra violenta brutal onde foram mortos 62 detentos. Destes, 16 foram decapitados. É importante ressaltar que 26 dos mortos em Altamira eram presos provisórios e aguardavam suas sentenças.

A falta de estrutura não é a razão motriz para as guerras entre facções criminosas. Mas o enraizamento das facções nos presídios está ligado à limitada tecnologia e estrutura com a qual o Estado administra essas unidades. A falta de controle precede a falta de habilidade para controlar. Tudo isso, somado às condições insalubres, alimenta a revolta dentro dos seres humanos submetidos ao cárcere, causando enorme prejuízo à vida dos detentos, dos policiais e demais funcionários da unidade carcerária, bem como da comunidade ao redor.

As organizações criminosas dentro dos presídios brasileiros afetam, inclusive, a própria legitimidade do sistema e do cumprimento às leis brasileiras. De que adianta termos tantas prisões se elas servem muitas vezes de “quartéis generais do crime’’, onde as facções exercem livremente suas atividades e aumentam seus lucros de dentro das estruturas financiadas pelos contribuintes brasileiros?

Das prisões em segunda instância

Num sistema em que a ideia de ressocialização está completamente falida – e no qual inúmeros presos ainda não foram julgadas e estão sofrendo as mazelas desse sistema –, é preciso garantir a presunção de inocência para que se evite condenar pessoas que podem ser inocentes a essas condições. De acordo com dados do Superior Tribunal de justiça veiculados no G1, há cerca de 5 mil processos que estão em segunda instância e aguardam o julgamento de recursos deferidos pelas defesas.

Recentemente, uma decisão do STF contra a prisão antes do trânsito em julgado do processo vem sendo tema de debate na comunidade jurídica. A Corte se apoiou no artigo 5º da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Neste artigo, nossa Constituição determina categoricamente que a presunção de inocência deve ser respeitada, e o réu tem direito a todos os recursos cabíveis para que seja provada – ou não – sua inocência perante aos tribunais. É necessário, ainda, diferenciar a prisão em segunda instância da prisão preventiva – um dispositivo legal usado para encarcerar réus que apresentem perigos à investigação, à sociedade ou pegos em flagrante em seus delitos. No caso de algum réu que apela à segunda instância, mas está em prisão preventiva, sua liberdade será subtraída, mesmo com os recursos pendentes, em razão das condições passíveis de prisão preventiva no caso.

Na prática, como diversos direitos fundamentais são transgredidos dentro das penitenciárias brasileiras, faz-se ainda mais necessário garantir a presunção de inocência. Uma vez que esse sistema é prejudicial à saúde, à dignidade e à vida das pessoas que, culpadas ou não, estão submetidas a ele, é de imensurável injustiça colocar alguém que pode ser inocente sob essas condições.

Nossa constituição é clara, no artigo 5º, inciso III: “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante’’. Com base nisso, podemos reforçar três ideias: 1) Não se deve submeter os detentos aos tratamentos e estruturas desumanas das unidades penitenciárias; 2) É inconstitucional o modo como são tratados os detentos no Brasil; 3) Deve-se garantir a integridade de todas as pessoas em nossa sociedade.

Considerando nosso escopo jurídico atual e a situação das cadeias no Brasil, é totalmente inconcebível que os réus em segunda instância – em que ainda se busca condenação ou absolvição – sejam submetidos a essas estruturas antes do trânsito em julgado, antes que se esgotem os recursos e o Poder Judiciário possa usar toda a sua ótica de Justiça para analisar e definir o caso.

O Brasil é um país de muitas injustiças, e o sistema judiciário deve ser a instituição nodal na construção de uma sociedade mais justa. Com penas mais justas e com o princípio da ampla defesa, esse sistema pode nos levar à justiça conclusiva, acertada e legítima.

* Anderson Ribeiro de Freitas é diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo (DCE Livre da USP)

    Novo urbanismo em destaque na Caucaia

    É neste sábado (23) a entrega da primeira fase da Cidade Cauype, em Caucaia, empreendimento com capacidade para uma população de 32 mil pessoas, chancelado pela Luciano Cavalcante Imóveis (LC Imóveis). Conheça mais detalhes a seguir.

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    A Cidade Cauype se localiza na Fazenda Coité, em Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza), na rodovia CE-421, entre o Porto do Pecém e a Praia do Cumbuco, às margens da Lagoa do Cauípe. O evento de inauguração do complexo vai reunir compradores, empresários e autoridades das 13 horas às 17 horas, tendo como destaque um show com o sanfoneiro Waldonys.
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    Lançada em 2016, a Cidade Cauype leva a assinatura do renomado arquiteto e urbanista Jaime Lerner. Trata-se de projeto de comunidade planejada baseada no novo urbanismo, o qual tem como mote que as pessoas morem, trabalhem e se divirtam no mesmo local, sem muitos deslocamentos, descreve Luciano Cavalcante Filho, Diretor-Presidente da LC Imóveis.
    Qualidade de vida
    Segundo Luciano Cavalcante Filho, a obra tem um Valor Geral de Vendas (VGV) total de R$ 120 milhões. Nessa primeira fase, será entregue uma área de 604.565,98 m², correspondente a 20% do empreendimento, com infraestrutura de energia, água e saneamento prontos para construção, além de pavimentação asfáltica e paisagismo. Essa primeira etapa de construção da Cidade Cauype abriga 830 lotes, entre comerciais e residenciais, e teve investimento de R$ 20 milhões.

    “As cidades planejadas são projetos urbanísticos que visam o desenvolvimento de grandes áreas habitacionais e têm se mostrado uma solução inovadora para estimular o ordenamento territorial, especialmente em áreas como a que temos no Pecém. A Cidade Cauype é a tradução exata desse conceito.” Luciano Cavalcante Filho, Diretor-Presidente da LC Imóveis.
    O Diretor-Presidente da LC Imóveis diz que o complexo contará com shopping, posto de gasolina, hospital, colégio, universidade, creche, farmácia, entre outras facilidades, contemplando o novo urbanismo, grande diferencial do empreendimento.
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    Luciano Cavalcante Filho defende que, além de toda infraestrutura e da qualidade do projeto, conforto e luxo são outros motes da Cidade Cauype, uma vez que “ter tempo para você é luxo. Quem mora em Fortaleza e precisa vir ao Pecém trabalhar leva cerca de três horas nesse deslocamento de ida e volta. Vimos a necessidade de fazer uma cidade planejada, para as pessoas terem tempo e qualidade de vida”, assinala o gestor.
    “As cidades planejadas são projetos urbanísticos que visam o desenvolvimento de grandes áreas habitacionais e têm se mostrado uma solução inovadora para estimular o ordenamento territorial, especialmente em áreas como a que temos no Pecém. A Cidade Cauype é a tradução exata desse conceito. Estamos deixando uma semente para as próximas gerações, pois está muito bem construída. A questão da mobilidade urbana, as áreas verdes, a infraestrutura, tudo foi planejado”, completa Luciano Cavalcante Filho.
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    Depois de três anos desafiadores nas áreas financeira e imobiliária, chegar a 2019 com 50% dessa primeira fase comercializada é algo positivo para o Diretor-Presidente da LC. Os lotes têm preço a partir de R$ 60 mil, com condições de pagamento em até dez anos diretamente com a incorporadora.
    Potencial
    “Nosso projeto foi pensado para uma população de 32 mil pessoas em cinco etapas. Com a consolidação cada vez maior da região do Pecém, não somente pelas atividades do porto, mas por todas as oportunidades de trabalho com as indústrias e as empresas instaladas, temos um público mais interessado em fixar moradia na região”, explica Luciano Cavalcante Filho.

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    Ele pontua que o porto está crescendo numa velocidade grande e que o governo investirá R$ 23 milhões na Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE), num terreno vizinho ao da Cidade Cauype. "Toda a região vai crescer muito. Tenho convicção de que o melhor investimento do Ceará é investir no Pecém. Tem muito o que fazer lá”, acrescenta.
    Detalhes
    O projeto da Cidade Cauype começou a se desenhar 24 anos atrás, em 1995, quando foi projetado o Porto do Pecém. Seguindo o pensamento vanguardista da imobiliária, o empreendimento foi pensado já para atender uma futura necessidade de trabalhadores da região. Hoje, a demanda é uma realidade que chama atenção, visto que o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) – uma das instalações da Zona de Processamento de Exportação do Pecém (ZPE Pecém) – é referência no Brasil em aglomerados industriais, inclusive por sua localização privilegiada, mais próxima da Europa e dos Estados Unidos.

    A obra tem um Valor Geral de Vendas (VGV) total de R$ 120 milhões. Nessa primeira fase, será entregue uma área de 604.565,98 m², correspondente a 20% do empreendimento, com infraestrutura de energia, água e saneamento prontos para construção, além de pavimentação asfáltica e paisagismo.
    O empreendimento da LC Imóveis fica a apenas 30 km do Centro de Fortaleza, dentro da área do CIPP, e a 6 km do Porto. Trata-se de um loteamento com área total de 4.376.221m² que evoluirá em cinco etapas junto com o desenvolvimento da área.
    A empresa
    A Luciano Cavalcante Imóveis atua no mercado imobiliário de Fortaleza desde 1983, destacando-se pela solidez, confiabilidade e credibilidade no desenvolvimento de seus negócios, como lançamentos imobiliários, comercialização de imóveis usados, de terceiros e loteamentos. Entre os cases que coleciona estão a comercialização de 70% dos prédios da Avenida Beira Mar, o lançamento do Alphaville Fortaleza (anos 2000), o LC Corporate Green Tower, com seu conceito de edifício verde, e agora a Cidade Cauype.

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    Saiba mais
    Inauguração da primeira etapa da Cidade Cauype
    Data: 23 de novembro de 2019 (sábado)
    Horário: 13h às 17h
    Local: Cidade Cauype (Rodovia CE-421, s/n, Fazenda Coité, Caucaia-CE)


    Fonte: Diário do Nordeste

    Lei aprovada nos EUA ataca a soberania chinesa em Hong Kong

    Na noite do dia 20, os EUA lançaram mais um ataque contra o direito internacional, os princípios basilares da Carta das Nações, a soberania e a verdade.


    Por Alexandre Figueiredo, André Coutinho e Ticiana Álvares*

    Ilustração: Tainan Rocha
       
    Com aprovação do Senado, na quarta-feira (19), e da Câmara dos Representantes, na quinta-feira (20), o Congresso dos Estados Unidos enviou à sanção de Donald Trump uma “Lei de Direitos Humanos e Democracia de Hong Kong”. Se o presidente não der ouvidos nem às vozes moderadas dos EUA, nem à dura resposta de Pequim e, de fato, sancionar essa lei, haverá mais um elemento a complicar os já difíceis entendimentos quanto à guerra comercial em curso.

    Sem nenhum pudor, sem qualquer nota explicativa, a mesma Washington que apoia a barbárie golpista na Bolívia levanta a bandeira dos direitos humanos e da democracia em Hong Kong. Quando cai a qualidade da hipocrisia, é hora de começar a falar a verdade. Essa lei se soma a uma série de atos hostis contra a China com o único objetivo de conter a sua ascensão econômica e, sobretudo, seu avanço no domínio da indústria de alta tecnologia.

    A partir de um olhar mais apurado, é possível verificar interesses além da retórica “da democracia e dos direitos humanos”, que aliás não parece ser uma preocupação estadunidense, haja vista os apoios às barbáries que são executadas mundo afora pelos próprios e seus aliados (Israel, Arábia Saudita etc.). Hong Kong é um dos maiores centros financeiros mundiais, faz fronteira terrestre com Shenzhen, cidade sede da primeira Zona Econômica Especial, importante centro tecnológico e considerado o “Vale do Silício” da China. Ademais, está localizada no litoral do Mar do Sul da China, mar por onde circula a maior parte do comércio e da energia na Ásia e que vem sendo locus de tensionamentos constantes, estimulado pelos EUA, com objetivo claro de criar litígios entre os países do Sudeste Asiático e influenciar na balança de poder na região, de maneira a tentar evitar uma maior influência chinesa.

    Desde 1997, quando Hong Kong foi reincorporada à China após 155 anos de ocupação britânica, encerrando um período de colonialismo assassino que ainda deixa marcas, os EUA deram status econômico especial à ilha, outorgando benefícios tarifários para as exportações. A lei que o Congresso entregou a Trump determina que Washington avaliará, anualmente, se mantém ou não esse status que dão a Hong Kong. Além disso, traz normas rígidas para a concessão de vistos e prevê a cassação do visto e outras sanções a pessoas que os EUA definam, subjetivamente, como causadores de danos aos direitos humanos e à democracia em Hong Kong.

    Ora, o status especial estabelecido para as relações comerciais não se deveu à generosidade norte-americana, mas sim, como costuma ser, na economia: havia então, como há hoje, fortes interesses empresariais dos Estados Unidos em Hong Kong. Mais de 1300 empresas dos EUA atuam na ilha, muitas das quais tendo ali inclusive sua sede asiática. Não à toa, a Câmara Americana de Comércio local já externou suas preocupações com os efeitos desse projeto.

    E eles serão graves. Com essa lei, os EUA dizem explicitamente não reconhecer a política chinesa de “um país, dois sistemas” e se arrogam no direito de editar normas sobre questões internas de outros países. Trata-se de um grave precedente. Nós, latino-americanos, conhecemos bem as consequências da Emenda Platt, pela qual os EUA estavam autorizados a interferir em Cuba sempre que considerasse pertinente. Quando um Estado reivindica jurisdição sobre o território de outro, é todo o sistema internacional que está ameaçado.

    Marco Rubio, senador republicano, foi transparente no reconhecimento da violação da soberania chinesa. Segundo ele, com essa lei os EUA dizem aos manifestantes de Hong Kong que não eles estarão passivos enquanto Pequim “atacar sua a autonomia”. No lado do Partido Democrata, o senador Bob Menendez twittou uma velha e desgastada retórica: “os EUA são o farol de luz e solidariedade para os milhões que anseiam por libertação”. As palavras “autonomia” e “libertação” dirigidas a uma província de um Estado soberano são reveladoras dos verdadeiros interesses de Washington.

    Geng Shuang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, disse, no dia 20, que Pequim entende essa lei como uma agressão e interferência indevida nos assuntos internos da China, frisando tratar-se de uma violação do direito internacional e das normas básicas que regem as relações internacionais. Afinal, ao contrário do que os congressistas dos EUA querem fazer entender, Hong Kong é parte da China e seus assuntos internos são assuntos internos da China.

    As manifestações que vem acontecendo tem sido fortemente estimuladas de fora para dentro, atendendo a anseios que visam atingir a coesão do projeto nacional chinês a fim de enfraquecer a China diante das disputas comerciais, tecnológicas e geopolíticas em geral. A razão pela qual as manifestações começaram já não existe e houve um esvaziamento da pauta, ficando cada vez mais claro que trata-se de uma Guerra Híbrida, com enredo muito parecido com as chamadas “revoluções coloridas”.

    A lei norte-americana é mais um elemento externo com o objetivo de desestabilização. Ao contrário de contribuir para uma solução, ela traz mais elementos de radicalidade e instabilidade. O verdadeiro interesse de Washington é o prolongamento do desgaste em Hong Kong e das consequências nocivas dos distúrbios na ilha onde está a terceira maior bolsa de valores do planeta e por onde passa uma grande parte da economia asiática. Bloqueá-la, em um contexto de guerra comercial, é claramente favorável a interesses norte-americanos e nada tem a ver com “os diretos humanos e a democracia”.


     *Alexandre Figueiredo, André Coutinho e Ticiana Alvares integram o Instituto Sul Global

      Setor de serviços puxa geração de emprego no CE com 10 mil vagas

      Desenvolvimento do turismo no Estado é apontado como um dos motivos do resultado positivo do setor entre janeiro e outubro deste ano. Ao todo, foram criados 8,8 mil novos postos de trabalho no Estado no período

      Na avaliação do presidente da Fecomércio-CE, o grande potencial turístico do Ceará explica o êxito e boa fase do segmentoFoto: Kid Júnior

      Na tentativa de esboçar uma reação à recessão brasileira, o mercado de trabalho formal do Ceará gerou 8,8 mil novas vagas de janeiro a outubro deste ano. O volume representa leve alta de 0,77% em comparação a igual período de 2018, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.
      Na contramão dos outros segmentos, o setor de Serviços já conseguiu engatar um ritmo constante de abertura de novos postos de trabalho, tendo criado 10,7 mil vagas neste ano no Estado.
      O grande potencial turístico do Ceará explica o êxito e boa fase do segmento, apesar de todas as dificuldades. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Maurício Filizola, aponta que o Governo Federal tem tomado algumas medidas que melhoram a confiança do empresário. 
      “Nós já tivemos a aprovação da reforma da Previdência, também foi lançado um mecanismo para impulsionar a empregabilidade, tudo isso contribuído para a melhora dos níveis de emprego”, destaca Maurício Filizola..
      Subemprego
      O programa a que ele se refere é o Verde-Amarelo, lançado pela equipe econômica do presidente Bolsonaro na semana passada. O projeto tem por objetivo aumentar a contratação de jovens de 18 a 29 anos, com remuneração de até 1,5 salário mínimo.
      O economista Gilvan Farias ressalta que a proposta, caso aprovada, pode até melhorar um pouco os números do emprego formal, mas impõe condições de subempregos. “Não adianta crescer gerando subempregos, onde o trabalhador não tem mais segurança. Por exemplo, a contribuição patronal para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 8% para 2%, ou seja, o trabalhador vai ter o benefícios diminuído em 80%”.
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      Ele lembra que os níveis de remuneração do trabalhador no Ceará já são, historicamente, menores que a média brasileira.
      “O investimento do Governo não deveria ir todo para projetos que só irão beneficiar as classes média e alta. Deveria investir em setores estratégicos, que gere empregos de qualidade e rendimentos compatíveis, porque, com um salário melhor, o trabalhador trabalha com mais afinco, atinge uma produtividade melhor”.
      Sobre o destaque dos serviços, ele revela que é apenas uma questão de proporção. “Os serviços é o principal segmento da economia. A atividade do setor é a maior em relação às demais. Então, é natural que os maiores números sejam observados nele”.
      Comércio
      O setor do comércio emplacou o terceiro mês consecutivo de saldo positivo no Ceará, após fechar mais do que abrir empregos durante seis dos dez meses analisados até agora. Em outubro, foram 8,3 mil admissões e 7,3 demissões, resultando em um saldo de 961 postos de trabalho. Ainda assim, de janeiro a outubro, o saldo ficou negativo em 1,9 mil vagas, o segundo pior do Estado, atrás somente da construção civil, que encerrou 2,3 mil empregos no ano.
      Filizola afirma que, por conta da crise, o comércio ainda não conseguiu recuperar seus resultados, mas espera que, nós próximos meses, as contratações do setor sejam retomadas.
      “Além dessas reformas e novas propostas do Governo, neste período de fim de ano, com a Black Friday e Natal, temos um maior volume de vendas. Com a entrada do 13º salário também, a expectativa é de melhora. Estamos no primeiro ano do novo Governo, são tempos de ajustes, precisamos de um pouco de paciência para ver a retomada”, diz o presidente.
      O economista conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon), Vicente Ferrer, aponta que o consumo das famílias tem aumentado e, com isso, também o número de empregos gerados no País.
      “Aliado a isso, algumas reformas já foram aprovadas e outras estão se encaminhando para serem apresentadas. O Ceará está bem em relação ao restante do País. São Paulo, por exemplo, concentra 40% do PIB do Brasil e gerou 11,7 mil empregos. Considerando que o Ceará gerou 3,4 mil, estamos bem”. 
      Segundo o Caged, o Estado apresentou o quinto melhor saldo do País, mesma colocação da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
      Construção Civil
      Sem novos lançamentos, um estoque de unidades ainda alto e atrasos nos repasses do Governo para o Minha Casa, Minha Vida, a construção civil no Ceará ainda sofre. Em outubro, o setor fechou 96 empregos, acumulando a perda de 2,3 mil no ano. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, revela que o Estado ainda possui 6,5 mil imóveis em estoque além de R$ 30 milhões em atraso do MCMV. 
      “As empresas vão terminando as obras que já estão em andamento e não iniciam novas, o que gera demissões. O MCMV também representa uma parcela alta dos nossos empreendimentos, de forma que esses atrasos nos prejudicam muito. Na minha empresa mesmo, iniciei o ano com 1,2 mil empregados e agora só estou com 400”, destaca.

      Fonte: Diário do Nordeste