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sexta-feira, 14 de maio de 2021

No Dia de Denúncia Contra o Racismo, manifestações se espalham pelo país

 Organizadores do atos divulgaram manifesto e homenagearam vítimas de operação policial no Jacarezinho.

Movimentos populares em Manifestação contra o racismo e o genocídio da população negra: “Nem bala, nem fome e nem Covid. O povo negro quer viver!”. São Paulo, SP. 13 de mail de 2021. Foto: Roberto Parizotti.

No dia em que se completam 133 anos da Abolição da Escravidão no Brasil, milhares de manifestantes pediram justiça por mortes ocorridas em operações policiais e gritavam palavras de ordem, durante ato contra o racismo realizado nas ruas do centro do Rio de Janeiro e de São Paulo, nesta quinta-feira (13). Manifestações denunciando o racismo se espalharam por outras capitais.

O movimento Coalização Negra por Direitos, que reúne 200 entidades, organizou os atos. No Rio, a manifestação homenageou os 27 mortos do Jacarezinho, comunidade da zona norte. Hoje a operação considerada como a mais letal do Rio de Janeiro completa uma semana.

Foto: Roberto Parizotti

Na Avenida Paulista, o ato contra o racismo tinha como lema  “Nem Bala, Nem Fome, Nem Covid. O Povo Negro Quer Viver”. O protesto reivindicou ainda o auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia, já que a população carente tem sido uma das mais afetadas pela covid. A manifestação ocorreu na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a partir das 17 h.

“Nós, negras e negros brasileiros em Coalizão Negra por Direitos, denunciamos ao mundo que vivemos em um país no qual amanhã poderemos estar mortos, pelo fato de sermos negros. Seja pelo coronavírus, seja pela fome, seja pela bala, o projeto político e histórico de genocídio negro avança no Brasil de uma forma sem limites e sem possibilidade concreta de sobrevivência do povo negro”, diz texto do manifesto divulgado pela coalizão.

O documento também destaca as mortes no Jacarezinho, no Rio de Janeiro, o crescimento da pobreza e desemprego no país e a falta de vacinas no Brasil. 

Os protestos ocorreram por todo o Brasil, em capitais do Norte e do Nordeste, como Rio Branco (AC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

Apesar de a data ser oficialmente o Dia da Abolição da Escravatura, a Coalização Negra por Direitos reconhece o 13 de maio como Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Neste ano, além da ação policial no Jacarezinho, os atos também lembram o agravamento da fome no país por causa da pandemia de covid-19.

Foto: Roberto Parizotti

Bolsonaro poderia salvar vidas com vacinas da Pfizer, dizem deputados

 Governo brasileiro ignorou oferta de 70 milhões de vacinas da Pfizer em 2020. Deputados acreditam que celeridade do governo em tratativas para garantir vacinas que estavam disponíveis para o país poderia ter salvado centenas de milhares de vidas

por Christiane Peres

Mesa diretora da CPI da Covid (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A Covid-19 já vitimou quase 430 mil brasileiros desde o início da pandemia. No entanto, caso a postura do governo brasileiro em relação à pandemia fosse outra, muitas vidas poderiam ter sido preservadas. É o que avalia lideranças na Câmara dos Deputados, a partir do depoimento do presidente da Pfizer da América Latina e ex-presidente da farmacêutica no Brasil, Carlos Murillo, nesta quinta-feira (13), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

De acordo com Carlos Murillo, o diálogo entre a Pfizer e o governo federal por vacinas começou em maio de 2020 e, em agosto foram feitas duas ofertas, uma de 30 milhões de doses e outra de 70 milhões de doses a serem entregues em 2020 e 2021. Na ocasião, no entanto, as negociações não avançaram.

“Nossa oferta de 26 de agosto tinha uma validade de 15 dias. Passados os 15 dias, o governo brasileiro não rejeitou, mas tampouco aceitou a oferta”, disse o dirigente da Pfizer. “Depois de feitas essas ofertas, data de 12 de setembro, nosso CEO enviou uma carta ao governo do Brasil se oferecendo para um acordo”, completou o representante da farmacêutica.

“As primeiras reuniões de tratativa da vacina da Pfizer com o Brasil, sobre a oferta de vacina, começaram em maio de 2020. Passado um ano das primeiras negociações, os números de mortos no Brasil seguem subindo. Nas últimas 24h foram 2.545 mortes por Covid”, lamentou o líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE).

Para o vice-líder da legenda, deputado Daniel Almeida (BA), “o cenário de horror” que vive o Brasil poderia ser diferente, caso “houvesse um gestor decente que se preocupasse com as vidas”. “Bolsonaro é genocida sim, e precisa ser responsabilizado”, pontuou.

O deputado Orlando Silva (SP) também classificou a postura do governo brasileiro como “negligência criminosa”. “Se Bolsonaro não tivesse ignorado a oferta da Pfizer em agosto de 2020, seriam entregues ao Brasil 18,5 milhões de doses de vacinas até junho de 2021. Centenas de milhares de vidas teriam sido salvas. Bolsonaro é um genocida”, afirmou.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) também classificou Bolsonaro de “genocida”, após a confirmação do executivo da Pfizer de que o governo brasileiro ignorou ao menos três ofertas de vacinas. “Salvar vidas nunca foi o objetivo desse presidente genocida”, disse Alice.

“A vacinação nunca foi prioridade. Apostaram e criaram o caos sanitário”, completou a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP).

“Genocida”

A deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, destacou que o executivo confirmou na CPI da Covid não ter recebido retorno sobre a carta com propostas de vacinas para o Brasil. “Disse que foram ofertadas 70 milhões de doses, 1,5 milhão de para 2020. 110 países fecharam acordo e o GENOCIDA IGNOROU! #CPIdaCovid”, postou no Twitter.

O líder do partido na Câmara, Bohn Gass, diz que o gerente confirmou o fato grave de o governo ignorar as vacinas. “É a comprovação da negligência genocida”, afirmou. Outra revelação é que Bolsonaro chamou seu assessor Filipe Martins para a reunião com a Pfizer.

“Aquele que é acusado de, numa audiência no Senado, ter feitos gestos característicos do movimento racista da supremacia branca. Deu no que deu: Brasil sem vacina e quase meio milhão de mortes”, disse.

Ele também questionou a presença do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) no encontro com a empresa. “Desde quando ser filho do presidente autoriza alguém a participar de reuniões que decidem medidas vitais para o país como a compra de vacinas? Carluxo é vereador, não ministro e, do que sei, cursou ciências aeronáuticas, portanto, nada entende de vacina”, protestou.

Para o líder da minoria na Casa, Marcelo Freixo (PSOL-RJ), também considerou grave a participação de Carlos Bolsonaro e Filipe Martins, assessor supremacista de Bolsonaro, participarem de reunião para negociar vacina com a empresa. “Eles precisam ser convocados pela CPI da Covid!”, disse.

“Executivo da Pfizer confirmou que ofereceu 70 milhões de doses de vacinas para o Brasil em 2020. E que poderiam ter sido entregues, ainda no ano passado, 1,5 milhão de doses. Mas o governo Bolsonaro ignorou”, criticou o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ).

Fonte: Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados


 

Com mais de 430 mil mortes, 22 estados apresentam desaceleração

 Covid-19: Brasil tem 430.417 mortes e 74.592 novos casos da doença. Apesar de queda, Brasil tem 2.340 mortes em 24 h e média de 1.917 por dia.

Governo de SP amplia vacinação contra Covid-19 para as estações do Metrô, trem e ônibus. Foto GovSP

O Brasil bateu a marca das 430 mil vidas perdidas para a pandemia do novo coronavírus. Nas últimas 24 horas foram registradas 2.383 novas mortes. Com isso, o total de vítimas que não resistiram à covid-19 chegou a 430.417.

Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 1.917 –abaixo da marca de 2 mil pelo terceiro dia seguido. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -24%, indicando tendência de queda nos óbitos decorrentes do vírus. É a maior queda percentual registrada desde o dia 11 de novembro (quando ficou em -27%).

Ainda há 3.671 óbitos em investigação. Isso ocorre porque há casos em que um paciente morre, mas a causa segue sendo apurada mesmo após a declaração do óbito.

A quantidade de pessoas infectadas pelo vírus desde o início da pandemia alcançou 15.433.989. Entre ontem e hoje, foram confirmados por secretarias estaduais de saúde 74.592 novos diagnósticos positivos da doença. Até ontem, o sistema de informações do Ministério da Saúde marcava 15.359.397 pessoas contaminadas desde o início.

A média móvel nos últimos 7 dias foi de 61.115 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de 0% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos.

Ainda há no país 1.024.243 casos em acompanhamento. O termo é empregado para as pessoas infectadas e com casos ativos de contaminação pelo novo coronavírus.

O número de pessoas que se recuperaram da covid-19 desde o início da pandemia alcançou 13.979.329. Isso equivale a 90,6% do total de pessoas que foram infectadas com o vírus.

Os números são em geral mais baixos aos domingos e segundas-feiras em razão da menor quantidade de funcionários das equipes de saúde para realizar a alimentação dos dados. Já às terças-feiras os resultados tendem a ser maiores pelo envio dos dados acumulados.

Estados

Situação epidemiológica da covid-19 no Brasil (13/05/2021).

O ranking de estados com mais mortes pela covid-19 é liderado por São Paulo (102.934). Em seguida vêm Rio de Janeiro (47.355), Minas Gerais (36.753), Rio Grande do Sul (26.442) e Paraná (24.185). Já na parte de baixo da lista, com menos vidas perdidas para a pandemia, estão Roraima (1.564), Amapá (1.606), Acre (1.607), Tocantins (2.693) e Alagoas (4.446).

Nenhum estado apresenta tendência de alta nas mortes. Já com tendência de queda aparecem 21 estados e o DF. É a primeira vez na pandemia que se registram tantas unidades federativas com óbitos em queda simultaneamente.

É a maior quantidade de estados em desaceleração de mortes ao mesmo tempo

Vacinação

Balanço da vacinação contra Covid-19 desta quinta-feira (13) aponta que 37.744.357 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados pelo consórcio da imprensa até as 20h. O número representa 17,82% da população brasileira.

A segunda dose já foi aplicada em 18.807.027 pessoas (8,88% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal.

No total, 56.551.384 doses foram aplicadas em todo o país.

De ontem para hoje, a primeira dose foi aplicada em 546.686 pessoas e a segunda dose em 148.055, com um total de 694.741 doses aplicadas neste intervalo.

Live | O Futuro do Mercado de Trabalho

 

Organizado por: Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior

Data: Quarta, 19 de maio 2021, 16h - 18h

Local: Evento online



Olá,

Neste mês de maio, o projeto "Conexão Secitece - Todos pela Ciência" terá sua programação dedicada ao tema Trabalho. Os eventos vão discutir as tendências do mercado e a forma de garantir uma performance profissional eficiente, sem abrir mão de uma rotina tranquila, utilizando, para isso, a Ciência e a Tecnologia como aliadas.


A transformação das relações "patrão e empregado", a adoção de novos modelos, como o home office, e a inclusão de ferramentas tecnológicas no universo trabalhista serão debatidas na live “O Futuro do Mercado de Trabalho”, no dia 19/5, a partir das 16h, com mediação do secretário Inácio Arruda e participação de nomes importantes dos meios sindicalista e formação profissional: Adilson Araújo (CTB), Ozair Gomes (Seitac), Ivonísio Mosca (SindPD), Silas de Alencar (Instituto Centec) e Vladyson Viana (SINE/IDT).

Nos vemos lá,
Fonte: Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Bolsonaro está na “contramão do mundo” na vacinação, aponta estudo

 A urgência nas negociações para garantir vacinação de toda a população brasileira, em um contexto de escassez global, é destaque da nota técnica 30, elaborada pela Rede de Pesquisa Solidária da USP

Fotomontagem sobre imagem do Governo de São Paulo

O Brasil, até o momento, vacinou cerca de 14% de sua população, apenas 7%, com as duas doses necessárias, e a produção brasileira, concentrada na Fiocruz e no Instituto Butantan, “provavelmente não dará conta da necessidade de vacinar sequer com a primeira dose o conjunto da população”. Esses dados ganham destaque na mais recente nota técnica elaborada pela Rede de Pesquisa Solidária, que busca responder à pergunta: “Por que o governo federal está na contramão do mundo” na vacinação contra a covid-19?

No mundo, até o mês de abril, 82% do total de doses foram aplicadas nos países de renda alta e média alta. Somente 0,2% das doses foi direcionado para os países de renda baixa. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo documento, o principal gargalo da vacinação brasileira não está na capacidade do sistema de saúde em aplicar as doses de forma rápida, nem na falta de recursos, mas na disponibilidade de vacinas em quantidade suficiente para atender à população. “Governos de diferentes matizes ideológicas compreenderam que não haveria produção suficiente de doses e apostaram em várias vacinas simultaneamente”, mas o Brasil teria seguido o caminho contrário, como registram.

Gráfico 1 – Porcentual de pessoas totalmente vacinadas por continente

Apesar do aumento na cobertura vacinal, há desigualdade de acesso aos imunizantes entre continentes e países (alguns sem registro de acessos a uma única dose ou poucas remessas) como Camarões, Chade, Mauritânia, Papua-Nova Guiné, Kirguistão, Níger, Líbia, Namíbia – Fonte: Our World Data <https://ourworldindata.org/

“Na contramão do mundo”

“O governo brasileiro escolheu um caminho diferente: assinou o primeiro contrato apenas em setembro de 2020 e com apenas um fabricante”, em referência ao contrato de transferência de tecnologia entre a Fiocruz e a AstraZeneca, para produção de 200 milhões de doses em território brasileiro. Os EUA, por exemplo, fecharam um acordo de mais de US$ 400 milhões com esta mesma fabricante, mas em maio de 2020. 

O acordo com o Instituto Butantan, outro principal produtor, foi firmado em janeiro de 2021, após pressões do governo do Estado de São Paulo e da sociedade. “Essa é a principal evidência da falta de estratégia para enfrentar a pandemia”, aponta a nota.

“O Brasil, equivocadamente, recusou-se a apoiar a proposta de suspensão temporária das patentes proposta pela Índia e África do Sul.” Além disso, são ressaltadas a baixa capacidade produtiva brasileira e a falta de investimentos: “Novos fabricantes precisam entrar em cena, em especial nos países emergentes”.

Os pesquisadores ressaltam ainda que o Brasil tem condições financeiras para comprar as doses necessárias para a imunização da população. “[O preço pago pela vacina] não é pouco, certamente, mas é muito menos do que os custos sociais e econômicos da pandemia.” Em 2020, o PIB brasileiro caiu 4,1%, o que representa aproximadamente R$ 300 bilhões a menos de renda gerada no País. Segundo a nota, o custo da vacinação representaria menos de 20% da arrecadação perdida em 2020 em virtude da pandemia. 

Eles relembram também a recém-adotada estratégia de permitir que o setor privado compre e distribua vacinas à população. “É equivocada e ineficaz, porque os grandes fabricantes estão comprometidos com vendas para governos e não negociam com o setor privado”, reforçando que a imunização é uma questão de saúde coletiva e não individual.

Escassez de vacinas

Em 2019, o mundo aplicou cerca de 5,5 bilhões de doses de vacinas e, atualmente, as estimativas apontam para uma demanda mundial de mais de dez bilhões de doses até o final de 2022 para conter a pandemia. Até meados de abril deste ano, cerca de 1 bilhão de doses haviam sido aplicadas no mundo todo, cerca de 13 doses para cada 100 pessoas.

Isso em um cenário de escassez mundial de vacinas, agravado por um alerta presente na nota: a disseminação descontrolada e rápida do sars-cov-2 nos países em desenvolvimento aumenta as chances de surgimento de novas variantes do vírus, o que pode reduzir a eficácia das vacinas já desenvolvidas.

“O alto volume de capital e de tecnologia necessário para seu desenvolvimento e produção, associado ao risco e à incerteza que caracterizam o setor, ajuda a explicar a existência de um número reduzido de grandes fabricantes de vacinas”, registram.

Gráfico 2 – Número de vacinas em testes clínicos no mundo (5/5/2021)

Ainda que haja um número reduzido de fabricantes, o investimento de alguns países permitiu a criação simultânea de várias vacinas em tempo recorde. Em abril deste ano foram identificadas 96 novas vacinas em testes clínicos em humanos, a maior parte (32) ainda na primeira fase – Fonte: OMS/Reprodução Rede de Pesquisa Solidária

Um levantamento dos investimentos em pesquisa e inovação realizado por vários governos para enfrentar a pandemia, presente na nota, indica que bilhões de dólares haviam sido alocados na criação de novas vacinas. No caso do Brasil, o estudo constata a “necessidade de preparar estratégias para produzi-las ou para adquiri-las”. “Caso contrário, o Brasil estará condenado ao final da fila da imunização, o que agravará as consequências econômicas e sociais da crise no País”, apontam as autoras da pesquisa.

O mercado brasileiro de vacinas

“O Brasil não pode prescindir de uma estratégia complementar de compra de outras vacinas no mercado internacional, fato que o Ministério da Saúde parece ter percebido apenas muito recentemente (e tardiamente), com a contratação de vacinas da Pfizer e da Janssen”, ressalta o documento em relação às dificuldades da produção doméstica de vacinas.

A imunização da população no Brasil é responsabilidade do setor público, por meio do SUS e do Programa Nacional de Imunizações (PNI). E dois elementos caracterizam o mercado fornecedor de vacinas no Brasil: ele é concentrado em poucas instituições (como a Fiocruz e Butantan), que são laboratórios públicos (a participação do mercado privado representa cerca de 10% das vacinas aplicadas, segundo a Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas).

“Essa escolha [de laboratórios públicos] foi bem-sucedida”, segundo os organizadores do boletim, justificando que, diferentemente de outros países, no Brasil não existem episódios de escassez de vacinas documentados. “Por outro lado, essa estratégia gerou e consolidou um mercado produtor de vacinas essencialmente público.”

Nos últimos 20 anos, o PNI tem sido o responsável pela aplicação de mais de 130 milhões de doses de vacinas ao ano, em média. Essa oferta de vacinas, em meio à pandemia, teria que ter um incremento de mais de 300 milhões de doses em 2021 para imunizar 70% da população — o que seria quase o triplo da capacidade atual de vacinação do PNI. A Fiocruz e Butantan, juntos, entregaram ao Ministério da Saúde aproximadamente 200 milhões de doses ao ano nos últimos seis anos. 

Eles defendem a necessidade de uma resposta precisa, por parte da Fiocruz e do Butantan, sobre a possibilidade de aumentar a produção a partir das linhas já existentes e se esse aproveitamento impactaria a produção de outras vacinas para doenças além da covid-19, necessárias à população.

Tabela 4 – Número de doses de vacinas contratadas pelo governo federal entre 2015 e 2020, segundo principais fabricantes e tipos de vacinas

Relação de vacinas produzidas no Brasil para outras doenças e seus principais produtores. Fiocruz e Butantan são os principais fornecedores – Fonte: Banco de Preços em Saúde / Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (SIASG)

Como ampliar as ofertas de vacina

Os pesquisadores recomendam, como primeiro passo, considerar as vacinas como bens públicos globais, com acesso irrestrito por toda população mundial. Para beneficiar o conjunto da economia global, incluindo países menos desenvolvidos e salvando milhões de vidas, eles apostam em investimentos robustos para ampliar a capacidade instalada de produção — tanto na contribuição de países que sabem produzir vacinas e têm estrutura adequada (como Canadá, Índia, Itália, França) quanto no estímulo à participação de grandes fabricantes que não têm vacinas, ou na construção de novas unidades, em especial em países emergentes. 

A liberação ou licenciamento da propriedade intelectual, enquanto durar a pandemia, também é recomendada. “É o primeiro passo para que a produção de doses seja suficiente para atingir a imunidade coletiva no planeta. Porém, a quebra das patentes ou o seu licenciamento não são suficientes”, registrou a Rede.

Quanto ao Brasil, a ação apontada como mais urgente é a negociação e garantia de vacina para toda a população, não apenas em 2021. “Novas rodadas anuais de imunização serão necessárias e, para isso, 400 milhões de doses não serão suficientes para imunizar a população brasileira nos próximos anos.”

A pesquisadora Fernanda De Negri (doutora em Economia pela Unicamp e pós-doutora pelo MIT), que integra o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-Ipea e participa da Rede de Pesquisa Solidária, é uma das coordenadoras dessa nota técnica. Segundo ela, o objetivo do documento é debater, à luz de dados e informações sobre o mercado e a produção de vacinas, quais fatores contribuíram para sua escassez no País, além de apresentar alternativas para a ampliação da oferta de novas doses.

Você pode conferir a íntegra da 30ª nota técnica da rede neste link. As notas anteriores também podem ser acessadas aqui. 

Do Jornal da USP

Wajngarten mente e revela descaso de Bolsonaro com a vida, dizem deputados

 Ex-secretário de Comunicação da Presidência negou conteúdo de entrevista à Veja e revelou que presidente ignorou oferta de vacina feita pela Pfizer

por Iram Alfaia

Renan Calheiros (MDB-AL) exibe capa da Revista Veja (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

No seu depoimento nesta quarta-feira (12), na CPI da Covid do Senado, o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten mentiu ao dizer que não falou à revista Veja sobre a incompetência da equipe do Ministério da Saúde na negociação com Pfizer para a compra de vacina e ainda complicou Bolsonaro ao revelar que o presidente ignorou a oferta da vacina feita pela farmacêutica em setembro do ano passado.

Por meio de uma carta em 12 de setembro, a oferta da Pfizer chegou ao presidente Bolsonaro, vice Hamilton Mourão, ministro Paulo Guedes (Economia), ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster. Wajngarten diz que até novembro nenhum deles respondeu à farmacêutica.

No caso da entrevista da Veja, a senadora Leila do Vôlei (PSB-DF) tocou na CPI o áudio do ex-secretário publicado pela revista, o que levou o depoente a admitir a declaração que fez a revista sobre a incompetência da pasta da Saúde. Em outro momento, Wajngarten negou que na sua gestão tenha feito campanha negacionista sobre o coronavírus.  Após ser pressionado, ele lembrou da campanha “O Brasil Não Pode Parar” contra o isolamento social.

O debate na comissão esquentou com o relator decidido a pedir a prisão do ex-secretário, mas o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), descartou essa possibilidade.

Repercussão

Para a vice-líder da oposição, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) Wajngarten está em apuros. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ou ele mentiu na entrevista para a revista Veja, ou ele mentiu em seu depoimento na CPI. Se foi a 2ª opção, vai ser preso”, reforçou a decisão anunciada pelo relator da CPI.

O vice-líder do PCdoB, deputado Orlando Silva (SP), também enfatizou o descompromisso do governo Bolsonaro com a vida dos brasileiros. Entre outros pontos, Orlando comentou sobre os dois meses que o governo ignorou a carta da Pfizer com a oferta de vacina.

“Wajngarten admite que por longuíssimos dois meses o governo deu de ombros para a carta da Pfizer com oferta de vacinas. Diz ainda que, em 09/11, informou Bolsonaro e o colocou em contato com a empresa. Entre a oferta e a Medida Provisória: 273 mil brasileiros mortos. Genocida!”, disse. Para Orlando, “a subserviência de Fabio Wajngarten ao projeto de livrar a cara de Bolsonaro pode lhe custar a liberdade”.

Segundo a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), o ex-secretário de Bolsonaro “mente que a cara nem arde”. “Mentiu ao dizer que na sua gestão nunca fez campanha de tratamento precoce. Pelo menos admitiu que a carta da Pfizer sobre a vacina ficou pelo menos dois meses sem resposta pelo governo”, pontuou.

A vice-líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), destacou trecho da fala do presidente da CPI onde o senador Omar Aziz afirma que se Wajngarten não colaborar será dispensado e convocado na condição de investigado.

Jandira também destacou o ato do relator da CPI, que nesta quarta-feira substituiu a placa com seu nome pelo número de mortos pela Covid-19 no Brasil. Para Jandira, ao fazer isso, Renan “ressalta qual deve ser o foco das investigações: preservar vidas e impedir que ações e omissões continuem fazendo vítimas”.

O líder do PT na Câmara, Bohn Gass (RS), destacou a intervenção do senador Fabiano Contarato (Rede-ES). Professor de Direito e ex-delegado, o senador afirmou: “O depoente Fabio Wajngarten faltou com a verdade e deve sair daqui preso, conforme o artigo 342 do Código Penal: fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha”.

“O senador Renan Calheiros anunciou que vai pedir a prisão de Fábio Wajngarten pelas mentiras contadas na #CPIdaCovid. Os áudios da Veja e demais provas mostram as contradições do depoimento dele na Comissão. Wajngarten precisa ser responsabilizado!”, defendeu a líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ).

Para o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), o depoimento foi evasivo e confrontado algumas vezes com provas de vídeos e imagens com áudio da entrevista que ele concedeu à Veja. “O ex-secretário se prestou a esse papel tão vergonhoso para esconder o quê?”, indagou.

Com informações da Liderança do PCdoB na Câmara

Flávio Dino: A Amazônia e o desenvolvimento nacional

 ara garantir que a Amazônia brasileira continue fornecendo ao planeta segurança climática, estamos adotando uma abordagem colaborativa baseada no diálogo aberto, onde todas as partes podem sair vencedoras.

Amazônia tem a mais rica biodoversidade do planeta

 A Amazônia é a saída para o Brasil. Os nove governadores da região compartilham essa visão, embora reconheçamos o paradoxo profundo que a Amazônia representa. Apesar do imenso potencial que os recursos da região oferecem, se comparado ao restante do país, a região detém os piores índices de desenvolvimento humano. Temos o maior desemprego, menos educação e menos acesso a serviços básicos de saúde. A pandemia da COVID-19 levou a região ao limite em termos de saúde e acesso a alimentos, expondo as desigualdades da região.

Mesmo assim, vemos a Amazônia como uma oportunidade para o desenvolvimento nacional. Os recursos estratégicos da região podem torná-la uma das das maiores áreas de produção de riqueza do planeta — se houver um estratégia bem pensada, planejada e coordenada.

Portanto, é urgente um plano abrangente e sustentável para a Amazônia. Precisamos de um plano de transição para uma economia verde que leve em consideração as matrizes de desenvolvimento já existentes na região. Tornar essa transição sustentável significa adotar uma combinação de modelos de produção e ocupação territorial que gerem empregos e renda para a população, melhorem os índices de desenvolvimento humano e reduzam as desigualdades regionais.

Embora haja distintas opiniões no Brasil, cada vez mais há agentes públicos e privados que compartilham da perspectiva de uma abordagem de desenvolvimento de baixo carbono. No entanto, descontinuidades das políticas ambientais e associadas à dificuldade de gerar respostas ao desmatamento e incêndios ilegais acabam minando a credibilidade do Brasil em suas políticas para combater os gases de efeito estufa. Reconhecemos que quanto mais controle o Brasil tem sobre a região, maior a nossa capacidade de implementar um projeto de desenvolvimento que leve em consideração a importância da Amazônia para o Brasil e o mundo. Para esse fim, valorizamos os esforços internacionais de mobilização de recursos públicos e privados para a proteção da floresta, com total respeito à soberania nacional.

Para ajudar a superar tais problemas, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, sob a liderança dos nove governadores da região, elaborou um plano objetivo, que fortalece o consenso por uma economia verde para a Amazônia, denominado “Plano de Recuperação Verde da Amazônia Legal” – PRV. Trata-se de um amplo projeto de enfrentamento aos problemas ambientais e econômicos da região. 

Pretendemos envolver nossas universidades, órgãos públicos, empresas e instituições que já atuam na região. Atrairemos investimentos nacionais e internacionais. Vamos viabilizar o processo de Pagamento por Serviços Ambientais já aprovado pelo Congresso. Essas iniciativas se enquadram em três áreas temáticas: 1) inovação e tecnologia; 2) infraestrutura urbana e rural; e 3) produção e turismo. A primeira área trata de projetos relacionados à biotecnologia, fármacos e monitoramento do desmatamento e queimadas. A segunda põe foco na expansão da infraestrutura para impulsionar a inclusão digital e negócios eletrônicos; preservar e despoluir os rios; descentralizar a disponibilidade de bens e serviços e transporte. O terceiro setor abrangerá iniciativas que vão desde a agricultura familiar e processos de certificação de produtos regionais até o ecoturismo.

O sucesso do PRV dependerá da nossa capacidade de atrair uma série de setores e catalisar organizações nacionais e internacionais engajadas na reversão da mudança climática, transformando o potencial do bioma amazônico em nosso maior aliado.

Para garantir que a Amazônia brasileira continue fornecendo ao planeta segurança climática, estamos adotando uma abordagem colaborativa baseada no diálogo aberto, onde todas as partes podem sair vencedoras. Lamentamos posições equivocadas que às vezes confundem a legítima defesa da soberania nacional com irresponsabilidade ambiental. Também rejeitamos as concepções santuaristas sobre a floresta que pretendem – no limite –  eliminar as pessoas do debate ambiental, perpetuando injustiças sociais e negação de direitos.

Sabemos que este não é um desafio simples. Entretanto a conjuntura internacional atual é favorável uma melhor governança global acerca das questões climáticas. O desenvolvimento e o combate ao desmatamento na Amazônia não se darão sem uma grande cooperação que leve em conta as necessidades globais, nacionais e locais.

O futuro do Brasil está ligado ao da Amazônia. Os governadores da região veem o PRV como parte de sua responsabilidade constitucional de defender e preservar o meio ambiente “para as gerações presentes e futuras”.

Artigo originalmente publicado na revista Americas Quarterly 

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domingo, 2 de maio de 2021

‘O inverno está chegando’, alerta o cientista Miguel Nicolelis, temendo uma catástrofe

 Por: João Arruda em  

O inverno está chegando. A frase tornou-se famosa no seriado de sucesso “Game of thrones”. Quando dita, significava prenúncio de horror e enorme mortandade. Desta vez, ao ouvi-la, o Papo Reto percebeu que o tem o mesmo significado, só que no mundo real. E bem perto de nós, no Brasil. “As pessoas não percebem que o inverno está chegando”, disse o médico e cientista Miguel Nicolelis, uma das vozes mais veementes na defesa do isolamento social como forma de combater a epidemia do coronavírus, enquanto a vacina não vem. Seriamente preocupado, Nicolelis lembra que o pior pico da primeira onda deu-se justamente no inverno do ano passado. Com a situação fora de controle agora, o cientista teme que as próximas semanas signifiquem uma catástrofe ainda maior, com as pessoas saindo às ruas, enchendo bares, praias. Como se 400 mil mortes fossem apenas coisa de ficção.

Você tem conseguido dormir?

Não é muito fácil, principalmente olhando diariamente o que está acontecendo, não só no Brasil, mas como também em lugares como a Índia. Eu durmo muito tarde, ou muito cedo, dependendo do ponto de vista. E me encontro com uma insônia crônica já.

Tem pesadelos recorrentes?

Não, pesadelo, não. Mas o que eu achei curioso é que semana passada, pela primeira vez na minha vida, eu tive um sonho onde só existiam números. Só gráficos na tela do computador, e números de cálculos, sem nenhuma pessoa. Nenhum som. Só números. E é uma coisa curiosa, porque analiso números há 40 anos, eu vivo disso. Acordei e cheguei à conclusão de que realmente eu estava passando de todos os limites.

O Brasil ainda corre risco de colapso funerário? O que exatamente aconteceria?

É só você olhar para a Índia. Lá está tendo claramente isso, e eu acabei de ver uma cidade no interior de Pernambuco onde a lotação do cemitério é total e eles não sabem o que fazer. Então é quando você tem um pico de mortes, decorrente do colapso que tivemos no sistema de saúde, e você não consegue dar conta dos corpos das vítimas. As pessoas estão achando que porque nós tivemos uma pequena queda, pelo menos aqui em São Paulo... mas os números continuam altíssimos. O inverno está chegando. Muito pouca gente está falando disso. O inverno está chegando e foi no inverno do ano passado que nós tivemos o pico da primeira onda. Dessa vez, nós tivemos uma explosão no verão. Não estão se dando conta de que o inverno está chegando em poucas semanas e com as aberturas que estão acontecendo prematuramente. Nós estamos no que eu chamo de estratégia sanfona. Abre e fecha. Você nunca soluciona o problema de verdade, nunca controla. Você nunca está à frente, você só reage à dinâmica.

Provavemelmente, será chamado a falar na CPI da Covid no Senado?^O que dirá a eles sobre a atuação do governo federal na crise sanitária?

Eu ainda não fui chamado, não recebi nenhum convite. Vou te responder a mesma coisa que meu pai dizia quando eu perguntava a ele em quem ele votou: o voto é secreto. No momento em que eu for chamado, falo o que devo falar.

E a mim, o que diria?

Pra você eu diria que foi catastrófica. Talvez junto com o primeiro-ministro do Reino Unido (Boris Jhonson), lá no início, foram as piores do G-20. E agora estamos vendo a Índia. Outra catástrofe. A Índia deve ter uma subnotificação de dez a 20 vezes dos mortos. Imagine que devem estar morrendo 40 mil pessoas na Índia diariamente. E aqui no Brasil desde o começo foi uma catástrofe. A crônica da morte anunciada. Existe uma cadeia de erros crassos.

É correto chamar o presidente Bolsonaro de genocida?

Depende de como é usado o termo. Existem vários juristas dizendo que o termo genocida tem um sentido muito preciso no Direito Penal Internacional. Eles se opõem ao uso da palavra. Eu diria que ela (a gestão Bolsonaro) é criminosa. Pra mim é o suficiente a dizer. Foi uma gestão criminosa. Por omissão, por incompetência, por inépcia. O mínimo a se dizer é que foi uma gestão criminosa.

Já teve um bate-boca com algum negacionista?

Não, porque eu não saio de casa. Estou há 14 meses trancado. Nesse tempo, eu conto nos dedos de uma mão às vezes em que saí. E sempre com meu próprio carro, às vezes para dar uma volta. Fui ver minha mãe uma vez. Eu não tive a oportunidade de debater (pessoalmente) com nenhum negacionista. Eu debati nas entrevistas, na televisão, quando puseram pessoas que falaram bobagem.

E nas redes sociais, os negaciostas conseguem te tirar do sério?

Tirar do sério, não, porque as redes sociais têm o botão de bloqueio. Eu não debato com gente que ofende, com gente que ameaça. O que me tirou do sério foram os erros do governo federal, também aqui em São Paulo, que foi outra catástrofe. Negar que São Paulo que foi o maior espalhador do vírus na pandemia e que precisava de um lockdown real, pra ver se a gente continha... Deixa chegar o maior complexo hospitalar do Brasil à situação que chegou... Ninguém me tirou do sério, mas a situação do Brasil me tirou do sério várias vezes, porque não precisava ser assim.

O Brasil chegará a um milhão de mortos?

É muito difícil fazer uma previsão tão a longo prazo. Tinham várias previsões no começo da pandemia que se baseavam numa dinâmica linear do vírus, como se o vírus tivesse o mesmo comportamento ao longo das estações. Mas que nós vamos chegar a 500 mil mortos por volta de junho, eu não tenho muita dúvida. É quase certeza. Até semana passada, morreram mais pessoas nos primeiros quatro meses de 2021 do que no ano inteiro passado. É um número assustador, e tem outra estatística que eu levantei pouco tempo atrás, é que em abril nós vamos ter o menor diferencial entre nascimentos e mortes da história do Brasil. Já teve o menor, que foi uma diferença de 47 mil nascimentos a mais que mortes em março, pra você ter uma ideia, em 2019, a média mensal era de 126 mil nascimentos a mais do que mortes. Em abril, está na casa dos 15 mil. Claro que faltam dados ainda, mas estamos correndo o risco de termos mais mortes do que nascimentos no Brasil pela primeira vez na história.

Fonte: https://extra.globo.com/tv-e-lazer/papo-reto/o-inverno-esta-chegando-alerta-cientista-miguel-nicolelis-temendo-uma-catastrofe-rv1-1-24992397.html