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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Data da eleição, horário de votação e biometria levam a impasse no TSE

O TSE busca formas de acelerar o processo de votação a fim de evitar aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus

















Legenda: As áreas técnica e sanitária do TSE estão debruçadas sobre os temas e a ideia da corte é ter uma definição a respeito até julho
Foto: Agência Brasil
Legenda: As áreas técnica e sanitária do TSE estão debruçadas sobre os temas e a ideia da corte é ter uma definição a respeito até julho
Foto: Agência Brasil

Além da indefinição da data da eleição municipal, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) enfrenta uma série de incertezas no planejamento da disputa deste ano.
A corte já estuda descartar o uso da identificação por biometria. A ampliação do horário de votação e a divisão de eleitores por faixa etária são decisões pendentes. O TSE busca formas de acelerar o processo de votação a fim de evitar aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus.
Uma das principais dificuldades para o tribunal, porém, pode ser resolvida nesta quarta-feira (30), quando a Câmara deverá votar o adiamento da eleição de outubro para novembro.
Após uma semana de impasse, avançou a negociação de líderes do Congresso com prefeitos que queriam manter a data de 4 de outubro.
A mudança do primeiro turno da eleição para 15 de novembro deverá ser respaldada pelos três quintos necessários (308 votos de 513) para aprovar uma PEC (proposta de emenda à Constituição), em votação em dois turnos.
Assim, o TSE terá mais facilidade para planejar a logística de certificação e distribuição das mais de 500 mil urnas pelo país, além de ter clareza sobre prazos para definições importantes, como uso da biometria.
A identificação biométrica representa um dos principais esforços da Justiça Eleitoral nos últimos anos, que teve de promover o cadastro de milhões de eleitores pelo Brasil para adequar a ferramenta usada no combate a fraudes e dirimir críticas sobre a suspeita das urnas eletrônicas.
Na tentativa de tornar o processo de votação mais rápido e reduzir aglomerações, a corte estuda abrir mão até da identificação biométrica. A medida é cogitada porque o uso da biometria é mais demorado e pode gerar filas e aglomerações.
A retomada da assinatura do eleitor ao se identificar, porém, criaria dificuldade relacionada à higienização da caneta. As áreas técnica e sanitária do TSE estão debruçadas sobre o tema e a ideia da corte é ter uma definição a respeito até julho.
Nas eleições de 2018, 87,3 milhões de eleitores já votaram com identificação biométrica – uso do dedo –, equivalentes a 59,31% do eleitorado, em 2.793 municípios, quase metade das cidades brasileiras.
Para 2020, 119,7 milhões estão aptos a votar com biometria. Estados como Sergipe, com 99,33%, e Piauí, com 99,21%, por exemplo, já estão avançados no cadastramento dos eleitores. Já grandes estados como São Paulo (70,39%) e Rio de Janeiro (59,3%) estão mais atrás.
Outra medida estudada pelo TSE é ampliar o horário de votação, que atualmente é das 8h às 17h, para 12 ou 13 horas de votação.
Uma dificuldade para isso seria a necessidade de aumentar a carga horária dos mesários, abrindo a possibilidade de ser feito um revezamento entre eles, o que poderia gerar mais filas.
Ainda na tentativa de diminuir a circulação de eleitores por colégio, surgiu a ideia de criar horários específicos para cada faixa etária. O temor, nesse caso, seria com o aumento de abstenção, caso um eleitor vá até a seção eleitoral, seja vetado e não queira mais voltar.
A medida impediria famílias de votarem em conjunto e, muitas vezes, pais e filhos não poderiam ir juntos votar.
Em meio às discussões no TSE, os deputados apararam nesta terça-feira (30) as últimas arestas para votar a PEC que adia as eleições municipais.
O texto, aprovado no Senado no último dia 23, enfrentava resistência na Câmara, principalmente como reflexo da pressão de prefeitos que buscam a reeleição.
Como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, descartaram a prorrogação de mandatos, líderes de partidos do chamado centrão inicialmente eram contrários a mudanças no calendário.
O centrão é formado por legendas como PP, PL e Republicanos que, juntos, representam a maioria da Câmara e que têm oferecido apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em troca de cargos.
Essas siglas têm o controle de boa parte das prefeituras e avaliavam que uma campanha eleitoral mais curta elevaria a chance de reeleição. Sem o apoio das siglas, dificilmente a PEC seria bem-sucedida.
Para viabilizar a votação, Maia e líderes partidários costuraram um acordo que envolve a prorrogação da transferência de recursos da União para municípios.
Uma medida provisória garantiu que, de março a junho, prefeituras e governos estaduais não tivessem perdas no FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e no FPE (Fundo de Participação dos Estados).
A MP reservou até R$ 16 bilhões para manter os repasses. Com as três primeiras parcelas, foram usados cerca de R$ 6 bilhões. A expectativa é que, com a última parcela, sobrem recursos.
A prorrogação da transferência foi uma contrapartida oferecida a prefeitos que buscam a reeleição. Congressistas defendem que não haveria custo adicional para prorrogar a medida até o fim do ano.
Nesta terça-feira, Maia negou que a transferência faça parte de qualquer negociação para votar a PEC.
"A discussão da [MP] 938 já estava sendo feita independentemente disso. O governo já estava negociando conosco qual a melhor forma de aplicação desses quase R$ 6 bilhões", disse.
Segundo o deputado, a MP só não foi votada antes por falta de tempo. Maia também negou que o projeto no Senado que retoma a propaganda partidária gratuita faça parte de qualquer negociação da PEC.
O presidente da Câmara afirmou que não há pressa para votar o projeto, do senador Jorginho Mello (PL-SC). "Isso só vai valer, se for aprovado for e se for sancionado, no próximo ano", afirmou. "Essa é uma demanda antiga de partidos."
Líderes partidários afirmam que a discussão do projeto é secundária, embora seja uma demanda do centrão, que também tenta emplacar na negociação um abrandamento do texto do Senado que envolve a responsabilização de plataformas pela disseminação de fake news.
O projeto é criticado pelo governo, por redes bolsonaristas e por especialistas, que veem prejuízo à liberdade de expressão. A intenção do centrão seria amenizar o texto na Câmara, como forma de agradar ao Planalto.
Fonte: Diário do Nordeste

“Quase 60 mil mortes e nada do presidente se mexer”, diz deputado

País segue sem oficializar um ministro da Saúde. Já são 46 dias desde que Nelson Teich, o segundo a ocupar o posto, pediu demissão

O Brasil voltou a registrar mais de mil mortes em decorrência do novo coronavírus nesta terça-feira (30). Diante da marca de 1.271 vítimas da doença em apenas 24 horas, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) lamentou a apatia do governo frente ao avanço e descontrole sobre a crise sanitária.

“Quase 60 mil mortes por covid-19 e nada do presidente Bolsonaro se mexer, fazer alguma coisa pra diminuir os impactos da pandemia, sobretudo o que é mais tragicamente grave: a morte de pessoas”, disse o parlamentar em suas redes sociais.

Além dos óbitos, o levantamento realizado pelos veículos de imprensa, junto às secretarias estaduais de Saúde, apontou que o país somou 37.997 novos casos confirmados de infecção em apenas um dia, elevando pra 1.408.485 o número de infectados. No total, 59.656 brasileiros já perderam a vida por causa do vírus.

Enquanto isso, o país segue sem oficializar um ministro da Saúde. Já são 46 dias desde que Nelson Teich, o segundo a ocupar o posto, pediu demissão.
AUTOR

Bolsonaro usa fotos de bancos de imagens como se fossem de nordestinos

A campanha Alô Presidente mostra um mapa e imagens de uma mulher e um homem que estariam no Ceará e Rio Grande do Norte, como se estivessem conversando com Bolsonaro.

Campanha usa fotos de eleitores fake - foto: Reprodução
O vídeo de uma campanha publicitária divulgada por Jair Bolsonaro no Twitter tem fotos de banco de imagens como se fossem de eleitores do Nordeste interagindo por telefone com o presidente da República. A campanha Alô Presidente mostra um mapa e imagens de uma mulher e de um homem que estariam no Ceará e Rio Grande do Norte, como se estivessem conversando com Bolsonaro.
A mulher seria “Dona Maria Eulina”, que pergunta sobre a transposição do rio São Francisco. Já o homem se identifica como “Francisco Valmar” e questiona o presidente sobre “notícias boas” para sua região.
Mas na verdade Maria Eulina e Francisco Valmar não existem. As pessoas cujas fotos seriam deles estão em bancos de imagens na internet. O Vermelho encontrou a imagem da suposta Maria Eulina no iStock, pesquisando “mulher idosa feliz”.
“Maria Eulina” está no banco de imagens iStock
Já a foto apresentada como de “Francisco” foi encontrada no Shutterstock, pesquisando as palavras “old factory man”.
Em meio à crise aberta em várias frentes em seu governo, Bolsonaro deixou de lado – pelo menos por enquanto – seu estilo de ofender a imprensa e fazer ameaças autoritárias. Também tem evitado dar mais declarações menosprezando a pandemia. O objetivo é estancar a sangria de popularidade que atinge seu governo e evitar a interrupção de seu mandato.
Bolsonaro encara como uma tábua de salvação o pagamento do auxílio emergencial, que lhe deu algum fôlego de aprovação entre a população mais pobre. Também quer investir na aproximação com o Nordeste, região onde sua impopularidade alcança níveis estratosféricos. Mas ao que parece, teve dificuldades para encontrar eleitores reais nordestinos para participar da campanha.
Constrangimento
Não é a primeira vez que fotos de bancos de imagem causam constrangimento ao governo Bolsonaro. Em abril, a peça de divulgação do programa Pró-Brasil, de geração de empregos, deixou internautas furiosos por só usar crianças brancas para promover um país com grande diversidade como o Brasil.
Acontece que a imagem sequer foi produção original. A foto foi comprada de banco de imagem, já tendo sido utilizada inúmeras vezes em sites através do mundo.


AUTOR

Maioria quer Enem em maio de 2021, mas MEC vai consultar entidades antes de definir datas

1,1 milhão de estudantes participaram de enquete, e 49,7% votaram para que as provas fossem aplicadas em maio de 2021; escolha dos estudantes não será único aspecto levado em consideração pela pasta da Educação


Legenda: Após divulgação do resultado da enquete, MEC diz que novas datas serão discutidas
Foto: Reprodução
Metade dos inscritos no Enem que participou de enquete sobre a data para realização do exame prefere fazer as provas em maio do ano que vem. Apesar do resultado, o MEC (Ministério da Educação) ainda vai consultar entidades, universidades e secretarias para a definição oficial.
A enquete fora anunciada pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que resistia a adiar o Enem apesar de pedidos de secretários de Educação, estudantes e especialistas. A interrupção de aulas por causa da pandemia motivou pressão pelo adiamento da prova, prevista inicialmente para novembro.


O governo colocou na consulta três opções de datas (dezembro, janeiro e maio). Dos 1,1 milhão de estudantes participantes da consulta, 49,7% votaram por maio. A escolha dos estudantes, entretanto, não será o único aspecto a ser levado em consideração pelo governo.
O resultado da enquete foi apresentado na manhã desta quarta-feira (1º) pelo secretário-executivo do MEC, Antonio Paulo Vogel, e pelo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Alexandre Lopes.

O governo Jair Bolsonaro não tem ministro da Educação neste momento. Segundo Vogel, secretários estaduais de educação, universidades e instituições ligadas à área também serão ouvidas antes da definição da data.

Fonte: Diário do Nordeste

Política ambiental afugenta investidor e pode levar à queda de Salles

Líder do PCdoB afirma que desmatamento no Brasil já pesa no bolso do capital e prevê queda do ministro do Meio Ambiente

(Foto: Reprodução)
Desde que vieram à tona as declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre aproveitar a pandemia para deixar “passar a boiada”, em referência à flexibilização das leis ambientais, na famigerada reunião ministerial do dia 22 de abril, a política bolsonarista caiu de vez em descrédito e o Brasil vem sofrendo retaliações no setor.
Na última semana, um debate promovido por banqueiros, entre eles os presidentes dos Itaú Unibanco e do Bradesco, reforçou a preocupação com a forma como o governo brasileiro tem administrado a questão ambiental.
Conforme destacou o jornal Estadão, questões como o aumento do número de queimadas na Amazônia entraram na pauta do encontro, que a princípio trataria de tecnologia bancária. A iniciativa dos banqueiros ocorre em meio à repercussão do assunto junto a investidores estrangeiros, que ameaçam deixar de investir no Brasil, enquanto o presidente Jair Bolsonaro diz ver apenas “desinformação” sobre o seu governo.
Para a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC), o desmatamento já pesa no bolso do capital. “O próximo a cair será Salles. Itaú e Bradesco alertam para perigo ambiental; investidores ameaçam sair do Brasil se destruição da Amazônia não parar; europeus ameaçam deixar de investir no Brasil por causa do desmatamento”, elencou a líder da legenda.
Durante a feira tecnológica bancária, que ocorreu de forma virtual por conta da pandemia de coronavírus, o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou que “as consequências ambientais podem até vir de uma maneira mais lenta do que as da saúde, como a Covid-19, mas são mais duradouras e difíceis de reverter”.
Presidente do maior banco da América Latina, com quase R$ 2 trilhões em ativos totais, Bracher alertou para o aumento de incêndios na Amazônia no início deste ano, enquanto o Brasil tenta combater a propagação do novo coronavírus. “Estamos vendo neste início de ano incêndios 60% maiores do que foram no ano passado, e nós precisamos, enquanto sociedade, nos mover contra isso”, disse ele, acrescentando que os bancos têm um “peso importantíssimo” no tema.
“Todo mundo falava de sustentabilidade, de problema com o planeta, de aquecimento global, reflorestamento, derrubada, de qualidade do ar, da água. Todo mundo falava sobre isso, mas, de fato, nós temos de reconhecer que fizemos muito pouco em relação a isso”, afirmou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.
Para o executivo, a pandemia alertou o mundo sobre a maneira como todos estavam vivendo até então. “Parece que o planeta deu um grito e falou: vocês têm a chance de recuperar o que estão fazendo”, disse Lazari.
Reação
As declarações foram feitas no mesmo dia em que embaixadas do Brasil na Europa receberam uma carta assinada por um grupo de 29 instituições financeiras, com US$ 3,7 trilhões em ativos totais. Nela, ameaçam retirar seus recursos do país caso o governo Bolsonaro não atue para conter o desmatamento na Amazônia. O documento, que ganhou espaço no jornal britânico “Financial Times”, encorpou um coro de críticas às políticas ambientais do governo brasileiro.
Bolsonaro credita o fato de a imagem do país não estar “muito boa” em relação à questão ambiental por “desinformação”.
Liderança do PCdoB com informações do Estadão

CNT questiona no Supremo lei cearense que dá gratuidade a policiais no transporte intermunicipal

No Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, uma ação de teor semelhante foi julgada improcedente no ano passado








Legenda: No Ceará, por força de lei, policiais militares fardados e com identificação 
podem viajar gratuitamente no transporte coletivo intermunicipal com limite máximo de dois profissionais por veículo
Foto: Kid Júnior
A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade da lei cearense, aprovada pela Assembleia Legislativa, que criou o Estatuto dos Militares Estaduais do Ceará, de 2006. 
A CNT quer impugnar um dispositivo que dá aos militares o direito de viajar gratuitamente em transportes rodoviários intermunicipais no Estado. A ação começou a tramitar no dia 25 de junho e o relator do caso é o ministro Ricardo Lewandowski.
O referido dispositivo da lei 13.729/2006, artigo 52º, diz o seguinte: "fica assegurado ao Militar Estadual da ativa, quando fardado e mediante a apresentação de sua identidade militar, acesso gratuito aos transportes rodoviários coletivos intermunicipais, ficando estabelecida a cota máxima de 2 (dois) militares por veículo".
Para a CNT, o dispositivo legal  "interfere na atividade econômica das empresas que prestam serviços de transporte público, ferindo o princípio da liberdade do exercício da atividade econômica, criando, ainda, um sistema de privilégio sem indicar, data maxima venia, razões de fato e de direito para tanto, infringindo, assim, dispositivos da Constituição Federal, seja quanto às regras de competência para deflagrar o processe legislativo, seja quanto à matéria propriamente dita".
Batalha judicial
Em âmbito estadual, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Intermunicipal e Interestadual de passageiros - Sinterônibus já havia questionado a mesma norma no Tribunal de Justiça do Ceará, mas a ação foi julgada improcedente no ano passado. O caso, então, foi para o Supremo Tribunal Federal.
O ministro relator deve solicitar um posicionamento ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa sobre o assunto nos próximos dias.
FONTE: Diário do Nordeste

Câmara aprova, em primeiro turno, PEC que adia eleições de outubro para novembro

Agora, estão em análise destaques que podem alterar pontos da proposta








Legenda: Durante as discussões nesta tarde, os deputados Hildo Rocha (MDB-MA) e Bia 
Kicis (PSL-DF) criticaram o texto. Para Rocha, o adiamento favorecerá os atuais prefeitos e vereadores
Foto: Câmara dos Deputados
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, no começo da noite desta quarta-feira (1°), em primeiro turno, por 402 votos a 90, o texto-base da PEC 18/20, que adia as eleições municipais deste ano em razão da pandemia causada pelo novo coronavírus. Falta votar destaques que podem alterar pontos do texto.
Conforme a proposta, os dois turnos eleitorais, inicialmente previstos para os dias 4 e 25 de outubro, serão realizados nos dias 15 e 29 de novembro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa medidas para assegurar o pleito com garantias à saúde.
Agora, os parlamentares analisam destaques que podem alterar pontos da proposta.
“A alteração do calendário eleitoral é medida necessária no atual contexto da emergência de saúde pública”, disse o relator, deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR). “Os novos prazos e datas são adequados e prestigiam os princípios democrático e republicano, ao garantir a manutenção das eleições sem alteração nos períodos dos mandatos”, continuou.
O relator destacou ainda que as mudanças sugeridas resultaram de debates entre Câmara, Senado e TSE, além de representantes de entidades, institutos de pesquisa, especialistas em direito eleitoral, infectologistas, epidemiologistas e outros profissionais da saúde. A PEC 18/20 é de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Durante as discussões nesta tarde, os deputados Hildo Rocha (MDB-MA) e Bia Kicis (PSL-DF) criticaram o texto. Para Rocha, o adiamento favorecerá os atuais prefeitos e vereadores. “Os governantes poderão fazer mais propaganda, ferindo a isonomia”, afirmou. Kicis alertou para possível aumento dos gastos de campanha.

Fonte: Diário do Nordeste

Professor e ex-catador de latinhas cria computador com apenas R$ 22

Batizado de HYTEC One, o computador só precisa ser conectado a um aparelho celular ou televisão. O objetivo é expandir o acesso tecnológico às famílias da baixa renda


















O professor e ex-catador de latinhas radicado em Juazeiro do Norte, Ciswal Santos, desenvolveu um computador do tamanho aproximado de uma caixa de fósforo com o objetivo de ampliar a acessibilidade tecnológica para famílias de baixa renda. Com apenas R$ 22, o equipamento foi construído para auxiliar crianças e jovens no ensino.
Ciswal, de 31 anos, também é autor de um projeto de geração de energia sustentável, captação de água e acesso à internet por baixo custo. O trabalho já foi implementado, em janeiro deste ano, em uma aldeia de Moçambique, no continente africano.  
Agora, o professor criou computador e batizou de HYTEC One, que significa “Oi, tecnologia”, desenvolvido com pequenos componentes eletrônicos, rodando um sistema operacional básico, que pode ser conectado a qualquer tela, seja de computador ou celular.
Segundo Ciswal, com a pandemia da Covid-19 e as medidas de isolamento social, incomodava o fato de os alunos terem que assistir aula remotamente e muitos não terem acesso a um computador.
“Um computador hoje é bem caro. A falta de acessibilidade me deixava desconfortável desde cedo”.
Então, resolveu criar o equipamento que rodasse programas básicos, como reprodutor de mídias, criação de texto, planilhas e slides. Com apenas R$ 22, Ciswal criou um computador com duas partições e o uso de um cartão de memória SD como um HD de computador.
Legenda: Ciswal conta que recebeu uma proposta de um grupo de empresários de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que querem investir na ideia e popularizar o aparelho no continente africano
Foto: Arquivo Pessoal
A memória primária dele está numa conta drive, em nuvem. O aparelho tem capacidade de recepcionar sinal wi-fi. Tudo isso medindo aproximadamente três centímetros. 
“O processamento de dados, que é área que a gente estuda em Harvard, pegou muito pensado nesta parte de microeletrônica, nanotecnologia, nestes últimos três meses”, conta Ciswal. 
O computador pode ser transportado no bolso, mas precisa de uma tela, seja TV ou aparelho celular, para ter acesso ao sistema Windows 98, que dá acesso à internet e programas como Word, PowerPoint e Excel. No entanto, isso é provisório, já que Ciswal está desenvolvendo seu próprio sistema operacional, que acredita que deverá ficar pronto em até quatro meses.
“Vai ser um sistema de fácil acesso para idosos, crianças, para quem não tem noção de informática. Será muito instrutivo, vai ensinado”, acredita o professor.  
Ciswal já recebeu proposta de um grupo de empresários de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que querem investir na ideia e popularizar o aparelho no continente africano. “Minha intenção era que se popularizasse primeiro no Brasil. Queria muito que governos, seja federal, estadual, municipal, não importo qual for, investissem. Eu defendo a necessidade do povo. Queria muito que alguns destes pudesse popularizar. Dar acessibilidade aos jovens, condições de estudo. Para não estar passando o que passei”, defende. 
Caso não apareça ninguém interessado em implantar o projeto no Brasil, mais uma vez, Ciswal deverá colocá-lo em prática fora do País, como aconteceu com seu projeto que o levou a estudar em Harvard, que está sendo desenvolvido em nações africanas.
“Mas a prioridade é do Nordeste, do Ceará. Vou trabalhar em prol da população daqui”, completa.  

Trajetória 

Nascido em Palmares (PE), Ciswal se mudou para Juazeiro do Norte na adolescência quando seu pai, também professor, foi transferido para Serra Talhada (PE). Com família devota do Padre Cícero, optaram por ficar na terra do sacerdote. Após a separação dos pais, as dificuldades apareceram. Sua mãe ganhava R$ 15 por faxina. O valor era pouco para o jovem se manter na escola e sustentar a casa e, por isso, resolveu trabalhar em um mercantil entregando as feiras de bicicleta.
Quando entrou na faculdade, antes de completar os 16 anos, o professor teve que buscar no lixo a solução para seu sonho de continuar estudando. Foi aí que Ciswal resolveu catar latinhas para reciclagem. O quilo do material custava R$ 2. Em uma semana, conseguia três quilos e meio. Era com isso que pagava xerox, apostila, livros e impressões.   
Antes da chegada a Juazeiro do Norte, Ciswal lembra que, aos oito anos de idade, desejava muito fazer um curso de computação. “Pedi muito para meu pai, mas o valor do curso era a feira da gente”, lembra. Sem condições financeiras, sua família o colocou para estudar datilografia.
“Quando estava terminando o HYTEC One, lembrei desse episódio. Se, naquela época, um Ciswal tivesse aparecido ou o governo entregasse isso, o que eu estaria fazendo hoje? São coisas que fazem a gente ter empatia com o próximo”, finaliza. 
Fonte: Diário do Nordeste