Laboratório de Energias Renováveis será construído no Centro Treinamento Técnico do Ceará (CTTC), localizado no Pecém, numa parceria entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
O laboratório é uma parceria entre Secitece e o MCTIC.
O secretário Inácio Arruda esteve, na última quarta-feira (28/02), na sede do MCTIC, em Brasília, tratando desse assunto com a diretora de Políticas e Programas para Inclusão Social, Sônia da Costa, e com o coordenador de Extensão Tecnológica (Coex), Uilliam Rocha da Silva.
A unidade será um laboratório aberto, que poderá ser utilizado tanto pelos estudantes, quanto por profissionais das empresas do Complexo Portuário do Pecém, com projetos e pesquisas de extensão na área de energias renováveis.
Durante a audiência no MCTIC, o secretário Inácio Arruda tratou também da implantação de uma usina de geração solar no Estado.
O deputado estadual Carlos Felipe (PCdoB) chamou a atenção, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa da última quinta-feira (01/03), para a suspensão do repasse de medicamento para pacientes com glaucoma pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Segundo o parlamentar, cerca de 7 mil pessoas cadastradas no Programa de Assistência aos Portadores de Glaucoma devem ficar sem medicamento.
Segundo o parlamentar, a SMS suspendeu o repasse de verba por conta de uma nova chamada pública. “O repasse do medicamento é feito pela clinica conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS), que depois emite a cobrança à SMS. Porém, houve suspensão do pagamento a partir deste mês, em virtude de um novo processo de contratualização. Esse problema precisa ser resolvido sem castigar os pacientes”, explicou.
Carlos Felipe enfatizou que cerca de 7 mil pessoas cadastradas no Programa de Assistência aos Portadores de Glaucoma devem ficar sem medicamento. “Um paciente com glaucoma que fica sem medicamento pode chegar a ficar cego. Essa medicação custa em torno de R$300, e muitas pessoas não podem arcar com esse custo. Peço a sensibilidade da Prefeitura de Fortaleza”, assinalou.
O deputado salientou ainda que as taxas de desemprego continuam subindo e criticou medidas do Governo Federal que favorecem a concentração de renda. “Muitos diziam que quando a ex-presidente Dilma saísse do poder, o desemprego ia sumir. Pois ela saiu, e o Governo Temer aumentou o desemprego, alimentando um sistema perverso e desumano que favorece os mais abastados”, apontou.
Para o parlamentar, é necessário descongelar os investimentos na saúde, fortalecer as empresas brasileiras, investir em ciência e tecnologia, além de outras medidas que assegurariam o crescimento do País. “É lamentável ver o desemprego crescendo e as pessoas reféns de um sistema perverso”, afirmou.
Em aparte, o deputado Dr. Santana (PT) também lamentou medidas do Governo de Temer que visam fortalecer a concentração de renda. “São mais de 23 milhões de brasileiros que vivem entre o desemprego e o subemprego. É uma falência do País a serviço de uma elite”, criticou.
A região do Vale do Jaguaribe inclui 16 municípios: em 9 deles há secretarias ou deptos. de Turismo
A Igreja Matriz atual da cidade é uma replica do antigo templo religioso da velha Jaguaribara, encoberta pelas águas do Açude Castanhão ( Foto: Kid Júnior )
00:00 · 02.03.2018 por Honório Barbosa - Colaborador
Prefeitura de Jaguaribara quer fomentar o turismo local em face da falta de outras atividades financeiras, como o comércio ( Foto: Kid Júnior )
Jaguaribara. Esta cidade, localizada no entorno do Açude Castanhão, o maior do Ceará, apresenta forte potencial de atrativo turismo no sertão cearense: proximidade com a Capital, promoção de eventos esportivos de trilhas, pesca e competições náuticas, além da gastronomia do pescado - tilápia e tucunaré. Para discutir essa temática, o município promoveu o Fórum de Turismo do Vale do Jaguaribe.
O evento foi realizado na manhã de ontem (1º), no auditório da Prefeitura de Jaguaribara. A programação começou a partir das 9 horas, incluiu a eleição do regional de Turismo, uma palestra do Sebrae, e ainda um 'city tour' pelos principais pontos da cidade e da barragem: museu, igreja matriz, centro de arte, Dnocs e a narrativa da história da mudança da antiga cidade que foi encoberta pelas águas para a nova, planejada.
A região do Vale do Jaguaribe inclui 16 municípios; em nove deles há secretarias ou departamentos de Turismo na rede municipal. O objetivo do evento foi discutir políticas públicas e estratégias para desenvolver o setor nos municípios, ofertando estrutura e serviço de qualidade.
O evento foi realizado na manhã dessa quinta-feira (1º), no auditório da Prefeitura de Jaguaribara (Foto: Genésio Oliveira)
"Precisamos elencar prioridades, identificar a potencialidade de cada município, fazer um trabalho planejado, compartilhado, a partir de um calendário de eventos", frisou a articuladora do Sebrae, Wandrey Pires. "O encontro buscou também sensibilizar os empresários, donos de pousadas, restaurantes para uma nova postura, ofertar serviço de qualidade".
A crise hídrica e financeira que castiga o Ceará trouxe dificuldades para a economia nos municípios. No caso particular de Jaguaribara, houve um maior problema porque as atividades locais têm forte dependência do açude Castanhão, que acumula apenas 2,45%. "A barragem seca provocou uma queda de aproximadamente 85% no número de visitantes", observa a secretária de Desenvolvimento Econômico, Aquicultura e Pesca de Jaguaribara, Lívia Barreto.
O esforço do Município de Jaguaribara é manter as ações ativas e melhorar a oferta dos serviços. "Os restaurantes podem oferecer música ao vivo nos fins de semana, as pousadas que integram a cadeia do turismo podem ofertar descontos para grupos de visitantes e esportistas", disse Lívia Barreto.
Grupos de colecionadores, desportistas de pesca, esportes aquáticos, visitantes que fazem passeios de barco costumam visitar Jaguaribara. "Nesse período em que o açude encontra-se seco há aqueles que querem conhecer a história, fazer fotos", disse Lívia Barreto. "Sempre recebemos grupos de Fortaleza, alunos. Realizamos aulas de campo sobre a antiga e a nova Jaguaribara, as suas histórias".
Fortalecimento
O Fórum na região tem por finalidade fortalecer as atividades do setor. "Propomos mapear os pontos turísticos, definir rotas a partir da integração das cidades", pontuou Wandrey Pires. "Cada município tem a sua vocação, a sua história, os eventos religiosos, a culinária".
A presidência do Fórum ficou com a secretária de Desenvolvimento Econômico, Aquicultura e Pesca de Jaguaribara, Lívia Barreto. A vice-presidência será ocupada por Germano Maia, diretor de Turismo de Limoeiro e a secretaria executiva, por Romário Soares, assessor técnico da secretaria de Turismo de Jaguaribe.
Com dois gols de Gustavo, Tricolor vence Iguatu e parte na frente no hexagonal do Cearense, no Castelão
Gustavo chuta e marca o primeiro gol, mostrando todo o seu oportunismo ( FOTO: THIAGO GADELHA )
00:00 · 02.03.2018 / atualizado às 02:01 por Ivan Bezerra - Repórter
Mesmo entrando com uma formação diferente da que vem atuando, o Fortaleza superou a forte marcação do Iguatu e aplicou 2x0, ontem à noite na Arena Castelão, abrindo o hexagonal do Campeonato Cearense 2018.
Os dois gols do Leão do Pici foram marcados pelo centroavante Gustavo, que disparou na artilharia, agora com 11 gols marcados na temporada.
A partida também marcou a estreia do atacante Osvaldo, que contribuiu decisivamente para a vitória, ao servir a Gustavo, para que este marcasse o segundo gol e tranquilizasse a torcida, confirmando a vitória.
Osvaldo deixou boa impressão de como se encontra, técnica e fisicamente, ao realizar jogadas que levaram perigo ao adversário, atuando aberto pela esquerda do ataque tricolor.
Marcação
O próprio técnico do Fortaleza, Rogério Ceni, manifestou a sua surpresa em ver a escalação do Iguatu. O treinador Roberto Carlos armou sua equipe, mais com uma preocupação defensiva do que ofensiva. De imediato, ele escalou o volante Caio Acaraú para acompanhar os passos do atacante Edinho para onde ele fosse. Eram três jogadores de marcação logo na meia cancha: Michel, que cansou e foi substituído no segundo tempo, Dedê e Caio Acaraú.
No primeiro tempo, Edinho não conseguiu produzir como costuma fazer, devido à forte marcação de Caio Acaraú. Este procurou não dar espaços para Edinho e não se importou se precisasse cometer faltas duras.
Mesmo assim, Edinho conseguiu se desvencilhar da marcação, ainda no primeiro tempo e chutou na diagonal, já dentro da área. A bola bateu na trave esquerda, retornou e Edinho finalizou novamente, mas bateu em um zagueiro e saiu.
O primeiro gol do Tricolor veio em um contra-ataque. Alan Mineiro recebeu na meia-direita e serviu ao lateral Bruno Melo na esquerda. Este entrou na área pela esquerda, cruzou rasteiro e Gustavo, este se antecipou a um zagueiro e tocou de perna esquerda, marcando 1x0, para o alívio da torcida presente.
No segundo tempo, Alan Mineiro tocou uma bola no travessão, logo aos 48 segundos. Na sobra, Gustavo finalizou no alto e o goleiro Gleibson fez a mais bela defesa da partida, espalmando por cima da trave.
Quando Osvaldo entrou, Caio Acaraú largou Edinho e foi cuidar dele, Osvaldo. Mas, não impediu o gol aos 27 minutos. Felipe lançou Osvaldo, este cruzou e Gustavo chutou rasteiro, marcando o segundo gol: 2x0.
No dia de hoje, 01/03/2018, anotem bem, - primeiro de março de dois mil e dezoito - sete (07) vereadores fizeram um dos maiores retrocessos políticos de uma cidade. Colocaram Icapuí na história do Estado do Ceará, como sendo a primeira cidade a destruir a carreira o PCCr do magistério.
Lamentável! O fato em si e como tudo aconteceu. De forma sorrateira, um projeto que deu entrada no legislativo, no dia 28/02/2018 à tarde, para ser votado na manha seguinte, 01/03/2018, sem a mínima discussão com os mais interessados e um debate e análise com as partes interessadas.
Nós servidores haveremos de nos mobilizar e nos organizar para o enfrentamento dessa questão e de outras que, provavelmente virão, pois sabemos do papel que jogamos para sociedade, enquanto motores de execução dos serviços da máquina pública.
Não iremos ficar à mercê de meras ponderações, alinhavadas por ditos “técnicos”, que nos “demoniza enquanto servidores” e que em nada acrescentam aos verdadeiros motivos que elevam os gastos com pessoal. Planejar melhor as ações, diminuir os excessos e acabar com as irregularidades são as saídas técnicas para sanar os gastos com folha em Icapuí.
O que os sete (07) setes nobres vereadores de Icapuí fizeram hoje foi um grande desserviço para a população de Icapuí, em especial para a educação. Destruir o serviço público a partir da retirada de direitos dos trabalhadores é algo pernicioso, que precisa ser urgentemente extirpado da sociedade, sob pena de faltar aos mais necessitados os direitos mínimos que é um serviço público de qualidade.
À LUTA COMPANHEIROS!!! Quinta, 08/03 (Dia da Mulher) tem assembleia.
Em discurso na tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza realizado na última quinta-feira, 01 de março, a vereadora Eliana Gomes (PCdoB) denunciou que o governo do presidente Michel Temer deixou Fortaleza de fora de portaria que trata da oferta de novas unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), publicada na última terça-feira (27), no Diário Oficial da União.
“Enquanto retira recursos da moradia popular, o ilegítimo gastou bilhões em emendas parlamentares para salvar sua pele no Congresso Nacional", critica.
O Ceará, inclusive, conta com uma pífia indicação. Somente as cidades de Acopiara, Independência, Lavras da Mangabeira, Limoeiro do Norte, Porteiras, Tejuçuoca e Várzea Alegre estão contempladas. No total, são somente 550 unidades habitacionais para o Estado.
O instrumento assinado pelo ministro das Cidades, Alexandre Baldy, prevê a contratação de empreendimentos com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social - FDS, no âmbito do Programa Nacional de Habitação Urbana - PNHU, integrante do MCMV, para atendimento de famílias com renda familiar mensal de até R$ 1.800,00, ou seja, de baixa renda. A chamada faixa um do programa de moradia.
Desde quando assumiu o poder, o Governo Temer vem diminuindo sistematicamente os recursos para moradia popular. O programa se encontra com transferências travadas e obras paradas em todo o país.
Temer impôs à população restrições no Orçamento da União destinado a áreas estratégicas, como saúde, assistência e habitação, por exemplo. Diante disso, a terceira etapa do Minha Casa Minha Vida está sendo totalmente reformulada pelo Ministério das Cidades. Só no orçamento para 2018, no setor habitacional, os cortes chegam a quase 20%.
“Enquanto retira recursos da moradia popular, o ilegítimo gastou bilhões em emendas parlamentares para salvar sua pele no Congresso Nacional, tentando enterrar as denúncias de corrupção que pesam contra si. Também aprovou perdões de dívidas previdenciárias e tem criado novos cargos, novas secretarias e novos ministérios, tudo isso para abarcar os seus interesses políticos e dos grupos econômicos que controlam o Governo”, comentou a vereadora Eliana Gomes.
Conforma a comunista, é da dado “mais um golpe no povo brasileiro”. A parlamentar lembrou que, enquanto Temer discursa sobre violência, as políticas públicas que poderiam inibir o crescimento da desigualdade e, portanto, da violência, são destruídas.
“A única saída é a reação popular. 2018 é ano eleitoral. 2018 é a nossa oportunidade de mudança. Não ainda mudar o presidente, somente. É preciso eliminar a sujeira do Congresso nacional e das assembleias legislativas”, finalizou Eliana.
As novas regras do programa de refinanciamento de débitos tributários, o Refis, bem mais generosas com sonegadores e mau pagadores, devem perdoar dívidas de aproximadamente R$ 62 bilhões. De acordo com reportagem de O Estado de S. Paulo, o valor é quase o dobro do calculado inicialmente pela Receita Federal.
O texto do projeto aprovado no Congresso estabelece que grandes devedores, após quitação de 20% do total de sua dívida, podem parcelar o restante em 180 vezes com descontos sobre juros de até 90% e sobre multas de até 70%.
Com isso, a adesão ao programa terminou sendo maior que o previsto pela Receita. Em agosto do ano passado, antes de o projeto ser votado no Legislativo, a estimativa era que a renúncia chegasse a R$ 35,1 bilhões ao longo dos 15 anos de parcelamento. "Renunciamos mais do que era previsto", admitiu o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, ao apresentar os dados da arrecadação de janeiro.
De acordo com a matéria de O Estado de S.Paulo, a Receita já identificou que, além de a renúncia de recursos ter ficado acima do previsto, muitos contribuintes que aderiram ao parcelamento optaram pelo pagamento à vista, em janeiro de 2018.
Isso indicaria que eles não tinham dificuldade de caixa a ponto de precisar parcelar a dívida em até 15 anos, apenas queriam ter os descontos generosos. Com isso, o governo registrou um ingresso de quase R$ 8 bilhões em receitas com o Refis - metade dos pagamentos à vista.
A aprovação nas novas regras do Refis foi usada pelo governo como moeda de troca, ao longo de sua tramitação no Congresso. O programa de refinanciado terminou sendo um agrado a aliados, especialmente aos empresários, num momento em que Michel Temer buscava o arquivamento da denúncia contra si e o apoio para a aprovação da reforma da Previdência.
Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) o Refis é “um tapa na cara da nação”, que estimula a sonegação, prejudica a arrecadação e favorece a concorrência desleal entre empresas, tornando “tóxico” o ambiente de negócios no Brasil.
No Brasil, 8,5% das escolas de ensino infantil não possuem serviços essenciais de infraestrutura, como saneamento básico e/ou energia elétrica. Isso, para o presidente-executivo do Instituto Trata Brasil Édison Carlos, significa que “o Brasil parou no século 19. Uma das dez maiores economias do mundo, não resolveu questões fundamentais”.
O Censo Escolar, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelou que além de 8,5% escolas de ensino infantil (0 a 6 anos) não possuírem serviços essenciais de infraestrutura, como saneamento básico (acesso à água e coleta dos esgotos) e/ou energia elétrica, somente 9,4% das creches e 12,6% das pré-escolas de zonas rurais possuem sistemas de esgotamento sanitário.
Já as instituições de ensino fundamental (6 a 14 anos), 8,2% das unidades, ou seja, 11 mil escolas não têm sequer um banheiro.
Os números são preocupantes, mas essa falta de infraestrutura se torna ainda mais ampla na região Norte, como os estados do Acre, o Amazonas, o Pará e Roraima e, de acordo com a coluna de Édison Carlos, engenheiro químico e presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, na Folha de S.Paulo, os avanços no país ocorrem de forma lenta na maioria dos municípios.
“A ausência do saneamento básico, pilar primário da infraestrutura, é um problema do país há décadas. Embora o Brasil tenha dado passos importantes, como a criação do Ministério das Cidades e o lançamento do Plano Nacional de Saneamento Básico, os avanços ocorrem de forma lenta na maioria dos municípios”.
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, 34 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à água tratada e pouco menos da metade da população não tem coleta de esgotos.
E isso, para o presidente-executivo do Instituto significa que “o Brasil parou no século 19. Uma das dez maiores economias do mundo, não resolveu questões fundamentais. Ao não oferecer banheiros e sistemas de esgotamento sanitário adequados a crianças, professores e demais profissionais, comprometemos não apenas a saúde de gerações de brasileiros mas também sua aprendizagem”, finalizou em sua coluna desta sexta-feira (02).
Os dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) sobre o desemprego agravam ainda mais o cenário vivido pelo trabalhador brasileiro. A população brasileira economicamente ativa, empregada ou em busca de emprego, vive em um cenário de falta de perspectivas para o ano que se inicia, afirmam entrevistados pelo Portal Vermelho.
Por Railídia Carvalho
A redução do desemprego registrada de novembro de 2017 a janeiro deste ano é comemorada pelo governo e contestada pelo movimento sindical. “Não há o que se comemorar quando o desemprego diminui às custas do aumento da informalidade”, declarou o metalúrgico Marcelino da Rocha, presidente da Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal).
De acordo com a pesquisa a taxa de desemprego ficou em 12,2% de novembro a janeiro deste ano. Houve um recuo em relação ao mesmo período do ano anterior, no entanto, especialistas do mercado previam que a taxa seria de 12%. Para 2018 o governo prevê queda no desemprego. “A expectativa é que o mercado formal melhore porque parte do que vai ser visto como formalidade são as formas precárias de ocupação como o trabalho intermitente, por exemplo”, alertou Clemente Ganz, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Marcelino (foto) classificou o cenário atual como trágico: “O Brasil viveu uma situação nos períodos Lula e Dilma em que apenas 5% da população estava desempregada. No atual estágio pós-golpe são quase 13 milhões de desempregados, mais 26 milhões no mercado informal e numa situação ainda piorada em relação às relações de trabalho com renda menor e retirada de direitos com a reforma trabalhista em vigor. Então os dados além de não serem animadores são de perspectivas sombrias”, definiu o presidente da Fitmetal.
Na opinião de Clemente, o trabalhador brasileiro começa a experimentar, ainda que inconscientemente para a maioria, um período de profundas mudanças no mercado de trabalho. Para ele, o sindicato é um instrumento estratégico para enfrentar o cenário de ausências de perspectivas, tanto para quem está empregado quanto para aquele desempregado.
“Além de entender as mudanças no mercado de trabalho é papel do sindicato intensificar as práticas de defesa dos direitos dos trabalhadores e repensar a forma de organização sindical, por exemplo, para além do mercado de trabalho. Com as novas formas de contratação, o trabalhador terá uma rotina que não inclui um local de trabalho fixo, por exemplo”, lembrou Clemente.
O movimento sindical resiste a uma ofensiva do capital que se concretizou com a reforma trabalhista que, entre outras questões, atacou a fonte de sobrevivência das entidades, que é a contribuição sindical.
“O processo de precarização das relações de trabalho veio acompanhado de um ataque violento às organizações sindicais. O objetivo é eliminar a sustentação financeira das entidades sindicais colocando as categorias à mercê do patrão. A curto e médio prazo o nosso trabalho na base aponta também para as próximas eleições massificando diante do trabalhador a necessidade de elegermos um projeto político que tenha responsabilidade com o desenvolvimento através da valorização do trabalho”, defendeu Marcelino.
Nesta quinta-feira (1º) a pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, lança vídeo em que apresenta dados lastimáveis e alarmantes sobre a desigualdade social no Brasil e no mundo. Ela trata também da violência contra a mulher, aponta dados da desigualdade de gênero e sugere que esse mês seja um momento de muita luta contra as injustiças sociais: “No mês de março, mês da mulher, rebele-se contra todas as injustiças!”, diz Manuela.
No início do vídeo, Manuela apresenta os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a violência contra a mulher. “Segundo a ONU, 7 entre 10 mulheres serão violentadas em algum momento de suas vidas e ainda com requintes de crueldade”, lembra. “A ONU estima que a causa de morte por queimaduras seja a sétima causa de morte das mulheres.”
No mercado de trabalho, ressalta Manuela, quase metade das mulheres que tiram licença maternidade não se mantém empregada quando volta ao serviço. Na maioria dos países no mundo, lembra a pré-candidata, “a mulher recebe 80% do salário dos homens e a principal razão dessa diferença é por serem mães”.
Em um segundo momento, a pré-candidata comunista retrata a realidade vivida por uma grande parcela da população no Brasil e no mundo. “800 milhões de pessoas passam fome no mundo, mesmo o mundo tendo capacidade de alimentar um planeta e meio. 1 bilhão de pessoas não tem água potável para beber”, diz.
Manuela fala ainda das mais de dois milhões e 500 mil crianças que estão fora da escola, das três milhões e 300 mil crianças entre 5 e 17 anos que trabalham, das crianças negras que são revistadas pela polícia enquanto estão indo para as escolas, em referência ao tratamento dos militares em intervenção no Rio de Janeiro.
Manuela lembra ainda que “apesar só o trabalho gerar riqueza, apenas os bancos ficam com os lucros do suor dos trabalhadores e trabalhadoras”.
Retrocessos no Brasil
Sobre o contexto político brasileiro, Manuela conclama à rebeldia e critica o “golpe misógino que colocou no governo aqueles que estão destruindo o Brasil e o nosso futuro”, além da Emenda Constitucional 95 que “congela gastos públicos em educação e saúde nos próximos 20 anos”.
“No Brasil tivemos 13 milhões de desempregados nos últimos anos”, lembra. “E vivemos um tempo de ameaça às liberdades, a autonomia das universidades está ameaçada e os professores têm sofrido perseguição”, denuncia.
“Março é o mês da mulher e pode ser um mês diferente. Rebele-se contra todas as injustiças. Por um março rebelde!”, convoca Manuela.