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sábado, 6 de janeiro de 2018

Percentual de famílias endividadas sobe de 59% para 62,2% - Portal Vermelho

Percentual de famílias endividadas sobe de 59% para 62,2% - Portal Vermelho: Reflexo das políticas do governo de Michel Temer, que pioram a situação da classe trabalhadora, o percentual de famílias brasileiras com dívidas fechou 2017 em 62,2%, acima dos 59% de 2016.

Percentual de famílias endividadas sobe de 59% para 62,2% - Portal Vermelho

Percentual de famílias endividadas sobe de 59% para 62,2% - Portal Vermelho: Reflexo das políticas do governo de Michel Temer, que pioram a situação da classe trabalhadora, o percentual de famílias brasileiras com dívidas fechou 2017 em 62,2%, acima dos 59% de 2016.

Movimentos sociais se concentram em Porto Alegre em defesa de Lula - Portal Vermelho

Movimentos sociais se concentram em Porto Alegre em defesa de Lula - Portal Vermelho: Entre todas as atividades, as que acontecerão no dia 23 de janeiro, têm destaque na agenda das organizações dos movimentos sociais e sindicais que estão organizando a Jornada Nacional Pela Democracia e pelo Direito de Lula ser candidato.

Movimentos sociais se concentram em Porto Alegre em defesa de Lula - Portal Vermelho

Movimentos sociais se concentram em Porto Alegre em defesa de Lula - Portal Vermelho: Entre todas as atividades, as que acontecerão no dia 23 de janeiro, têm destaque na agenda das organizações dos movimentos sociais e sindicais que estão organizando a Jornada Nacional Pela Democracia e pelo Direito de Lula ser candidato.

Temer quer mudar Constituição para evitar denúncia de crime fiscal - Portal Vermelho

Temer quer mudar Constituição para evitar denúncia de crime fiscal - Portal Vermelho: O presidente Michel Temer e seus aliados estudam mudar a Constituição para promoverem aquilo que antes eles chamavam de 'irresponsabilidade fiscal'. Os mesmos que articularam o golpe contra Dilma Rousseff acusando gastança e populismo agora trabalham para suspender a ' regra de ouro', que impede a União de emitir dívida em volume superior a investimentos. Depois de aprovar a Emenda do Teto de Gastos, agora planejam romper a regra central da Lei de Responsabilidade Fiscal, que tanto veneravam.

Temer quer mudar Constituição para evitar denúncia de crime fiscal - Portal Vermelho

Temer quer mudar Constituição para evitar denúncia de crime fiscal - Portal Vermelho: O presidente Michel Temer e seus aliados estudam mudar a Constituição para promoverem aquilo que antes eles chamavam de 'irresponsabilidade fiscal'. Os mesmos que articularam o golpe contra Dilma Rousseff acusando gastança e populismo agora trabalham para suspender a ' regra de ouro', que impede a União de emitir dívida em volume superior a investimentos. Depois de aprovar a Emenda do Teto de Gastos, agora planejam romper a regra central da Lei de Responsabilidade Fiscal, que tanto veneravam.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Vila das Artes com inscrição para oficinas de férias de audiovisual

Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes está com inscrições abertas para mais duas oficinas gratuitas do programa de férias: “Incentivo à Criação de Mostras e Festivais” e “Fragmentos de Imagens e Sons que Estimulam nossos Sentidos”. A Vila das Artes é um equipamento da Prefeitura de Fortaleza e todas as suas atividades são gratuitas.


A Vila das Artes é um equipamento da Prefeitura de Fortaleza e todas as suas atividades são gratuitas.
A Vila das Artes é um equipamento da Prefeitura de Fortaleza e todas as suas atividades são gratuitas.

As inscrições das novas oficinas vão até o dia 18 de janeiro, com resultados divulgados no dia 19 do mesmo mês. O programa de férias já conta com a abertura de inscrição para os cursos “Cineclubismo: Trajetórias e Mapeamento”; “Processos Criativos em Performance e Instalação Sonora”; “Crítica e Curadoria de Mostras e Festivais e Efeitos Especiais para Vídeo” que foram abertos no dia 18 e 26 de dezembro de 2017. Saiba mais sobre todas as oficinas ofertadas.

Cineclubismo: trajetórias e mapeamentos com Victor Guimarães (20h/a)

A oficina tem como objetivo propor um espaço de reflexão e prática em torno do cineclubismo, sua história, seus pressupostos e seus desafios no presente. A partir de referências teóricas e históricas, reflexões sobre experiências recentes, discussões sobre metodologias e elaboração de uma intervenção prática, a oficina visa promover uma introdução sólida e qualificada à práxis cineclubista. Victor Guimarães é crítico de cinema na revista Cinética desde 2012 e no site Horizonte da Cena desde 2015. Fundador e programador, com Mariana Souto, do Cineclube Comum, que realiza atividades de exibição e reflexão cinematográfica em Belo Horizonte desde 2012.

Data: 08 a 12/01
Horário: 9h às 13h
Link 
Período de inscrições: 18/12 a 04/01
Resultado: 05/01
Vagas: 25

Processos Criativos em Performance e Instalação Sonora com Eric Barbosa (20h/a)

A oficina propõe realizar um processo imersivo sonoro no que tange os conceitos de intervenção, instalação e exposição, fundamentando esta formação em conceitos de site-specific, arte sonora, improvisação livre, arte-ruído, sistemas imersivos, soundtrification e performance sonora-espaciais. A oficina será ministrada por Eric Barbosa, compositor, educador, artista multimídia e produtor. Integrante do grupo experimental de música Fóssil. Sua produção artística transita por linguagens que envolvem música, cinema, dança, teatro, performance, arte sonora, pesquisas no conceitos de escutas de cidades/metrópoles e instalação sonora.

Data: 08 a 12/01
Horário: 14h às 18h
Período de inscrições: 18/12 a 04/01
Resultado: 05/01
Vagas: 25

Crítica e Curadoria de Mostras e Festivais com Amaranta Cesar (10h/a)

Diante da emergência de práticas cinematográficas que dão formas às lutas de movimentos sociais diversos por visibilidade e justiça, a oficina pretende refletir sobre o modo como a atividade de curadoria e programação pode responder com uma ação, no próprio cinema, à interpelação política dos filmes e às urgências do presente em relação à vida. Amaranta Cesar é professora adjunto de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3 (2008) e realizou estágio pós-doutoral na New York University. Idealizou e coordena o Cachoeiradoc – Festival de Documentários de Cachoeira.

Data: 15 a 17/01
Horário: 9h às 12h
Período de inscrições: 26/12 a 11/01
Resultado: 12/01
Vagas: 25

Efeitos Especiais para Vídeo com Isadora Stevani (20h/a)

Neste curso o participante vai aprender as ferramentas e técnicas básicas para criar Efeitos Especiais em vídeos. Começando com uma introdução ao software After Effects e progredindo para a aplicação de conceitos estruturais como chromakey, rotoscopia, máscaras, traqueamento 2D e 3D, inserção de elementos gráficos, animações, composições e ajustes de cor. Realizaremos uma jornada de 5 dias para explorar de forma prática a criação de Efeitos Especiais. Isadora Stevani é diretora, editora e finalizadora. Formada em Rádio e TV, se focou nos estudos de finalização como efeitos especiais, animação e ilustração 3D.

Data: 15 a 19/01
Horário: 14h às 18h
Período de inscrições: 26/12 a 11/01
Resultado: 12/01
Vagas: 25

Incentivo à Criação de Mostras e Festivais com Lis Kogan (10h/a)

Em uma época marcada pelo acesso direto e quase irrestrito aos filmes, em que plataformas de vídeo online e equipamentos de exibição caseira dominam a cultura do audiovisual, qual o sentido de se realizar uma mostra ou festival? A oficina propõe o debate sobre conceitos de programação, possibilidades de recorte e motivações para se elaborar uma mostra ou festival. Lis Kogan é graduada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense. Desde 2002 trabalha com programação e difusão do cinema brasileiro em geral, e do cinema brasileiro contemporâneo em particular. Programou o Festival Internacional de Curtas do RJ – Curta Cinema por quatro edições, e em 2009 fundou com outros curadores e cineastas a Semana dos Realizadores, cuja direção geral e artística assumiu de 2011 a 2016.

Data: 22 a 24/01
Horário: 9h às 12h
Período de inscrições: 03/01 a 18/01
Resultado: 19/01
Vagas: 25

Fragmentos de Imagens e Sons que Estimulam nossos Sentidos com Ivo Lopes (20h/a)

A oficina busca fazer uma análise dos elementos que compõem as cenas, como cada elemento está posto e o que ele proporciona em conjunto com os demais. Destrinchar a cena (todas as camadas do som e da imagem). Ivo Lopes é diretor de fotografia e membro do coletivo cearense Alumbramento, trabalha também como diretor, roteirista e produtor.

Data: 22 a 26/01
Horário: 14h às 18h
Período de inscrições: 03/01 a 18/01
Resultado: 19/01
Vagas: 25
  



Inácio Arruda participa de posse dos novos servidores da Uece

O secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda, participou da solenidade de posse dos novos servidores técnico-administrativos da Universidade Estadual do Ceará, realizada na última quarta-feira (03), no auditório Paulo Petrola, Campus Itaperi. Foram empossados pelo reitor Jackson Sampaio, 102 profissionais aprovados no primeiro concurso público para servidores técnico-administrativos do sistema Funece/Uece, ocorrido em fevereiro de 2017, com a oferta de 135 vagas.


Eles foram aprovados no 1º concurso público realizado nos mais de 40 anos de existência da universidade
Eles foram aprovados no 1º concurso público realizado nos mais de 40 anos de existência da universidade

“Vocês agora são concursados da Uece. Não estão entrando através de apadrinhamento. O padrinho de vocês é o conhecimento”, ressaltou o secretário Inácio Arruda, dizendo que se sentia honrado em participar da solenidade de posse dos aprovados no primeiro concurso público para servidor técnico administrativo nos mais de 40 anos de existência daquela universidade. Inácio lembrou também a importância do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), aprovado em dezembro de 2017, “uma conquista dos servidores e seus sindicatos”.

Durante a solenidade de posse, os concursados foram recepcionados pelos primeiros servidores da Fundação Educacional do Estado do Ceará (FUNEDUCE), antecessora da Funece, Liana Rabelo de Castro Andrade e José de Freitas Barbosa Filho. Presentes os pró-reitores, professores e familiares dos empossados.

Após dar posse aos novos servidores, o reitor Jackson Sampaio falou sobre a importância do trabalho desses profissionais e das conquistas da universidade, lembrando que a Uece é pelo 7º ano consecutivo, a melhor universidade Estadual do Norte, Nordeste e Centro Oeste, além de ser a pioneira na interiorização do ensino superior.

Os novos servidores participarão do curso “Iniciação ao Serviço Público na Funece”, no período de 4 a 12 de janeiro, na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), realizado em parceria com a Funece/Uece e a Escola de Gestão Pública (EGP). Eles deverão se apresentar aos seus locais de trabalho a partir de 15 de janeiro de 2018 e serão distribuídos nos campi da Uece no interior e na capital.



Fonte: Assessoria da Secitece

CAIXA: Juiz nega reforma trabalhista em caso de incorporação de função



 
 

A empresa assegurava, por meio de normativo interno (RH 151), que a gratificação de função fosse incorporada ao salário quando o empregado contasse com mais de dez anos de função e viesse a ser destituído, sem justo motivo, da função gratificada. O direito à incorporação da função para empregados com mais de dez anos foi pacificado no Tribunal Superior do Trabalho, por meio da Súmula 372.

Com o advento da reforma trabalhista, instituída pela Lei 13.467, a Caixa Econômica Federal revogou, no dia 10/11 (véspera da vigência da reforma trabalhista), o RH 151, alegando que a nova lei não assegurava mais este direito.

Em resposta à ação ajuizada pelo Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE), o Juiz Eliude dos Santos afastou a aplicação da reforma trabalhista para os empregados que estavam trabalhando na empresa até o dia 10 de novembro de 2017. Isto significa que estes empregados continuarão a ter direito à incorporação de função de forma gratificada, quando contarem dez ou mais anos de percepção de função.

Em sua decisão, afirma o Juiz que: “Os efeitos da revogação do normativo RH-151 jamais poderão atingir situações funcionais pretéritas já consolidadas e tuteladas pelo princípio constitucional do direito adquirido (art. 5º, inc. XXXVI, CF/88). Além disso, o temor implantado no conjunto dos empregados da CEF, em decorrência da inexplicável e apressada revogação do normativo interno (RH-151), motivada pela devastadora reforma trabalhista (lei 13.467/2017), aliada ainda às afirmações da ré de que a Súmula 372 do TST não subsistirá e deixará de ter efeitos práticos em face da nova redação do § 2º do artigo 468 da CLT, podendo a CEF inclusive dispensar empregado de cargo comissionado a qualquer tempo, sem a necessidade de qualquer compensação financeira, caracteriza, inquestionavelmente, um perigo de dano permanente e de difícil reparação ao conjunto de empregados que laboram no período de vigência do referido normativo”.





Fonte: SEEB/CE

"Sem política redistributiva, seremos o país mais desigual do mundo"

Divulgação
Para o especialista, optar por cortar investimentos do Estado agravam ainda mais a crise social pela qual o país atravessa
Para o especialista, optar por cortar investimentos do Estado agravam ainda mais a crise social pela qual o país atravessa


As medidas de austeridade, características da lógica do neoliberalismo, aprofundam os efeitos da recessão, exercendo duplo efeito sobre a saúde da população: aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doenças e compromete as políticas sociais que poderiam combatê-las. A análise é do professor Kenneth Camargo Jr, do Instituto de Medicina Social da Uerj (IMS/Uerj), em entrevista ao blog do CEE-Fiocruz. O professor, que participou do painel Os Efeitos da Austeridade na Saúde, realizado pelo IMS em dezembro passado, contesta o discurso que sustenta que cortes nos gastos públicos pelo Estado levam ao aumento dos investimentos privados. “Historicamente essa lógica se mostrou equivocada. Tentar resolver uma crise fiscal fazendo cortes de gastos aprofunda a crise, retarda o movimento de recuperação e agrava suas consequências”, aponta.

O Estado, segundo Kenneth, tem o papel fundamental de indutor do crescimento. “Se o país não voltar a crescer, não teremos como gerar recursos para fazer frente aos desafios que estão colocados. Essa deveria ser a prioridade de cada governo”, observa o professor, que também ressalta a importância do investimento estatal em políticas de saúde. “As políticas de saúde têm o potencial de reduzir os efeitos deletérios que uma economia em má condição gera para a população”, explica.

Confira a íntegra da entrevista:

Qual a relação entre austeridade e neoliberalismo? Mesmo governos não liberais são pautados por essa agenda. Como isso tem se dado no Brasil? 

As propostas de austeridade derivam de um modelo, de uma forma de entender a economia, que historicamente tem se mostrado equivocada. O economista [americano] Paul Krugman enfatiza que, se o Estado cortar bastante seus gastos, os investimentos privados vão voltar. Isso é chamado de fada da confiança. A questão é que não se estabelece a confiança do mercado fazendo cortes na economia. Resolver assim uma crise fiscal aprofunda a crise, retarda o movimento de recuperação e agrava suas consequências. Vários economistas não ortodoxos têm mostrado que na história isso não funciona.

A teoria neoliberal é mal definida, mas de qualquer maneira essa perspectiva ideológica e essa visão de mundo estão atreladas a duas ideias fundamentais. A primeira é que o mercado é um ente autônomo frente ao Estado, que necessariamente se autoequilibra e, portanto, qualquer tentativa de intervenção no mercado é considerada negativa, porque levaria ao seu desequilíbrio. Outra característica importante, consequência dessa primeira, é que, no fundo, trata-se de uma perspectiva antidemocrática. Postula-se que qualquer interferência do Estado e, portanto, da política democrática, no mercado seria indevida.

É o que estamos assistindo no Brasil de forma completamente absurda. Para se dar conta de uma crise fiscal que tem predeterminantes bastante complexos, adota-se uma retração absoluta que está levando a uma recessão. Isso agrava o cenário, uma vez que com a recessão, há queda da arrecadação e o Estado tem menos capacidade de intervenção, o que compromete as políticas públicas...

O que foi feito no Brasil é temerário, sem querer fazer trocadilho, por incluir essa medida na Constituição [com a Emenda Constitucional 95, do teto de gastos públicos]. Em um momento em que o orçamento já estava bastante restrito.

O orçamento de 2018 foi aprovado em 13 de dezembro.... 

Com cortes enormes em Ciência & Tecnologia, entre outros. Essa política privilegia o rentismo. Superávit primário, austeridade fiscal, tudo isso tem como pano de fundo a ideia de que o compromisso básico do Estado é pagar juros da dívida. O resto que se dane.

Estamos vivendo isso no Rio de Janeiro. O contrato com o funcionário é o primeiro que “dança”, bem como todas as políticas públicas, porque é preciso honrar a dívida. E ficamos nessa situação peculiar, com um país em franca recessão há anos e os bancos realizando os maiores lucros de sua história.

Há uma série de medidas, como a desvinculação de receita orçamentária, implementadas para arrancar dinheiro das políticas sociais e destinar ao pagamento de juros da dívida. Ficam procurando bode expiatório para isso, a reforma da Previdência, mas é o modelo econômico que é fundamentalmente falho e perverso.

A outra grande questão é que temos uma estrutura tributária que é regressiva – e também perversa. Proporcionalmente, quanto menos você ganha, mais você paga de imposto. Mesmo que não pague imposto de renda, os impostos que existem sobre o consumo são muito altos. Uma pessoa pobre, que não tem condições de fazer poupança, que gasta praticamente tudo o que ganha para sua subsistência, compromete mais, proporcionalmente, sua renda com imposto.

Só o Brasil e a Estônia não taxam dividendo, por exemplo. Há uma elite que paga muito pouco imposto, se é que paga, deixando-se a carga tributária toda em cima das classes de menos renda. Um quadro complicado, cujo modelo tem que ser repensado e revertido. Temos que voltar a crescer e temos que ter uma política redistributiva, se não seremos o país mais desigual do mundo, preso nesse ciclo de armadilhas em que estamos agora.

Quais as diferenças e aproximações entre as medidas de austeridade aplicadas na Europa e as que estão sendo aplicadas no Brasil? 

A lógica é a mesma: cortar o gasto do Estado e, principalmente, os gastos com políticas sociais. É cortar aposentadoria, recursos para a saúde... No caso da Europa, já vem de longo tempo a erosão do Estado de bem estar social; não é de hoje que vêm sendo implementadas medidas que restringem direitos que haviam sido conquistados. Isso se acelera a partir da queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética. Deixa-se de ter o “período vermelho”, deixa-se de ter motivação ideológica para implementar políticas que favoreçam o trabalhador.

A Espanha, que supostamente está começando a se recuperar, tem taxa de desemprego de 25%. Na verdade, só quem marchou contra essa maré de provocar e aprofundar a recessão foi a Islândia e, atualmente, Portugal. Só que, no caso Europeu, as decisões tomadas em um determinado ano, poderiam ser revertidas no ano seguinte.

No Brasil, essa regra passou a fazer parte da Constituição por 20 anos, amarrando quatro mandatos presidenciais. Trata-se de uma política completamente equivocada, que, para ser revertida, precisa de três quintos dos votos da Câmara em duas votações e mais três quintos no Senado. Criou-se um constrangimento voluntário do Estado brasileiro, que chamou a atenção até mesmo de revistas internacionais mais conservadoras, como a [inglesa] Economist, que diz se ser essa a mãe de todas as políticas de austeridade. Os efeitos podemos ver hoje, e continuaremos vendo.

O Banco Mundial recentemente divulgou o relatório ‘Um ajuste justo: análise da eficiência e da equidade do gasto público no Brasil’, que critica o país por gastar muito com políticas sociais, que considera ineficientes. Como o senhor avalia esse discurso da cobrança pela eficiência que sustenta o corte de serviços e a redução dos gastos públicos? 

Trata-se de um discurso falacioso que não se sustenta tecnicamente. Esse relatório é claramente uma peça ideológica, feita para justificar a política inadequada que vem sendo implementada. Essa lógica existe desde aqueles programas de ajuste estrutural dos anos 1980, em que a ideia é o predomínio da iniciativa privada, privatizar tudo, o Estado não oferece assistência.

Na verdade, o problema da arrecadação tem dois aspectos fundamentais: a queda da atividade econômica, que provoca mais recessão porque a arrecadação cai cada vez mais, e a política fiscal completamente imprópria. O que começou a gerar o problema foi o processo equivocado de desoneração que, em determinado momento do governo Dilma foi implementado e tirou receita do Estado: não é que o Estado esteja gastando demais e sim, arrecadando de menos.

As políticas sociais são extremamente necessárias. O Brasil está entre os países mais desiguais do mundo e todo o processo de inclusão social que o país conseguiu fazer ao longo dos últimos 12 anos está sendo desfeito de forma acelerada. O estudo do Banco Mundial é falacioso, enviesado ideologicamente e trabalha com dados completamente equivocados.

Mais especificamente em relação à saúde pública, quais os efeitos da austeridade sobre a população? 

Há um livro muito interessante, traduzido para o português, cujo título original é The body economic: Why austerity kills, de David Stuckler e Sanjay Basu, que chama atenção exatamente para as consequências dessas políticas sobre a saúde. Eles dizem que o efeito da recessão na saúde não é tão direto e imediato quanto se possa pensar.

Na redução da atividade econômica, há menos transporte de carga, por exemplo, menos carros, menos caminhões na estrada e, com isso, reduzem-se os acidentes e o congestionamento. O que acaba sendo determinante para a saúde das pessoas é a resposta que o Estado dá para a recessão. Se essa resposta é mais recessão, os efeitos se aprofundam.

Vive-se em situação de precariedade, com menos recursos, com redução de políticas que poderiam estar compensando os danos criados pela recessão, como está acontecendo com o Bolsa Família, cujo número de beneficiários está sendo cada vez mais reduzido. A epidemiologia social vem mostrando o quanto o modo como as pessoas vivem é determinante para a maneira como adoecem.

No cenário de recessão, aumenta a probabilidade da doença por um lado, e, por outro, as redes de proteção que permitiriam fazer frente a isso são cortadas. O problema é que esses efeitos não são sentidos de imediato. Os resultados efetivos, alguns deles, só vão poder ser vistos daqui a algum tempo. As doenças crônicas, por exemplo, não se manifestam imediatamente.

De qualquer forma, a gente já vê efeitos na organização do sistema de saúde, como falta de remédios e cortes em diversas áreas. Se o SUS nunca foi financiado como deveria, agora está na pior situação possível. É como disse Gastão Wagner [presidente da Abrasco –Associação Brasileira de Saúde Coletiva]: é a primeira vez na história que um ministro da Saúde é contra o SUS.

Existem políticas de saúde que, mesmo em situação econômica desvantajosa, podem ter efeitos positivos. Vou citar um exemplo do Brasil: durante a chamada década perdida, os anos 80, em que a economia ficou patinando, conseguimos fazer reduções importantes na mortalidade infantil, com incentivo à vacinação e agentes comunitários de saúde. As políticas de saúde têm o potencial de reduzir os efeitos deletérios que uma economia em má condição gera para a população.

Existem alternativas para conter o avanço da agenda de austeridade no Brasil? Governos de centro-esquerda são capazes, neste momento, de resistir a essa agenda? 

Espero que sim. O governo Lula, por exemplo, tentou se caracterizar por uma política de conciliação. Enquanto estava em tendência de crescimento, conseguiu pegar as sobras desse crescimento para investir na população mais pobre ou mais carente, sem mexer nos privilégios do que alguns jornalistas chamam de andar de cima.

Nas condições atuais, sem uma reforma tributária não se consegue. E não sou eu que estou dizendo. Thomas Piketty, que já mencionei, autor da obra fantástica O capitalismo no século 21, mostra que se você não tem regulação e intervenção pesada do Estado, a tendência do capitalismo é criar cada vez mais desigualdade e favorecer cada vez mais a concentração de renda.

Se não tivermos medidas para reduzir essa concentração de renda – o que significa criar um imposto de renda progressivo, taxar as camadas mais altas, taxar o grande capital, instituir, como está na Constituição, o imposto sobre grandes fortunas – não vamos conseguir reverter essa situação. Nesse sentido, o Estado tem papel fundamental de indutor, para que seja retomado o crescimento. Se o país não voltar a crescer, não teremos como gerar recursos para fazer frente aos desafios que estão colocados. Essa deveria ser a prioridade de cada governo.

Quais as possibilidades de instituirmos hoje esse caminho no país? 

A trajetória histórica do Brasil sempre foi de oligarquias extremamente opostas e antagônicas a essa perspectiva. Sempre que se tenta caminhar um pouco nesse sentido, vemos a reação desses grupos. Vargas, por exemplo, foi levado ao suicídio; Juscelino quase foi impedido de tomar posse; vemos o que aconteceu com Jango [parlamentarismo e depois golpe militar] e estamos vendo isso também agora, com essa perseguição judicial ao Lula.

Precisamos mobilizar e esclarecer a população quanto ao que está sendo perdido. As pessoas estão começando a sentir os efeitos dessas medidas de austeridade no bolso. A agenda conservadora foi imposta com velocidade e intensidade tamanhas, que não permitiu que as pessoas organizassem uma reação logo no início. Já agora, está sendo mais difícil, por exemplo, aprovar a reforma da Previdência.

Em algum momento, espero que consigamos reverter o que foi feito em relação à nossa legislação. A primeira agenda, portanto, é anular todas essas medidas equivocadas que foram implementadas por esse governo pós-golpe, para depois pararmos para pensar soluções para país no futuro.



Fonte: RBA