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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Lavagem do Bonfim une turismo, cultura e fé em Salvador

Cerca de 800 mil pessoas devem participar da procissão quilométrica entre o Largo da Igreja da Conceição da Praia e o Largo da Igreja do Bonfim, na Colina Sagrada

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Crédito: Marcelo Reis/ Iphan

A próxima quinta-feira (11) é mais um dia de festa, religiosa e profana, para quem está curtindo o verão em Salvador. A Lavagem do Bonfim atrai devotos e turistas do mundo inteiro. A procissão de oito quilômetros sintetiza o espírito baiano de homenagear os santos católicos e orixás do candomblé. Durante a caminhada, o sincretismo religioso se torna explícito no abraço de católicos, mães e filhas de santo que manifestam a fé no Senhor do Bonfim ou Oxalá, o senhor do branco, pai da luz e absoluto do universo.
Todos os anos, na segunda quinta-feira de janeiro, cerca de 800 mil pessoas participam da procissão. Ao término da caminhada entre as igrejas de Nossa Senhora da Conceição da Praia e do Senhor do Bonfim, as baianas, que abrem o cortejo de fé e devoção popular, despejam seus vasos com água de cheiro no adro da igreja e sobre as cabeças dos fiéis, em um ritual de fé e esperança realizado há 273 anos, desde a chegada da imagem do Senhor do Bonfim de Portugal. Aos rituais religiosos, somam-se os festejos profanos com música, bebidas e comidas típicas da cozinha baiana. Essa mistura faz da Lavagem do Bonfim uma das festas mais comemoradas da Bahia e do verão de Salvador.
A lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, depois do Carnaval. A festa começa às 10 da manhã com um cortejo comandado por baianas com trajes típicos - turbantes, saias engomadas, braceletes e colares - vestidas de branco, a cor de Oxalá, o deus Yoruba sincretizado na imagem católica do Senhor do Bonfim. Desde a última sexta-feira de dezembro, o andor de madeira que será usado para conduzir a imagem na procissão está exposto na igreja da Colina Sagrada para amarração das tradicionais fitinhas com os pedidos dos fiéis. Outra tradição é amarrar as fitinhas nas grades do santuário que é visitado o ano inteiro por turistas de todo o mundo.
A Igreja do Bonfim, de 1754, é o principal símbolo do sincretismo religioso da Bahia. A lavagem só teve início em 1773, quando os escravizados foram obrigados a lavar a Igreja para a festa do Senhor do Bonfim que era realizada desde 1745 na igreja da Penha. Os adeptos do candomblé adotaram a lavagem como parte da cerimônia das Águas de Oxalá. A igreja proibiu o ritual no interior do templo e a lavagem se transferiu para as escadarias e o adro. Durante a lavagem, a igreja permanece fechada enquanto cerca de 200 baianas despejam água de cheiro na parte externa da igreja ao som de toques de atabaque e cânticos de caráter afro-religioso. Atualmente o ritual tem aspecto ecumênico.
PROGRAMAÇÃO - Quem já está em Salvador poderá participar da festa do Senhor do Bonfim desde a abertura da programação religiosa nesta quinta-feira (04). O novenário segue até o dia 13, sempre às 19h. O principal dia da festa, depois da procissão e da lavagem do dia 11, é 14 de janeiro, domingo, quando é realizada a missa solene em homenagem ao santo. A celebração é presidida pelo arcebispo primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, às 10h. Neste mesmo dia, os fiéis poderão assistir celebrações às 5h, 6h, 7h30 e 15h unindo fiéis de culturas e nacionalidades diferentes.

Fonte: MTur

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

"Desigualdade existe porque a prioridade é o capital, não as pessoas"

Divulgação
O advogado Martín Almada, que descobriu documentos que comprovaram a existência da repressão coordenada entre países da América Latina
O advogado Martín Almada, que descobriu documentos que comprovaram a existência da repressão coordenada entre países da América Latina


Em 22 de dezembro de 1992, ocorria um fato que mudaria para sempre a história política da América Latina: o advogado paraguaio Martín Almada, acompanhado pelo juiz José Agustín Fernández, encontrava quatro toneladas de documentos sobre atividades da polícia secreta paraguaia na ditadura de Alfredo Stroessner, que governou o país por 35 anos (de 1954 a 1989).

Os papéis ficaram conhecidos como Arquivos do Terror e denunciaram ao mundo à existência da Operação Condor, uma aliança política entre os vários governos militares da América Latina, com respaldo da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), para coordenar a repressão a opositores e eliminar seus líderes.

Dias antes, Almada havia recebido uma ligação de uma testemunha que o orientou onde estariam os arquivos: em uma pequena delegacia no interior do país. O advogado apenas buscava provas de que ele próprio havia sido torturado e que sua mulher, Celestina Pérez de Almada, fora assassinada. Porém, comprovou a existência de uma aliança multinacional para aniquilar opositores políticos. Anos depois, restabelecida a normalidade democrática naqueles países, os mesmos documentos serviram de base para a atuação das respectivas Comissões da Verdade, que por sua vez levaram à punição de diversos militares.

A descoberta rendeu a Almada o Prêmio Nobel Alternativo em 2002 e marcou sua trajetória de décadas de luta pelos direitos humanos.

Em entrevista à RBA, Almada, 80 anos, defende que parte dos interesses da Operação Condor continua vigente na América Latina, interferindo em governos populares para fortalecer grandes grupos econômicos estrangeiros e neoliberais. "Essa é a característica da nova fase do Condor: permitir que grandes empresas ocupem as ruas e os meios de comunicação de massa", diz o advogado, que publicou em 2015 seu último livro sobre o tema, chamado O Condor Segue Voando.

"Impera uma concepção econômica e neoliberal vinculada ao endividamento externo", explica.
A atual crise política de Honduras, o golpe parlamentar contra o presidente paraguaio Fernando Lugo, em 2012, e o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016 são, para Almada, "golpes brancos" com interesse de devolver a América Latina à posição de colônia. "Os governos atuais do Brasil e da Argentina estão alinhados com grandes empresários", diz. "Fundações dos Estados Unidos se articulam para enfraquecer governos de esquerda e abrir espaço para empresários defensores do livre mercado. A derrubada de Dilma foi apoiada por organizações como o Instituto Millenium, que recebe recursos do Bank of América Merrill Lynch."

Leia a entrevista na íntegra:

Como esta descoberta (sobre os Arquivos do Terror) influenciou o desenvolvimento da democracia nestes países?

A Argentina foi o país que até pouco tempo atrás liderou a defesa dos direitos humanos na América Latina. Outros países do Cone Sul seguiram com militares nostálgicos da ditadura e promoveram uma transição de regimes supostamente democrática, gradual e segura. Apesar do descobrimento dos Arquivos do Terror e da Operação Condor, que comprometem os genocidas da região, impera em muitos países um pacto de silêncio, que na prática significa um pacto de impunidade. O descobrimento dos Arquivos do Terror deu lugar a uma democracia de fachada.

Em muitos países da América Latina o Judiciário acaba dando suporte ao Poder Executivo e ao Congresso Nacional e criando brechas jurídicas, algumas inclusive para atender interesses estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos. O Poder Judiciário no Cone Sul é o mais caro do mundo, apesar de não ser um dos mais eficientes e de não ter promovido o desenvolvimento esperado da democracia.

O senhor afirma em seu livro que a Operação Condor não acabou. De que forma ela segue atuando na América Latina hoje em dia?

Uma das provas de que o "Condor segue voando" são os sucessivos ataques à democracia na região. Entre eles estão o golpe militar em Honduras em 2009 contra o então presidente Manuel Zelaya, o golpe parlamentar contra o governo constitucional de Fernando Lugo no Paraguai em 2012 e, nas últimas três semanas, a vitória contestável do conservador Juan Orlando Hernández para a presidência de Honduras, um candidato apoiado pelo governo norte-americano que se impôs provocando repressão e mortes.

A cada dois anos, exércitos de pelo menos 20 países das Américas se reúnem na Conferência de Exércitos Americanos (CEA). Há fortes indícios de que na 21ª edição, ocorrida em 1995, em Bariloche (Argentina), os participantes trocaram listas de nomes de pessoas de toda a América Latina consideradas subversivas. Esteve presente o ditador chileno Augusto Pinochet, que foi o único a não apoiar a democracia, com o argumento que o comunismo poderia se esconder atrás dela. A conferência se apresenta publicamente como uma ação para levar apoio aos mais necessitados, mas se omite totalmente da reparação de pessoas vítimas de terrorismo de Estado.

Outro indício de que os interesses da Operação Condor persistem é o funcionamento da Escola das Américas (instituição fundada em 1946, no Panamá, para treinar soldados latino-americanos em técnicas de guerra e contra insurgências. O centro funciona na Geórgia, nos Estados Unidos, desde 1984 e atualmente foi rebatizada de Instituto de Cooperação e Segurança do Hemisfério Ocidental). O padre católico norte-americano Roy Bourgeois – que há 25 anos montou um movimento contra a instituição – a chama de "Escola de Assassinos" e defende que diversos torturadores e violadores de direitos humanos se formaram ali.

Que tipo de interferência os Estados Unidos exercem sobre a América Latina hoje e como ela se alterou desde a Operação Condor?

Algumas fundações norte-americanas se articulam para enfraquecer a permanência de governos de esquerda na América Latina, para abrir espaço para empresários reacionários defensores do livre mercado. A derrubada da ex-presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, foi apoiada por organizações não governamentais como o Instituto Millenium, do Rio de Janeiro, que desde 2006 recebe apoios financeiros de grandes corporações, como o Bank of América Merrill Lynch, Grupo RBS e Grupo Gerdau.

Ainda no Brasil, foi fundado o Instituto Liberal pelo magnata Donald Steward, cuja fortuna se deve em parte a contratos firmados com governos ditatoriais. Vale recordar que a General Motors facilitou a Stroessner, os centros móveis de tortura, com carros do modelo Chevrolet Custom. Foi lá que me acusaram de organizar um atentado contra a vida do ditador e de sequestrar seus colaboradores para prendê-los em uma suposta prisão. Essa é a característica da nova fase do Condor: permitir que grandes empresas ocupem as ruas e os meios de comunicação de massa.

Em seu livro, o senhor cita os trabalhos dos ciberativistas Edward Snowden e Julian Assange. Qual seria a relação de seu trabalho com o deles?

Tanto eu como Assange e Snowden nadamos contra a corrente imperial e nos propusemos a defender a privacidade das pessoas e suas liberdades básicas, como o uso de telefone e e-mail. Entre 1972 e 1974 desenvolvi minha tese de doutorado na Universidade argentina de La Plata, chamada Paraguai: Educação e Dependência, na qual denunciei um processo de vigilância massiva dos Estados Unidos no Paraguai para espionagem política, a fim de evitar explosões sociais e a derrubada da ordem política e econômica. Tratava-se do Plano Camelot, uma ação norte-americana desenhada para evitar revoltas sociais e supostamente garantir a paz. Como resultado da denúncia foi constituído, entre 26 de novembro de 1974 e 26 de dezembro do mesmo ano, em Assunção, um tribunal militar que incluía representantes da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.

Edward Snowden, em julho de 2013, utilizando alta tecnologia e por meio dos jornais The Guardian e Washington Post, tornou público documentos considerados altamente secretos da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana sobre vigilância. Com provas, ele demonstrou como os Estados Unidos espionam o mundo. O programador Assange é especialista em filtrar documentos secretos em nível mundial e é o criador do site Wikileaks, um farol de transparência a serviço da humanidade. De alguma forma, ele e Snowden confirmaram o descobrimento realizado várias décadas antes por mim.

Essas denúncias tiveram um preço, não?

A ousadia foi paga com o exílio: o meu, em Paris, em 1980, o de Assange, em Londres, em 2012, e de Snowden. em Moscou, em 2013. A mim a denúncia custou também 30 dias em uma sala secreta, o assassinato da minha primeira esposa, Celestina Perez Almada, e o confisco de nossos bens. 

Passei meses em condições sub-humanas em delegacias e no campo de concentração "Emboscada", que ficava a 45 quilômetros de Assunção, junto com minha filha Celeste, então com seis anos. Sofri um exílio de pelo menos 15 anos, primeiro no Panamá e depois, na França.
Minha detenção e tortura ocorreram em 26 de dezembro de 1974. O tribunal militar classificou meu delito como terrorismo intelectual. Na época, parte da Igreja Católica lutava contra a ditadura e o tribunal responsabilizou a Universidade Católica de ter me facilitado o acesso aos livros de Paulo Freire, que pregava um modelo de educação que eu aplicava na escola Instituto Juan B. Alberdi, no Paraguai, onde era diretor. Nunca denunciei ninguém, nem durante a tortura com choques elétricos.

Como você vê a ascensão de movimentos de direita e extrema-direita na América Latina?

É evidente que o futuro da humanidade está ameaçado, assim como a própria democracia. Existe um domínio absoluto dos mercados sobre o Estado e o dinheiro passou a ser um valor supremo sem princípio ético e sem respeito à dignidade humana. Vivemos em uma democracia de baixa intensidade, em uma sociedade manejada por escravocratas que enganam o povo. São exemplos Carlos Menem e Mauricio Macri, na Argentina, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet (Chile), Juan Manuel Santos (Colômbia), Enrique Peña Nieto (México), que se mantiveram no poder com apoio dos Estados Unidos.

Concordo com o pesquisador argentino Atilio Boron, que defende que o objetivo estratégico de Washington, com seus "golpes brancos", é fazer com que a América Latina regresse à sua condição neocolonial. Esta desigualdade vem de um sistema que tem o capital como prioridade e não os direitos humanos. Já não é tempo de impérios coloniais, nem colônias, nem ditadura de grandes empresas multinacionais. É tempo de povos livres e de dignidade.

Que cicatrizes nos deixou a Operação Condor?

São muitas. Os detidos desaparecidos fazem falta a todos. Tentamos aceitar a ausência e sentimos uma dor que se dissemina no mundo como um pecado. A vida continua, mas com um vazio enorme e um dano permanente. Os desaparecimentos e as torturas nunca foram um fim em si mesmos, mas sim uma ferrenha medida para disciplinar. O esquecimento é como uma estranha morte que nos ausenta da história.

Há muita memória, mas pouca história sobre a Operação Condor. É preciso ter claro que o Condor de ontem e de hoje são uma obra coletiva. Altos funcionários dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além das empresas multinacionais, são responsáveis pelas violações de direitos humanos na América Latina. Os que estão mais próximos ao poder são ainda mais responsáveis.

Os governos da Argentina e do Brasil estão fazendo reformas sociais muito criticadas por sindicatos, movimentos sociais e pela população em geral. Como o senhor avalia esse tipo de retirada de direitos e essa sinalização de retorno ao neoliberalismo?

Lamentavelmente, ambos os países estão sofrendo uma involução de suas conquistas sociais e econômicas porque seus governos atuais estão alinhamos com grandes empresários e grandes proprietários. Impera uma concepção econômica e neoliberal vinculada à lógica financeira e ao endividamento externo, escravo dos interesses das metrópoles estrangeiras. Tudo isso nos obriga a sair e tomar as ruas, como na época das ditaduras militares. A rebeldia dos oprimidos e explorados não é um delito, mas sim um legítimo protesto por justiça.

No Brasil tivemos o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que muitos consideram ter sido um golpe. O senhor acredita que os novos golpes se darão por meios jurídicos e pela imprensa?

Hoje enfrentamos um inimigo diferente: não são os militares, mas sim os grupos multinacionais e os grandes meios de comunicação social que foram desenvolvendo diferentes formas de violar a Constituição nacional e a Declaração Universal de Direitos Humanos.

Vivemos em uma época difícil porque muitas mentes se renderam ou simplesmente estão a venda pelo melhor preço. Repressores da ditadura passaram a ser, no Brasil e no Cone Sul, funcionários da suposta democracia. Por isso, não mudou a natureza corrupta do Estado e das grandes empresas privadas, mesmo que o regime tenha mudado. Eles seguem legitimando a violência que vivemos desde a década de 1960. Devemos globalizar a luta contra a Operação Condor. Devemos globalizar a esperança.



Fonte: RBA

Aprece articula ação contra não repasse financeiro da União


Gadyel Gonçalves, prefeito de São Benedito pelo PCdoB, é o presidente da Aprece.
Gadyel Gonçalves, prefeito de São Benedito pelo PCdoB, é o presidente da Aprece.


A Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece) realizou, na última terça-feira (02), sua primeira reunião de 2018 com prefeitos e prefeitas cearenses. O encontro teve como objetivo discutir a articulação do movimento municipalista estadual diante da não realização, até o final de dezembro, da transferência dos R$ 2 bilhões acordados com o Governo Federal como Auxílio Financeiro aos Municípios (AFM) de 2017. 



Durante a reunião, que aconteceu na sede da Aprece, os gestores municipais presentes externaram suas dificuldades e a grande indignação pela falta de compromisso do presidente da República, Michel Temer, que assumiu publica e reiteradamente o compromisso de realizar o repasse dos recursos até o final do ano recém encerrado. O acordo não honrado prejudicou bastante as administrações municipais que planejaram seus encerramentos financeiros de 2017 contando com esse auxílio financeiro e estão com muita dificuldade de honrar seus compromissos. Praticamente todos os municípios estão em débito com fornecedores e assessorias e vários deles não estão em dia nem com o funcionalismo.

Conduzido pelo presidente da Aprece, Gadyel Gonçalves, o encontro culminou com a decisão dos prefeitos de solicitar, em caráter de urgência, um encontro com o presidente do Congresso, Senador Eunício Oliveira, bem como com os demais parlamentares cearenses. A ideia é sensibilizar a bancada federal do Ceará a pressionar o Governo Federal a fazer valer, o mais rápido possível, a Medida Provisória 815/2017, que libera o recurso extra de R$ 2 bilhões. “O texto determina, expressamente, que o dinheiro fará parte do exercício financeiro de 2018, mas, devido à grave crise financeira vivenciada pela esmagadora maioria dos municípios, é fundamental que esses recursos entrem nos cofres municipais o quanto antes, já que isso não aconteceu quando foi prometido”, afirmou Gadyel. Para isso, complementa o gestor, a ação dos deputados e senadores é imprescindível, uma vez que na retomada dos trabalhos do Congresso, em fevereiro, o texto da MP deverá ser analisado pelos congressistas, e o pagamento, garantido.

O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, também participou do encontro na Aprece, via telefone, abordando esse e outros assuntos fundamentais para a sobrevivência financeira dos municípios brasileiros. Em ligação no viva-voz, Ziulkoski enumerou algumas prioridades que devem ser abraçadas nas votações em Brasília até, no máximo, maio desse ano, para que possam efetivamente colaborar para atenuar a crise municipal. É importante lembrar que o AFM seria uma maneira de compensar parcialmente as quedas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2017 e está longe de ser a solução para todos os problemas financeiros enfrentados pelas gestões municipais de todo País.

De acordo com o consultor econômico da Aprece, André Carvalho, os municípios cearenses receberam, no ano passado, R$ 403 milhões a menos de ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que em 2016, o que corresponde a uma queda nominal de 8,7%. Já no que diz respeito ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), foram R$ 155 milhões a menos para o Ceará em 2017, também em relação ao ano anterior. “Se compararmos esses números, o apoio financeiro aos municípios (AFM) não honrado no final de 2017 não repara quase nada das perdas, uma vez que o mesmo seria de 99,5 milhões para o Ceará. Repararia menos do que 20% das perdas de transferências envolvendo Fundeb e FPM experimentadas pelos municípios cearenses”, acrescentou André Carvalho.

Ciente de seu papel no movimento municipalista, a Aprece, em parceria com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), deverá também apresentar ao presidente do Senado e à bancada federal cearense uma mini-pauta municipalista emergencial. Nela, constarão as principais medidas que podem ser tomadas para diminuir a crise enfrentada. Uma delas é a aprovação na Câmara da Proposta de Emenda à Constituição, já aprovada no Senado, que aumenta o repasse da União às prefeituras por meio do FPM. A PEC determina a elevação de um ponto percentual no repasse entregue aos Estados e Municípios, oriundo das arrecadações do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A distribuição dos recursos será alterada de 49% para 50%, e o novo repasse será feito em setembro de cada ano.

Fonte: Portal Vermelho

Brasil na encruzilhada: entre 1968 e 1988

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"Neste ambiente hostil, é viável derrotar o golpe antes que um novo AI-5 se consolide"
"Neste ambiente hostil, é viável derrotar o golpe antes que um novo AI-5 se consolide"


Dois mil e dezessete está terminando e com isso inaugura-se a temporada de previsões para o ano novo. Se em tempos normais tal exercício já deve ser enxergado com boa dose de ceticismo, tais previsões merecem uma dose extra de desconfiança diante da atual situação brasileira e internacional. A crise política e institucional que vive o país parece só guardar paralelo com alguns poucos episódios da história brasileira recente, dentre eles o golpe militar e a retomada da democracia, ambos acontecimentos envoltos em um enorme ambiente de incerteza.

Na década de 1960, após o golpe de 64, o episódio político mais marcante certamente foi a edição do AI-5 em 1968, que representou um aprofundamento do golpe e uma escalada no autoritarismo já presente desde de 1964, mas que dava sinais de que poderia ser revertido. Nunca é demais lembrar que algumas grandes lideranças do período democrático apoiaram o golpe de 64, acreditando que a situação era extraordinária/transitória e que duraria apenas alguns anos até o pleno restabelecimento da democracia através de eleições diretas. Às vésperas do AI-5, boa parte dos opositores da ditadura militar estavam razoavelmente organizados politicamente, com o apoio de artistas e da intelectualidade, promovendo manifestações e atos de grandes proporções. O candidato favorito era JK, que, mesmo acusado em escândalos forjados de corrupção, trazia ao povo a lembrança dos tempos de prosperidade e otimismo que seu governo representou.

Em pouco tempo, todas as esperanças ruíram. O AI-5 foi a confirmação de que, em um golpe de Estado, pode-se saber quando se dá seu início, mas é quase impossível prever seu fim. O receio daqueles que promoveram o golpe de arcar com o custo político e jurídico daquilo que fizeram os impulsiona para frente, obrigando-os sempre a aprofundar o estado de exceção ao invés de abrandá-lo, na esperança de promover a destruição final de seus adversários. A única saída é ampliar as arbitrariedades, caçar seus inimigos e manter-se no poder.

À luz da história, é possível que 2018 tenha elementos similares aos de 1968. O golpe, que teve início ainda em 2014 logo após a vitória de Dilma Rousseff no segundo turno, já se tornou pródigo em proteger amigos e perseguir adversários, especialmente o trabalhador brasileiro e seus representantes políticos. Assim como em 68, o ataque aos artistas, às universidades, aos sindicatos e aos movimentos sociais faz parte do arsenal mobilizado pelos golpistas para garantir sua posição política. Assim como em 1968, a caça aos inimigos não trouxe a legitimidade esperada e exigirá uma perseguição ainda mais voraz às lideranças populares que ousam questionar o golpe. Assim como em 1968, a perspectiva de um processo eleitoral livre e verdadeiramente democrático assusta profundamente os defensores do golpe, incluindo parte da mídia que o respaldou, diante da hipótese real de que as forças populares voltem ao poder. Talvez a maior diferença seja que em 1964 o golpe vestia farda, enquanto em 2014 o golpe veste terno e toga. A despeito da roupagem, o conteúdo ideológico dos dois golpes é bastante similar: involucrados por uma aura de moralismo, os reais interesses por trás dos golpes foram a proteção dos mais ricos e o desprezo pelo trabalhador e pelo pobre, assim como pela democracia.

Se esta chave de leitura for demasiadamente pessimista para o eventual leitor, talvez seja o caso de lembrar que 2018 também possui elementos em comum com um ano muito mais alvissareiro, o de 1988 e da promulgação da constituição cidadã. A profunda crise econômica, a descrença no governo de plantão, a luta organizada de parcelas relevantes da sociedade e a derrota das forças conservadoras da antiga ditadura militar abriram espaço para a construção de um pacto social que, mesmo recheado de problemas e contradições, representou a retomada da democracia e abriu a perspectiva de uma nova era de inclusão social. Foi a luta dos derrotados em 64 que possibilitou, em um momento de fragilidade do golpe e das ideias que representava, a retomada da democracia e a construção das bases na qual o pobre voltou a existir à luz da lei brasileira.

O ano de 2018 certamente não está escrito nas estrelas. A quantidade de incertezas que o envolve não nos permite fazer nenhum tipo de prognóstico confiável, mas parece evidente que a disputa política se dará em um ambiente de total anormalidade, herança típica dos momentos de golpe de Estado. Todos os agentes políticos relevantes, inclusive juízes e promotores, sabem que uma eventual derrota em 2018 pode representar sua “morte” política dali pra frente. Quando a disputa deixa de ser pelo comando do Estado e passa a ser pela sobrevivência física e política, não se pode mais dizer que vivemos uma democracia, pois a aceitação da derrota significa uma sentença de morte para os perdedores. E ser democrata é, em grande medida, saber perder.

Mas, mesmo neste ambiente hostil, é viável derrotar o golpe antes que um novo AI-5 se consolide, 
sendo necessário uma profunda intensificação da luta popular, da mesma ou maior intensidade que aquela que garantiu a volta da democracia e a promulgação da Constituição cidadã, atualmente tão maltratada por nossos legisladores e governantes.



*Guilherme Santos Mello é professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON-UNICAMP).

terça-feira, 2 de janeiro de 2018


Secitece abre novas inscrições para a UTD

De 2 a 10 de janeiro, a Universidade do Trabalho Digital estará com inscrições abertas para as novas turmas dos cursos de qualificação profissional em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), voltadas para a inserção no mercado de trabalho e a inclusão digital.


Os cursos da UTD são gratuitos e acompanham material didático. Os cursos da UTD são gratuitos e acompanham material didático.

O curso ofertado é o Iniciação Digital, com carga horária de 60 horas e sem necessidade de teste de nível. Para participar, é necessário ter idade a partir de 16 anos. As inscrições serão presenciais, na sede da UTD (rua Major Facundo, 500, 12º andar – Centro | prédio do Cineteatro São Luiz), das 8h30 às 12h e das 13h às 16h30. No ato da inscrição, deve-se apresentar originais ou cópias do CPF (indispensável), RG e comprovante de endereço (original ou cópia).

Os cursos da UTD são gratuitos e acompanham material didático. As aulas do curso Iniciação Digital terão início no dia 16 de janeiro, de segunda a sexta. As turmas serão divididas nos turnos manhã, tarde e noite.

A UTD é uma iniciativa da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece) e conta com a parceria do Instituto Centec na realização de cursos gratuitos de formação profissional na área de TIC, em níveis básico e avançado.

Mais informações:
UTD - (85) 3454-1257 / 3454-1987




Fonte: Assessoria da Secitece

Flávio Dino: 2018 de lutas e vitórias

Uma das premissas para que tenhamos novas conquistas é jamais perder a esperança. Quem perde, fica imobilizado e até desesperado. Outra premissa é que devemos olhar para trás, para aprender com os naturais erros, mas sobretudo devemos valorizar as coisas boas, os pontos positivos, os acertos.


Gilson Teixeira/Governo do Maranhão
   

Damos início à caminhada desse novo ano com a convicção de estar colocando o Maranhão na posição que sempre mereceu estar. Apesar do combate desleal que o coronelismo insiste em fazer, fechamos o 3º ano de mandato com aprovação popular bem alta, o que nos enche de alegria, pois mostra que nossos sacrifícios e a dedicação séria tem sido reconhecidos.

Estamos avançando para um estado de oportunidades para uma gente trabalhadora, que constrói seu caminho com os próprios pés, sem coronéis, princesas e sanguessugas. Nunca merecemos ser o estado do fim da tabela dos índices nacionais, como estamos há décadas. Essa realidade construída ao longo de quase toda a metade do século 20 ao início do 21 começa agora a mudar. É uma estrada longa, que exige o empenho de todos. Mas cujas sementes plantadas à beira do caminho começam a brotar – como as da parábola cristã (Lucas 8:11-15).

Temos cada vez mais escolas dignas para nossa gente. Em meu governo, já fizemos mais de 700 obras em escolas, abrangendo prédios novos, reconstruções, reformas. E muitas vezes são reformas do teto ao piso, entregando escolas climatizadas. É a educação sendo tratada com a dignidade que merece, para dar as condições a nosso estado finalmente se desenvolver. O próximo IDEB que será divulgado em 2018 já mostrará o resultado do trabalho, pois vamos deixar para trás os vergonhosos 2,8 que recebi em 2015.

Na saúde, aumentamos em 42% o número de leitos disponíveis no estado, com a criação de uma verdadeira rede de atendimento, com oito hospitais de grande porte, em todas as regiões do estado. Em 2018, iremos entregar o novo Hospital do Servidor e dar início às obras do Hospital da Ilha, que vai substituir o Socorrão no atendimento de urgência e emergência.

Na segurança, todos são testemunhas do empenho que temos tido em combater a criminalidade. Nosso governo agora é vigilante e tem pulso firme em favor da lei, com uma tropa que passa dos 12 mil homens pela primeira vez em nossa história. E chegaremos a mais, com o novo concurso que realizamos para a Polícia Militar e que estamos realizando para a Polícia Civil.

Fizemos asfalto de ponta a ponta de nosso estado, levando dignidade onde antes havia barro. São 2.500 quilômetros de asfalto novo, em mais de 170 cidades. E até o final do ano de 2018, iremos chegar aos 217 municípios maranhenses.

Para cuidar de quem mais precisa, também criamos o Mais IDH, um programa focado nos 30 munícipios de menor Índice de Desenvolvimento Humano. São ações como a Força Estadual de Saúde, o Água para Todos e o apoio à produção agrícola que estão fazendo o Governo chegar onde nunca havia ido.

Muito mais há que se fazer em nosso estado. E seguiremos trabalhando sem descanso para transformar nossa realidade. Anteontem, para exemplificar essa dedicação integral, entregamos varias obras, aproveitando o último dia útil do ano. E ainda vamos entregar outras 200 obras nos próximos meses. São estradas recuperadas, hospitais, escolas, centros de assistência social.

É o Maranhão construindo seu próprio futuro, sem amarras. Com o envolvimento de todos, estamos conseguindo deixar para trás o atraso, o desleixo e descaso que marcaram o passado. Foram 50 anos de domínio oligárquico que roubaram do Maranhão seu destino. Não roubarão mais. Um 2018 de lutas históricas e grandes vitórias para todos nós.


 Flávio Dino é governado do Maranhão.

Flávio Dino é o governador que mais cumpriu promessas, aponta G1


Reprodução
   


O ranking do G1 inclui todos os governadores do país e confirma que, mesmo em meio à crise econômica e política vivida pelo Brasil, Dino vem promovendo uma verdadeira revolução em seu estado. O governador comunista é pré-candidato à reeleição. 

Faltando apenas um ano para o fim do mandato, somados, os governadores de todos os estados mais o Distrito Federal cumpriram 32% das 1.035 promessas que assumiram durante a campanha. 

Outros 26,7% dos compromissos foram executados apenas parcialmente - ou seja, ainda há pendências para que o trabalho seja considerado entregue. Já as promessas que ainda não foram cumpridas pelos governos estaduais na atual gestão são 38,7%. O restante das propostas não foi avaliado. 

O levantamento aponta que, até então, Flávio Dino, na liderança, realizou 22 dos compromissos assumidos em campanha. Doze outras promessas estão em andamento e três não foram cumpridos ainda. Os 92% atingidos por Flávio são bem acima da média nacional, de 60%.

Entre as promessas já executadas total ou parcilamente estão implementar o Bolsa Escola, aumentar a rede de ensino em tempo integral, reformar e recuperar as escolas do Estado, aumentar o número de médicos no Maranhão, aumentar o número de policiais, criar a Secretaria de Transparência e Controle, instituir o Programa de Assistência Técnica aos Municípios (Promunicipio), criar uma rede estadual de educação profissional, implantar um novo modelo de governança da segurança pública e aumentar as vagas nos estabelecimentos penais.

De acordo com o G1, os outros estados que mais se aproximam do percentual de promessas cumptidas pelo govrenador do Maranhão são Rondônia (85%), Goiás (82%), Ceará (80%) e São Paulo (75%).

No estudo, foram analisadas promessas relacionadas ao combate à corrupção, transparência, administração, economia, segurança pública, turismo, direitos humanos e sociais, educação e cultura, meio ambiente e agronegócio, esporte, habitação, saúde, mobilidade urbana e infraestrutura. 





 Do Portal Vermelho, com agências